A realização das Eleições 2026 exigirá uma operação logística que combina transporte terrestre, fluvial e aéreo para levar urnas eletrônicas e equipes aos locais de votação no Pará. Ao todo, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) organizou 4.382 rotas de distribuição e recolhimento de urnas para atender os 144 municípios do estado. A estrutura envolve 4.786 veículos terrestres, 1.203 embarcações, sete aviões e seis helicópteros. A operação precisa atender 5.919 locais de votação e 22.072 seções eleitorais, distribuídos por um território de mais de 1,2 milhão de quilômetros quadrados. Entre os principais desafios estão as localidades rurais, ribeirinhas, indígenas e regiões cujo acesso depende exclusivamente de rios ou de transporte aéreo. Ao todo, 3.299 urnas eletrônicas serão transportadas por barco. Existem ainda 699 seções eleitorais cujo acesso é exclusivamente fluvial. Outros 55 locais de votação dependem de transporte aéreo, sendo 25 deles situados em aldeias indígenas. Urnas começam a ser transportadas antes da eleição Segundo o diretor-geral do TRE-PA, Bruno Almeida, o deslocamento dos equipamentos é antecipado justamente para reduzir os riscos provocados por condições climáticas e limitações de transporte. As urnas começam a ser encaminhadas aos locais de votação antes do domingo (4), e a previsão do Tribunal é que todos os equipamentos estejam em seus respectivos locais até o meio-dia de sábado (3). O planejamento considera, por exemplo, as condições necessárias para o deslocamento das aeronaves, que podem ser afetadas por chuva, visibilidade e fumaça de queimadas. “Quanto antes voar, melhor. As urnas começam a ser disparadas a partir de hoje. Até o meio-dia de sábado, a gente quer que todas as urnas já estejam nos seus locais de votação”, afirmou. Plano A, B e C para os rios Nas áreas ribeirinhas, o Tribunal trabalha com alternativas para situações em que a navegação seja interrompida ou dificultada. Bruno Almeida citou como exemplo uma operação em que uma equipe pode iniciar o trajeto em uma caminhonete, transportar equipamentos e pessoas até determinado ponto e, de lá, seguir de barco. Se a embarcação não conseguir avançar mais pelo rio, o deslocamento pode continuar por motocicletas até o local de votação. “É esse o plano de contingenciamento que a gente vem fazendo; é o que eu chamo de plano A, B e C”, disse. O objetivo é evitar que uma dificuldade em determinado trecho do percurso comprometa a chegada da urna ao local de votação. Monitoramento do clima O planejamento logístico também leva em consideração as condições meteorológicas. Para isso, o TRE-PA mantém parceria com órgãos como o Censipam, a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Defesa Civil Estadual. As informações meteorológicas são utilizadas para acompanhar as condições das rotas e permitir mudanças no planejamento quando houver risco de interrupção dos deslocamentos. A operação conta ainda com urnas de contingência, destinadas a substituir equipamentos que apresentem problemas durante a preparação ou no dia da votação. Mais de 100 mil pessoas envolvidas A logística não envolve apenas o transporte das urnas. A operação eleitoral mobiliza cerca de 80 mil mesários, além de 14.814 profissionais, entre magistrados, integrantes do Ministério Público, servidores e colaboradores terceirizados. A estrutura atende mais de 6,2 milhões de eleitores distribuídos pelos 144 municípios paraenses.