Dia desses, um motorista de aplicativo me disse, em tom de desabafo e desesperança: “Eu não vou votar. Não acompanho mais política.”
Eu tinha pouco tempo naquela corrida. Poderia simplesmente discordar. Poderia tentar convencê-lo. Mas preferi fazer uma pergunta e deixar uma espécie de dever de casa para aquele eleitor descrente:
Por que é importante não desistir de ir às urnas?
Decidi falar de um assunto que, à primeira vista, pode parecer distante da política do dia a dia: a crise climática.
“Seu Marcos, o senhor aprenderia alguma coisa numa escola sem ar-condicionado ou ventilador?”
“Difícil, né? Nossa cidade é muito quente.”
“Pois é. E essa quentura toda também adoece a gente, não é verdade? As altas temperaturas podem agravar problemas de saúde e também afetar quem trabalha no campo. Agricultores familiares podem perder plantações, a produção diminui e os alimentos podem chegar mais caros à nossa mesa.”
Ele foi percebendo, naquela conversa, que o clima não está apenas nas notícias sobre o planeta. Está na escola. Na saúde. Na comida. No preço que a gente paga. Na vida de todos nós.
Seu Marcos pode até não gostar de política. Mas as decisões políticas chegam até ele. E até mim. E até você.
Quem elegemos vai tomar decisões que afetam o nosso futuro. Então, deixei outra pergunta para ele:
Que futuro o senhor deseja para sua família?
O que eu gostaria que ele - e tanta gente - entendesse é que, mesmo quando a gente decide não se envolver, as decisões continuam acontecendo. E chegando até nós.
Jalília Messias, jornalista, repórter e apresentadora da TV Liberal
