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Taxas ainda dificultam aceitação de vale-alimentação em restaurantes

Setor aponta custos das operadoras e prazo de repasse como entraves à adesão, mesmo com novas regras que ampliam a aceitação dos cartões.

Gabriel Pires e Gabi Gutierrez

27 de outubro de 2026 às 07:00

Cartões de vale-alimentação e vale- refeição passarão a ser aceitos em qualquer maquininha a partir de novembro

Cartões de vale-alimentação e vale- refeição passarão a ser aceitos em qualquer maquininha a partir de novembro ( Foto: Carmem Helena / O Liberal )

A ampliação da aceitação dos cartões de vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR) em qualquer maquininha, prevista para novembro, pode facilitar o uso dos benefícios nos restaurantes, mas ainda enfrenta barreiras econômicas para os estabelecimentos. O empreendedor do setor de restaurante Maurício Façanha avalia que as taxas cobradas pelas operadoras dificultam a adesão mais ampla e defende condições que tornem as transações financeiramente vantajosas para o setor.

A mudança faz parte das novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), estabelecidas por decreto publicado em novembro de 2025. Entre as medidas já implementadas estão o limite de 3,6% para a taxa cobrada dos estabelecimentos, o teto de 2% para a tarifa de intercâmbio, a proibição de cobranças adicionais e a redução para até 15 dias corridos do prazo de repasse dos valores das vendas.

Façanha ressalta que, apesar das mudanças nas regras, a aceitação dos benefícios ainda depende de acordos entre as operadoras e os estabelecimentos, além de condições financeiras que tornem as transações vantajosas para os restaurantes.

“A gente tem uma grande barreira: por mais que você seja cadastrado na Abrasel, nem todas as bandeiras têm parceria. E acho que a grande barreira para a gente aceitar, às vezes, é a própria taxa que esse cartão cobra do estabelecimento. O cliente não tem nada a ver com isso, até porque eu também uso cartão. Mas a taxa cobrada do estabelecimento, às vezes, é muito alta, a disparidade é muito grande e, financeiramente, acaba não valendo a pena ter”, relata.

Efeitos

Maurício Façanha acredita que o mercado ainda precisa discutir os efeitos da redução das taxas e da definição de um prazo máximo de 15 dias para o recebimento das vendas. “Porque as empresas de adquirência, os bancos e as ‘maquinetinhas’, como costumam ser chamadas já começam a conversar contigo sobre D0 e D1, ou seja, você vende hoje e recebe amanhã", afirma o empresário. 

“A gente tem, muito próximo, o split payment, que é quando o governo vai destacar o tributo na fonte. Ou seja, hoje, eu ainda tenho 40 dias para pagar esse tributo, mas não vou ter mais isso. Então, o empresário vai perder isso agora, na virada do ano”, comenta.

“E aí, esperar mais 15 dias para receber, mais 30. Acho que é por isso que os bancos têm conversado sobre o D1 e o D0, para manter esse fluxo de caixa, esse giro, esse capital de giro do empresário. Talvez as empresas ainda conversem sobre isso. Por exemplo, se o repasse dos valores fosse mais rápido para os estabelecimentos e as taxas fossem menores, com certeza isso seria muito estimulado no meio dos restaurantes”, observa.

Segundo Maurício Façanha, não é necessária uma adaptação específica para os restaurantes aceitarem os cartões de vale-alimentação e vale-refeição, já que a maioria dos estabelecimentos possui maquininhas que operam com essas bandeiras. “Você não tem antecipação nenhuma. Você só faz o cadastro e precisa verificar se aquele cartão tem associação com a bandeira da maquininha que você usa. Geralmente, o cartão é aceito em todas", comenta.