O fim do Círio de Nazaré marca o aumento da procura por artigos de Halloween no comércio de Belém. Para este ano, a expectativa de vendedores é que se tenha crescimento de 15% a 20% nas vendas em relação ao ano passado, quando a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) também impulsionou o movimento nas lojas.
Segundo o trabalhador Clenilson Farias, gerente de uma loja na travessa 13 de Maio, os estabelecimentos começam a se preparar para o Halloween em setembro. No entanto, durante o Círio de Nazaré, a procura por artigos temáticos diminui, enquanto os produtos relacionados à festividade religiosa ganham espaço.
“Assim que acaba o Círio, as vendas de produtos de Halloween começam a crescer. Por isso, sempre temos a expectativa de um aumento de, no mínimo, 15% a 20% nas vendas. O ano passado foi muito bom por conta da COP 30, que gerou aquele boom, aquela empolgação. Mas, neste ano, também esperamos esse aumento nas vendas”, explica.
O gerente ainda explica que, às vezes, a busca pelos produtos inicia até mesmo antes de outubro. Por isso, os comerciantes já se adiantam para esta época. “A procura começa em setembro, tanto que já colocamos os produtos de Halloween no salão nesse mês. Nos últimos dois anos, eles começaram a sair a partir desse período”, reforça.
“Historicamente, outubro é o melhor mês do ano para a gente. Muita gente pensa que é dezembro ou novembro, mas não. Outubro é o melhor porque já abrange o Círio desde o início e, assim que a festividade termina, começa o Halloween. Vendemos produtos de Halloween até o dia 3 de novembro. Por isso, outubro é considerado o nosso melhor mês”, acrescenta o gerente.
Produtos buscados
O aumento na demanda é um consenso entre os trabalhadores. A caixa de uma outra loja na 13 de Maio, Viviane Neves, explica os itens para fantasias estão entre os mais buscados. “Muita procura, principalmente nessa área de terror, estão procurando bastante bruxa, coisas de vampiro, sangue falso, bastante máscara. No Halloween sempre tem muita demanda. Chega até forma filas”, comenta.
Estimativa
Sobre esse volume de vendas, o gerente de Relacionamento e Marketing da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belém (CDL Belém), Edson Nogueira, explica que apesar da festa de Halloween não exercer uma forte influência na cultura paraense, ela vem crescendo gradualmente ao longo dos anos. “Para este ano, a CDL Belém projeta um crescimento estimado entre 5% e 8% nas vendas ligadas ao período do Halloween em comparação com o mesmo período de 2025”, estima Edson.
“O Halloween vem se consolidando como uma data estratégica de transição importante entre o término do Círio de Nazaré e a preparação para as vendas de fim de ano (Black Friday e Natal). Como a festividade ocorre no final de outubro, o comércio da capital observa uma migração do fluxo de consumo: encerrado o ciclo festivo de outubro, os lojistas do segmento de artigos de festas, utilidades e vestuário conseguem capturar uma parcela do orçamento das famílias e de eventos corporativos e escolares”, acrescenta.
Segundo representante da CDL, os segmentos com maior destaque nas vendas durante o Halloween são os de artigos para festas e decoração, vestuário, fantasias e calçados, doces e confeitaria, além de perfumaria e cosméticos. Entre os produtos mais procurados estão enfeites temáticos, fantasias infantis e adultas, doces, maquiagens artísticas e tintas faciais. O Halloween deixou de ser um evento nichado e ganhou relevância garantida no calendário promocional do varejo local, de acordo com Edson.
“Há adesão escolar e acadêmica das Escolas de idiomas, colégios de ensino fundamental e faculdades, que adotaram o Halloween em seus calendários pedagógicos e culturais, impulsionando a compra de fantasias e adereços infantis e juvenis. Bares, restaurantes, casas de shows e academias em Belém têm investido expressivamente em noites temáticas durante a segunda quinzena de outubro, o que gera um efeito multiplicador no comércio de insumos, figurinos e maquiagens artísticas”, destaca o gerente da CDL.
Segmento
Na avaliação da assessora econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio-PA), Lúcia Cristina Lisboa, o aproveitamento comercial do Halloween depende da realidade de cada segmento, do perfil do público e da capacidade dos empresários de identificar oportunidades sem comprometer o planejamento para datas de maior relevância comercial. A definição de estoques, a política de preços e as ações promocionais devem considerar a demanda esperada e os recursos disponíveis.
"Para os estabelecimentos que trabalham com artigos temáticos, fantasias, maquiagens e decoração, a data pode representar uma oportunidade complementar de vendas, especialmente quando há demanda específica por esses produtos. Entre os itens ofertados estão chapéus de bruxa, capas, máscaras, maquiagens artísticas, acessórios e objetos decorativos relacionados à temática", destaca.
