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O Liberal 80 anos

APÓS APURAÇÃO

Flávio chama prorrogação de 'sacanagem' e diz que pedirá anulação do 2º turno

Flávio teve 48,21% dos votos válidos, enquanto Lula, reeleito, recebeu 51,79%

Gabi Gutierrez

25 de outubro de 2026 às 22:48

( Foto: Reprodução | Redes sociais )

Após o fim da apuração dos votos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) disse, em coletiva, neste domingo (25), que pedirá a anulação das eleições. Flávio teve 48,21% dos votos válidos, enquanto Lula, reeleito, recebeu 51,79%. O candidato atribuiu a derrota à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação em seções eleitorais que ainda estavam abertas às 17h.

A declaração do candidato foi feita em Brasília, onde Flávio acompanhou a apuração dos votos ao lado de apoiadores. Durante o pronunciamento à imprensa, o senador questionou a decisão judicial e afirmou que a medida teria alterado as regras eleitorais durante a votação.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou. “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”.

Flávio chamou a decisão de Zanin como “canetada” e questionou a atuação do ministro, que foi advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos processos da Operação Lava Jato e foi indicado por ele para ocupar uma vaga no STF em 2023.

O senador também alegou que houve uma quebra de isonomia entre eleitores de diferentes cidades e estados em razão da prorrogação do horário de votação. “Eu nunca vou saber se num Estado aonde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, afirmou.

No entanto, a decisão judicial não determinou a reabertura de urnas que já haviam encerrado a votação. Após uma primeira ordem com alcance nacional, a medida foi ajustada pelo ministro e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para contemplar apenas as seções eleitorais que permaneciam abertas às 17h.

Flávio questiona fiscalização e pede esclarecimentos

Durante a manifestação, o candidato do PL também afirmou que fiscais do partido teriam sido retirados da sala-cofre do TSE após a decisão de prorrogar a votação. Ele, porém, não apresentou detalhes ou provas que comprovassem a alegação durante o pronunciamento.

“Tem muita coisa pra ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem”, declarou.

Flávio também mencionou, sem identificar o nome, um ministro que teria defendido publicamente a anulação da eleição. O senador não detalhou a declaração nem apresentou informações adicionais sobre o episódio.

Até o momento do pronunciamento, a principal justificativa apresentada pelo candidato para contestar o resultado estava relacionada à extensão do horário de votação e aos possíveis efeitos da medida sobre a disputa eleitoral.

Entenda a decisão sobre a prorrogação da votação

A prorrogação do horário de votação ocorreu após uma ação apresentada pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. A iniciativa apontava problemas na oferta de transporte público, com falta de ônibus que poderia dificultar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.

Mais cedo, às 15h27 deste domingo, a campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado ao TSE a extensão da votação até as 19h em 17 cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina. O pedido foi motivado pelas chuvas registradas nessas localidades.

A decisão de prorrogar a votação, portanto, ocorreu em meio a solicitações relacionadas às condições de acesso dos eleitores às urnas. A medida final, conforme o relato apresentado, ficou restrita às seções que ainda estavam abertas às 17h, sem determinar a reabertura daquelas em que a votação já havia sido encerrada.