'Queridinho' de volta: segunda safra do jambo movimenta feiras de Belém
Colheita de meio de ano movimenta barracas e atrai consumidores apaixonados pelo fruto
O jambo desperta a memória afetiva de quem vive no Pará e já colore as ruas da capital com tons de roxo intenso. O início da segunda safra do ano movimenta a economia nas feiras de Belém, como a da 25, na avenida Romulo Maiorana. Vendedores relatam que o produto ainda varia de tamanho, mas a procura já começa a se intensificar no mercado local. O período de maior abundância ocorre entre janeiro e maio, enquanto a atual janela representa uma produção menor, porém muito aguardada.
"É época dela, né pai? Depois da manga, a melhor fruta que tem é jambo. É a fruta do paraense", comemora o motorista Felipe Ferreira, 25.
O consumidor encostou o carro rapidamente na Feira da 25 apenas para garantir cinco unidades.
Preços nas feiras
Neste primeiro momento, o vegetal ainda está em fase de desenvolvimento, mas a conexão emocional com o alimento impulsiona as vendas diárias. A unidade custa em média R$ 2, existindo promoções que entregam de sete a oito itens por R$ 10. A estratégia dos trabalhadores é fidelizar o cliente mantendo o valor enquanto a mercadoria atinge o ápice de tamanho nas próximas semanas.
"A tendência é ele ficar mais bonito. O preço vai permanecer em R$ 2 [a unidade], mas o tamanho do fruto aumenta", explica Josué Messias Silva, 45.
Com 35 anos de experiência no comércio de rua, ele relata que o abastecimento da metrópole é garantido por comunidades ribeirinhas e municípios vizinhos, como Barcarena, Tomé-Açu e Benevides.
O trabalhador ressalta que o cuidado com a apresentação visual é fundamental para cativar a clientela. "Fora a nossa manga, o jambo é o 'queridinho'. O pessoal passa no carro, vê e já quer levar. A estética é o que chama mais atenção. A gente tenta conservar isso pro cliente, pela beleza", afirma Josué.
Clima quente e sabor adocicado
A espécie originária do Sudeste Asiático abraçou o clima quente e úmido da região Norte para se consolidar como um símbolo da cultura alimentar local. Essa janela produtiva de julho e agosto complementa a grande colheita principal que ocorre no primeiro semestre, entre janeiro e maio. Nos tabuleiros, a clientela busca sempre as frutas mais escuras, um atestado natural de doçura para o consumo puro, com uma pitada de sal ou no preparo de sucos e geleias.
"O pessoal já tá procurando. Depois dessa safra, só ano que vem", conta o vendedor Paulo Roberto Gomes, 34.
Segundo ele, o frescor nas barracas é mantido com reposição constante, graças ao fornecimento oriundo principalmente da Ilha do Combu.
Fluindo com mais força de terça-feira a sábado, as vendas devem se intensificar a partir da próxima semana. "Ainda tem gente de férias, não tá aquele movimento todo. Em agosto, deve melhorar", conclui o comerciante.
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