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ELEIÇÕES

'Desafio dos sigilos': entenda as posições de Lula e Flávio sobre dados

A manifestação representa uma nova etapa da disputa, que começou com o desafio feito por Lula durante o debate da Band e passou a incluir exigências adicionais dos dois lados.

Gabrielle Borges

22 de outubro de 2026 às 08:58

Lula e Flávio Bolsonaro

Lula e Flávio Bolsonaro ( Foto: Ricardo Stuckert / PR | Instagram @flaviobolsonaro )

A disputa pela Presidência da República ganhou um "novo capítulo" na reta final da campanha de 2026, com o debate sobre a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Na terça-feira (20), Lula apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma manifestação autorizando a divulgação de informações referentes aos últimos oito anos, desde que Flávio adotasse medida semelhante. No dia seguinte, o senador apresentou uma contraproposta com novas condições e ampliou o período para 20 anos.

A resposta de Flávio incluiu pedidos relacionados a familiares, ex-assessores, empresas privadas e informações sobre despesas e atividades do governo federal. A campanha de Lula afirmou que não se opõe às exigências e anunciou que apresentaria uma manifestação ao TSE nesta quinta-feira (22).

O que Lula propôs sobre a abertura de sigilos?

No documento encaminhado à Justiça Eleitoral, Lula autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos oito anos. A iniciativa, no entanto, foi condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro.

A proposta do presidente também abrange a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e os cinco filhos do petista: Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva, Luís Cláudio Lula da Silva e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

Fábio Luís é alvo de apurações da Polícia Federal, conforme informações divulgadas pela imprensa. A inclusão do filho no documento faz parte da proposta de ampliar a divulgação de dados para além dos próprios candidatos.

Lula também pediu que Flávio autorizasse a abertura dos sigilos de familiares próximos, incluindo:

  • Jair Bolsonaro, pai do senador;
  • Rogéria Bolsonaro, mãe do senador;
  • Carlos Bolsonaro, irmão;
  • Eduardo Bolsonaro, irmão;
  • Jair Renan Bolsonaro, irmão;
  • Fernanda Bolsonaro, esposa.

A proposta ainda abrange empresas relacionadas aos candidatos, seja por participação societária, administração ou vínculo com contas bancárias. Entre as empresas citadas pela defesa de Lula estão o escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, a All In One Corretora de Seguros Ltda., a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda., a Bolsonaro Digital Ltda. e a Alcazar Holdings.

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Quais foram as condições apresentadas por Flávio Bolsonaro?

Em resposta ao desafio, Flávio Bolsonaro apresentou ao TSE uma manifestação na qual declarou aceitar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. A proposta também prevê informações de familiares e de empresas das quais seja sócio ou administrador.

A defesa do senador, porém, criticou a iniciativa inicial de Lula, classificando-a como uma “promessa vazia” e um “factoide”. Os advogados argumentaram que o período de oito anos seria insuficiente e defenderam a ampliação do alcance da medida a pessoas e empresas que, segundo a petição, poderiam ter informações relevantes.

Entre as condições apresentadas por Flávio estão pedidos para a abertura de sigilos de ex-assessores e pessoas ligadas ao presidente. Um dos nomes citados é Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Entre as solicitações estão:

  • Divulgação integral dos gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023;
  • Acesso às agendas institucionais da primeira-dama, Janja;
  • Detalhamento dos registros de visitantes do Palácio do Planalto;
  • Informações sobre uma reunião com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master;
  • Esclarecimentos sobre relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger;
  • Registros de voos realizados em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB);
  • Abertura dos sigilos de Frei Chico, irmão de Lula.

Lula aceitou as condições

Na quarta-feira (21), a campanha de Lula afirmou que não se opõe às condições apresentadas por Flávio Bolsonaro. O coordenador político da campanha petista, Camilo Santana, informou que a equipe pretendia formalizar a resposta ao TSE na manhã desta quinta-feira (22).

Apesar da concordância anunciada pela campanha petista, a divulgação efetiva dos dados depende dos procedimentos jurídicos aplicáveis. A autorização de um candidato não permite, por si só, liberar automaticamente informações protegidas de familiares, assessores ou terceiros que não tenham consentido com a medida.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)