SEX · 02 OUT 2026Assine

Lockdown

Setor produtivo teme colapso no Pará com mais dias de atividades suspensas

Comércio e indústria já falam em desemprego em massa, falta de alguns produtos no mercado, falência, inadimplência e retração nos impostos

Roberta Paraense

16 de maio de 2020 às 07:15

( Foto: Sidney Oliveira / Arquivo / Agência Pará )

As medidas de distanciamento social, necessárias para conter o avanço da pandemia da covid-19, são um remédio amargo para vários setores da economia, sobretudo, os que precisaram fechar as portas. No Pará, a classe empresarial prevê que se, em dez dias as atividades não ganharem fôlego, uma catástrofe pode pairar sobre o Estado: desemprego em massa, falta de alguns produtos no mercado, falência de empresas, inadimplência e retração nos impostos. Mesmo temendo as possibilidades, parte do setor produtivo acredita que para apertar no acelerador é preciso de cautela.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixa claro que é contrário às decisões dos governadores e prefeitos na aplicação de lockdown – bloqueio total das atividades não essenciais. Em uma conversa essa semana com empresários, em São Paulo, ele voltou a tocar no assunto e pediu que a classe usasse de seu poder para pressionar os executivos locais para reabertura das atividades. Bolsonaro afirmou: se “dependesse dele, estava tudo aberto”.

O Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindilojas) já entrou com pleito pedindo à Prefeitura de Belém e ao governo do Estado que as cerca de 9 mil empresas, que a entidade representa, voltem a abrir as portas.

“Mais uma semana fechadas, não vamos aguentar. As empresas estão sem faturamento, a maior parte delas é de pequenos empresários, de comerciantes de bairro, que precisam da renda do dia para comer, pagar as dívidas, as pessoas que trabalham com eles”, explica o presidente do Sindlojas, Joy Colares.

O representante dos lojistas garante que as medidas de distanciamento social não surtiram o efeito esperado e, por isso, é fundamental que o comércio varejista volte às atividades.

“Tudo começou em 19 de março, aos poucos, as lojas fecharam, diminuíram o horário de funcionamento, reabriram, voltaram a fechar. Mas, os índices da doença continuam aumentando e o índice do isolamento não mudou quase nada, após o fechamento das lojas. Precisamos rever isso”, acredita.

Joy Colares diz ainda que a classe empresarial já mantém conversas com os gestores. “Podemos dizer que a pressão tem sido grande sim. Passamos o Dia das Mães fechados, a terceira dada mais importante na venda do varejo e se no Dia dos Namorados continuar assim, vai ser o pior cenário possível”, prevê.

O presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), José Conrado dos Santos, já é mais otimista quanto ao prazo de reabertura. “Mais 10 dias as empresas fechadas, vamos passar por sérios problemas na indústria e no setor produtivo em geral. Algumas industrias estão funcionando, porém, vão faltar insumos para elas continuarem como: alimentos, papelarias, combustíveis, uma série de produtos e matéria prima”, observa.

Conrado também diz que o cenário vai ser de profunda retração: “Vamos ver um índice altíssimo de desemprego, baixa arrecadação de impostos, inadimplência subir a patamares altos e as empresas decretarem falência. Nem todos têm fluxo de caixa, nem todos têm poupanças. As economias estão acabando”, destaca o presidente da Fiepa.

Apesar de José Conrado prevê dias catastróficos para a economia estadual, ele acredita que “precisamos ir com calma". "Nada vai voltar rapidamente, tudo tem de ser devagar. Estamos dialogando com o governo do Estado e a Prefeitura, entendemos que nossos hospitais não estavam preparados. Não são apenas números, são pessoas que a gente conhece que foram afetadas pela doença”, ressalta Conrado que diz que os setores de movelaria e confecção são, sem dúvida, os mais afetados com a crise.

Resumo

O presidente da República, Jair Bolsonaro, defende o isolamento vertical. Ele acusa os governadores de “descumprimento” do decreto dele de reabertura de algumas atividades. No entanto, conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), cada gestor tem autonomia para impor leis para conter o avanço da pandemia em seus Estados.