O setor supermercadista de Belém está com um grande desafio. As lojas devem cumprir as novas regras impostas pela Prefeitura de Belém como medidas para conter o avanço da Covid-19. Entre as novas determinações está o limite de pessoas que devem circular dentro dos estabelecimentos. Além disso, as lojas podem ter apenas 50% da ocupação dos estacionamentos. As medidas valem até o dia 30 de abril.
Os empresários admitem que algumas precauções já vêm sendo tomadas durante a quarentena e que, agora, eles estudam como vão conduzir o cumprimento das novas medidas. O presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), Jorge Portugal garante que as regras serão cumpridas.
“Cada grupo de supermercado está estudando como vão funcionar essas adaptações. Entendemos que a regra para o estacionamento seja a mais complicada. Hoje, os supermercados contam com uma série de serviços dentro deles”, observa.
Segundo Portugal, as medidas como o uso de borrifadores de álcool e a oferta de álcool em gel para a limpeza das mãos dos clientes, assim como a higienização dos carrinhos, já estão sendo tomadas. Os funcionários acima de 60 anos e outros que fazem parte do grupo de risco permanecem afastados.
“Já estamos tomando todas as precauções. Pedimos que as pessoas entrem de máscaras nos supermercados. Aos idosos, recomendamos que mandem alguém fazer suas compras. E caso não seja possível, podem ir durante a manhã ou no meio da tarde, fora do horário de pico”, orienta o presidente da Aspas.
Durante o período de pandemia, o setor já sente queda no faturamento, porém, não prevê quebra de contratos de trabalho. A entidade também afirma que houve uma diminuição do quadro de funcionários, devido às medidas de proteção.
“Não há, ainda, nada que aponte demissões. O quadro reduziu pelo afastamento de pessoas gripadas, com mais de 60 anos e que fazem parte do grupo de risco à doença”, destaca. Sobre a queda nas vendas, ele explica: “A crise chegou para todos. As pessoas estão consumindo menos, pois está tendo cada vez menos dinheiro circulando. Há redes com redução de até 20% do faturamento”, frisa Jorge Portugal.
Empresários
O empresário João Rodrigues, um dos proprietários de uma rede de supermercados e magazine no Pará, esclarece que, até o este final de semana, as novas regras sejam cumpridas 100% nos estabelecimentos.
“Vamos fazer uma reunião com toda a diretoria para ver como vamos adaptar as medidas em nossas lojas. Elas serão cumpridas como determina a lei”, garante Rodrigues. O grupo, atualmente, conta com 15 mil colaboradores. “Não estudamos demitir e nem contratar pessoas, mesmo com a abertura de mais duas lojas 24 horas em Belém”, diz. O faturamento da rede de supermercado não sofreu queda, porém, o do magazine mostra um recuo nos últimos dias.
Segundo Mauro Correa, proprietário de outro grupo de supermercados na capital, a implementação de algumas medidas do decreto municipal estão sendo estudadas.
“Vamos reunir com o operacional para ver a melhor forma de adequação, sobretudo, na fiscalização dos estacionamentos e da quantidade de pessoas nas lojas”, explica.
O empresário lembra também que, o acesso ao estacionamento vale para outras lojas terceirizadas dentro do supermercado. “Temos lavanderias, farmácias, magazine, por isso, o controle será um desafio”, acredita.
Decreto
As medidas foram publicadas em decreto no Diário Oficial do Município na quarta-feira (16). Agora, os supermercados que têm mais de 200 m² deverão limitar o número de pessoas dentro do estabelecimento a 9 m² por cliente. Além disso, apenas 50% da capacidade do estacionamento pode ser ocupada, permitindo a entrada de apenas uma pessoa por veículo.
Deverão ser disponibilizado álcool gel ou borrifador com álcool 70% na entrada do estabelecimento, garantindo a higienização de carrinhos e cestas de compras após a utilização pelos clientes.
Pessoas com mais de 60 anos, aquelas que façam uso de medicamentos imunossupressores, ficam autorizadas a frequentar os supermercados com acompanhante, preferencialmente em horários de menor fluxo de consumidores.
Quanto à limitação do número de pessoas na entrada dos estabelecimentos, ficam excluídos os passageiros de taxi e aplicativos, que poderão entrar acompanhados dos motoristas, além de um acompanhante, caso tenham mais de 60 anos, façam uso de medicamentos imunossupressores, ou sejam comprovadamente do grupo de risco.