O plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026 adota uma abordagem diferente sobre o agronegócio em relação ao documento apresentado pela campanha petista em 2022. Enquanto a proposta anterior dava maior destaque à agricultura familiar, à reforma agrária, à sustentabilidade e à segurança alimentar, o novo texto enfatiza a importância econômica do setor.
A mudança ocorre após o Brasil enfrentar tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conforme detalhado pela Folha de S. Paulo. A cobrança chegou a 50% sobre parte dos produtos brasileiros, mas negociações entre os dois países resultaram em exceções para itens como carne, café e suco de laranja, com participação de representantes do agronegócio nas articulações.
No documento apresentado pela campanha, o setor é definido como estratégico para a economia brasileira. “O agronegócio é fundamental para o desempenho de nossa balança comercial e para a evolução do PIB nacional”.
O texto também defende políticas que conciliem produtividade, sustentabilidade ambiental e inovação tecnológica. A proposta prevê ainda ampliar o valor agregado dos produtos exportados e reduzir a dependência de commodities nas relações comerciais brasileiras.
Diferenças em relação ao plano de 2022
Na campanha de 2022, o programa de Lula apresentava o agronegócio principalmente associado a questões sociais, ambientais e de segurança alimentar. O documento defendia o fortalecimento da agricultura familiar, da agricultura tradicional e do agronegócio sustentável.
A proposta também relacionava a produção agrícola e pecuária ao combate à fome e à ampliação do acesso a alimentos saudáveis. Entre as medidas previstas estavam a redução dos custos de produção e dos preços dos alimentos, o incentivo à produção orgânica e agroecológica e a “democratização na posse e uso da terra”.
O plano ainda estabelecia como objetivo retirar o Brasil do Mapa da Fome, meta que, segundo dados divulgados pelo governo, foi alcançada em julho de 2025.
Aproximação com o agronegócio
Historicamente mais próximo de grupos conservadores, o agronegócio continua sendo um dos desafios eleitorais para Lula. Nas eleições de 2026, candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL) também buscam ampliar o apoio entre produtores rurais.
Durante o atual mandato, Lula adotou medidas voltadas ao setor, entre elas uma linha de crédito para produtores rurais endividados. Em algumas dessas iniciativas, porém, o presidente não participou diretamente dos eventos.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também ocupa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tem assumido parte da interlocução do governo com representantes do agronegócio.
Neste ano, Lula não participou do lançamento do Plano Safra voltado à agricultura empresarial, realizado enquanto o presidente estava em viagem oficial ao Paraguai. Ele retornou ao Brasil no mesmo dia e participou da cerimônia destinada aos pequenos produtores rurais. O Plano Safra é anunciado anualmente e reúne linhas de crédito e financiamento para o setor agrícola.
Mais crédito e investimentos
O novo plano de governo também amplia a presença do financiamento ao agronegócio entre as propostas para um eventual quarto mandato. O documento prevê a diversificação das fontes de crédito e o estímulo ao mercado de capitais e aos títulos ligados ao setor. “Haverá medidas para simplificar ainda mais o acesso ao crédito, com processos menos burocráticos e critérios claros”, detalha.
O agronegócio também aparece entre as áreas prioritárias nas propostas de investimento em ciência, tecnologia e inovação. A campanha afirma que pretende aproximar instituições de pesquisa, mecanismos de financiamento e setores produtivos para ampliar a modernização e a produtividade. O documento apresentado em 7 de agosto reúne ainda propostas relacionadas à soberania nacional, à regulamentação das redes sociais, à mudança nas regras de emendas parlamentares e ao fim da escala de trabalho 6x1.
