A tecnologia ocupa espaço relevante nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Os dois programas apresentam propostas para ampliar o acesso à internet, digitalizar serviços públicos e utilizar inteligência artificial (IA), mas partem de estratégias diferentes para o setor.
No plano de Lula, a tecnologia é apresentada como instrumento de soberania nacional, desenvolvimento econômico e fortalecimento da indústria brasileira. A proposta prevê investimentos em infraestrutura computacional, data centers, inteligência artificial desenvolvida no país, modelos de linguagem em português e formação de profissionais.
Já Flávio Bolsonaro concentra parte das propostas na digitalização dos serviços públicos e na ampliação do acesso à internet, com a promessa de transformar o Estado em uma estrutura mais integrada e reduzir a necessidade de deslocamentos e apresentação repetida de documentos. O plano também prevê o uso de IA em áreas como atendimento ao cidadão, saúde e Previdência.
As propostas dos dois candidatos também se aproximam em alguns pontos. Ambos defendem maior uso de tecnologia na saúde, ampliação da conectividade e utilização de inteligência artificial para melhorar serviços públicos.
Para Allan Costa, Doutor em Ciência da Computação, as propostas apresentadas por Lula e Flávio Bolsonaro dão destaque a dimensões diferentes e, em vários pontos, complementares da transformação digital. "Lula enfatiza a capacidade brasileira de desenvolver e controlar tecnologias estratégicas, com investimentos em pesquisa, inteligência artificial, supercomputadores e infraestrutura nacional", destaca.
Já Flávio, segundo Costa, concentra as propostas na aplicação da tecnologia aos serviços públicos e às empresas, com medidas voltadas à digitalização do atendimento e à ampliação do acesso. "Vejo mérito nas duas frentes, porque o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de inovação e transformar esse avanço em benefícios concretos para a população", admite.
Lula propõe soberania digital e produção nacional de tecnologia
No programa de Lula, um dos principais eixos é a chamada soberania digital. A proposta é ampliar a capacidade brasileira de desenvolver, operar, regular e governar tecnologias consideradas estratégicas, além de garantir que infraestruturas críticas estejam submetidas às leis brasileiras.
O candidato também pretende fortalecer a cadeia nacional de tecnologia, incluindo data centers, serviços de nuvem, hardware, software e inteligência artificial. A ideia é aproximar empresas públicas e privadas, universidades e centros de pesquisa.
“Garantiremos a soberania digital para que o Brasil e os brasileiros tenham capacidade de desenvolver, operar, regular e governar tecnologias estratégicas”, afirma o programa.
Entre as medidas está a criação de uma infraestrutura computacional considerada soberana, com supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições nacionais. O programa também prevê regras ambientais para novos data centers, com exigência de eficiência energética e utilização progressiva de fontes renováveis.
Outra proposta é desenvolver modelos de linguagem em português e em outras línguas, utilizando uma plataforma nacional de dados para treinamento e avaliação. O programa também prevê ampliar a utilização da IA em setores como agropecuária, saúde e serviços financeiros.
Na área de conectividade, Lula propõe reduzir o déficit de fibra óptica e ampliar o 5G no campo, com prioridade para regiões Norte e Nordeste e periferias. O plano também prevê a formação de profissionais para criar um polo nacional de competências digitais.
Para Allan Costa, desenvolver competências próprias pode ampliar a autonomia do país e favorecer soluções adequadas à nossa língua e às necessidades brasileiras.
"Entretanto, soberania digital precisa se traduzir em capacidade efetiva de pesquisa, inovação e operação: instalar data centers em território nacional, por si só, não assegura domínio tecnológico", pondera.
Flávio Bolsonaro prioriza “Estado digital” e acesso à internet
No programa de Flávio Bolsonaro, a internet é tratada como uma infraestrutura básica para acesso a serviços, educação, trabalho e empreendedorismo. O candidato propõe a criação de pacotes de conexão para pessoas que não conseguem acessar a rede e a expansão da cobertura em escolas, áreas rurais e regiões de fronteira.
“Digitalizar sem conectar é excluir. Nenhum serviço digital cumpre sua função para quem está fora da rede”, afirma o plano.
O candidato também promete digitalizar 100% dos serviços públicos federais que possam ser digitalizados, adotando o princípio de que o cidadão não deve apresentar novamente informações que já estejam em posse do Estado.
A proposta inclui uma identidade digital única integrada ao Gov.br. Assistentes automatizados poderiam orientar o cidadão sobre os serviços e benefícios disponíveis, inclusive por comandos de voz.
“Se o governo já tem a informação, não vai pedir de novo”, diz o programa.
Na área de inteligência artificial, Flávio propõe utilizar sistemas automatizados para identificar benefícios e serviços aos quais cada cidadão teria direito. O programa cita ainda a ClarIA, apresentada pela campanha como uma ferramenta de acompanhamento da jornada do cidadão.
Allan Costa vê, nas propostas de Flávio, potencial na simplificação do acesso aos serviços e na disseminação da inteligência artificial entre empresas menores.
"A digitalização precisa reduzir o tempo de atendimento e facilitar a vida do cidadão. Um assistente virtual pode orientar sobre benefícios, mas seu funcionamento não comprova, por si só, que a fila diminuiu ou que o serviço melhorou", afirmou.
Saúde e Previdência também entram no plano
Os dois candidatos apresentam propostas de ampliação do uso da tecnologia na saúde. Lula defende a consolidação de um prontuário único e a expansão da saúde digital. Flávio propõe um prontuário eletrônico único, vinculado ao CPF (Cadastro de Pessoa Física) e integrado ao Gov.br, com informações sobre consultas, exames, vacinas e prescrições. A proposta prevê integração entre as redes pública e privada, observando consentimento, sigilo médico e a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
Flávio também promete utilizar inteligência artificial para agilizar o agendamento de consultas e exames no SUS (Sistema Único de Saúde). Na Previdência, a proposta é ampliar a digitalização dos processos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e reduzir o tempo de espera por benefícios.
Veja as principais propostas de Lula
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Soberania digital: ampliar a capacidade brasileira de desenvolver, operar e regular tecnologias estratégicas;
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Data centers nacionais: estimular a expansão da infraestrutura de computação no país, com exigências socioambientais;
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Inteligência artificial brasileira: fortalecer empresas, universidades e centros de pesquisa que desenvolvem IA no Brasil;
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Modelos de linguagem em português: desenvolver sistemas de IA voltados às necessidades brasileiras;
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Supercomputadores: criar uma infraestrutura computacional soberana, operada por instituições nacionais;
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Expansão da conectividade: reduzir o déficit de fibra óptica e ampliar o 5G no campo, com prioridade para Norte, Nordeste e periferias;
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Formação profissional: criar um hub nacional de competências digitais, aproximando universidades, centros de pesquisa e empresas;
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Transparência algorítmica: ampliar mecanismos de fiscalização e rastreabilidade de conteúdos sintéticos e decisões automatizadas.
Veja as principais propostas de Flávio Bolsonaro
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Pacotes de internet: garantir conexão para pessoas que não conseguem acessar a rede por falta de recursos;
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Ampliação da conectividade: levar internet para escolas, áreas rurais e regiões de fronteira;
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Estado Digital: digitalizar 100% dos serviços públicos federais passíveis de digitalização;
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Identidade digital única: integrar a identificação do cidadão ao Gov.br e facilitar o acesso a serviços;
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Inteligência artificial no governo: utilizar assistentes automatizados para indicar serviços e benefícios disponíveis;
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Prontuário eletrônico único: reunir informações de saúde do cidadão e integrar sistemas públicos e privados, observando a LGPD;
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IA na saúde: utilizar tecnologia para agilizar o agendamento de consultas e exames;
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INSS digital: ampliar a digitalização dos processos para reduzir o tempo de espera por benefícios;
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IA nas empresas: ampliar o uso de inteligência artificial por micro, pequenas e médias empresas, especialmente nos setores de indústria, agro, saúde e logística.

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