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ECONOMIA

Taxistas de Belém enfrentam aplicativos e custos altos, mas ainda veem renda na profissão

Ainda vale a pena ser taxista em Belém? Profissionais relatam desafios e ganhos

Fabyo Cruz

17 de setembro de 2026 às 08:00

Silvio Santana trabalha há dez anos na profissão de taxista

Silvio Santana trabalha há dez anos na profissão de taxista ( Foto: Foto: Igor Mota/O Liberal )

A profissão de taxista mudou bastante nos últimos anos. A chegada dos aplicativos de transporte reduziu o movimento em pontos tradicionais e aumentou a concorrência, enquanto gastos com combustível e manutenção continuam entre os principais desafios. Mesmo assim, profissionais ouvidos pela reportagem, em Belém, afirmam que o táxi ainda pode ser uma fonte de renda, principalmente para quem possui veículo próprio.

Raimundo Azevedo trabalha há dez anos como taxista em um ponto localizado próximo a um hospital, no bairro da Pedreira. Ele entrou na profissão após perder o emprego com carteira assinada e encontrar dificuldades para retornar ao mercado de trabalho. “Eu perdi o emprego e, pela idade, não consegui arrumar mais. Aí pintou um táxi que eu comecei a trabalhar nele”, conta.

Segundo Raimundo, a chegada dos aplicativos provocou uma forte queda no movimento. “O primeiro aplicativo que entrou foi o Uber, depois a 99. Aí veio, aí deu uma quebrada. Caiu mesmo”, lembra. Hoje, porém, ele avalia que houve recuperação: “Não vamos dizer que esteja 100% bom, mas pelo menos uns 70%, 80% melhorou um pouco”.

Raimundo Azevedo entrou na profissão após perder o emprego formal e não conseguir retornar ao mercado
Raimundo Azevedo entrou na profissão após perder o emprego formal e não conseguir retornar ao mercado (Foto: Igor Mota/O Liberal)

Para ele, ter o próprio táxi faz diferença na rentabilidade. “É renda para quem tem o seu táxi próprio. Agora, quem paga na diária é complicado. Pode até tirar, mas é um sufoco que ele leva”, afirma. Raimundo trabalha aproximadamente das 9h às 18h e diz que profissionais que permanecem mais tempo nas ruas podem conseguir entre R$ 150 e R$ 170 por dia, dependendo do movimento.

Também há dez anos na profissão, Silvio Santana trabalha das 8h às 18h. Em dias de bom movimento, afirma conseguir entre R$ 150 e R$ 200 por dia. “Dessa forma, vou sustentando minha família”, relata. Os valores, porém, não representam lucro líquido, já que o taxista ainda precisa descontar combustível e manutenção do veículo. Para economizar, Silvio afirma que opta pelo etanol quando a gasolina está cara.

Outro desafio apontado por ele é a concorrência dos aplicativos, mas ele garante que os passageiros têm mais confiança nos motoristas de táxi: “É uma profissão que existe e que as pessoas têm muita confiança no taxista em relação aos motoristas de aplicativo”. No ponto onde trabalha, em frente ao hospital, ele encontra um público fiel: “O maior perfil deles é de idosos, e eles confiam muito e gostam do nosso trabalho”.

Para Silvio Santana, para quem está atrás do volante, o táxi ainda pode pagar as contas, mas já não basta simplesmente ter uma licença e esperar pelo passageiro. É preciso controlar custos, trabalhar com regularidade e, principalmente, conquistar a confiança de quem entra no carro.