O preço médio do litro do açaí comercializado em Belém caiu pelo quinto mês consecutivo em setembro, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), mas os feirantes já relatam aumento no custo do fruto e demonstram preocupação com os próximos meses. Na Feira da 25, em Belém, vendedores ouvidos nesta sexta-feira (16) afirmam que o preço da matéria-prima voltou a subir, movimento que pode pressionar os valores pagos pelos consumidores com a aproximação da entressafra.
Há cinco anos no ramo, Lays Sampaio, de 38 anos, dona de um box na Feira da 25, afirma que o preço da lata de açaí, utilizada como referência pelos vendedores na compra do fruto, voltou a subir. Ela diz que, o produto, que custava entre R$ 50 e R$ 60, agora é encontrado por valores que variam de R$ 60 a R$ 75. “Já estamos caminhando para a entressafra, depois do Círio”, relata.

Apesar da elevação no custo da matéria-prima, Lays afirma que a procura pelo açaí está boa neste período. A feirante conta que os consumidores aproveitam a época em que o produto está mais saboroso para aumentar o consumo, principalmente porque, durante o inverno, os preços elevados dificultam a compra frequente.
No box da comerciante, os valores variam conforme o tipo de produto. O açaí popular custa entre R$ 18 e R$ 20, enquanto o médio é vendido entre R$ 26 e R$ 30. A preocupação, porém, está nos próximos meses. Lays acredita que o encarecimento do fruto pode provocar uma diminuição nas vendas, especialmente entre os consumidores assalariados, que nem sempre conseguem manter o açaí na alimentação diária.
“A gente já sabe que, nos próximos meses, vai pagar mais caro no produto e, com isso, é uma certeza que as vendas também tendem a diminuir. Porque o assalariado não consegue comprar todo dia o litro de açaí e chega até R$ 40”, afirma.
Lays explica que, atualmente, trabalha com açaí proveniente das ilhas próximas a Belém e que, à medida que a safra nessas localidades termina, o abastecimento passa a depender de outras regiões, como a do Marajó.
Com 70 anos, Leoclides Andrade, conhecido como Léo do Açaí da 25, trabalha há 26 anos no comércio do produto. Ele conta que os aumentos no preço do caroço já são percebidos entre os fornecedores, mas explica que repassar imediatamente os reajustes ao consumidor é um desafio.

O comerciante diz que o preço da lata pode chegar a R$ 80, R$ 90 ou até R$ 100, dependendo da disponibilidade do fruto no mercado. Ele cita o Ver-o-Peso como exemplo da influência da oferta sobre os valores praticados. “Quando você tem muito caroço, o preço cai. Aí é uma concorrência muito grande. Quando tem pouco caroço, o preço vai lá para cima”, explica.
Léo afirma que procura manter os preços de venda por períodos prolongados, mesmo diante da elevação dos custos, para evitar que os clientes deixem de comprar. “Na medida em que aumenta lá, se a gente for aumentar aqui, o cliente não vai querer, porque já reclama do preço”, relata. No estabelecimento, o comerciante trabalha principalmente com os tipos médio e papa. O litro do açaí médio custa R$ 26, enquanto o açaí branco é vendido a R$ 28.
Queda em setembro
De acordo com dados do Dieese/PA, o litro do açaí do tipo médio foi comercializado, em setembro, por uma média de R$ 26,45, contra R$ 27,10 em agosto. A queda foi de 2,40% em relação ao mês anterior. No acumulado de 2026, a redução chega a 8,22%, enquanto, na comparação com setembro de 2025, o recuo é de 3,92%. Já o açaí do tipo grosso passou de R$ 43,11 em agosto para R$ 42,50 em setembro, uma diminuição de 1,41%. Apesar da queda mensal, o produto acumula alta de 1,31% neste ano e de 9,76% nos últimos 12 meses.
O levantamento do Dieese/PA aponta que a redução dos preços em setembro está relacionada à melhora gradual da oferta do fruto durante a safra regional. Entretanto, as altas acumuladas refletem os efeitos da entressafra dos meses anteriores, além do aumento dos custos de produção, transporte e comercialização e do crescimento da demanda nos mercados interno e externo.

Na avaliação do órgão, o açaí grosso continua significativamente mais caro do que no mesmo período do ano passado. A alta acumulada de 9,76% em 12 meses supera a inflação de 4,58% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mesmo período.
O Dieese/PA também identificou diferenças expressivas entre os estabelecimentos pesquisados na última semana de setembro. O litro do açaí médio foi encontrado nas feiras livres por valores entre R$ 16 e R$ 30, enquanto nos supermercados os preços variaram de R$ 23,99 a R$ 36. Para o tipo grosso, os valores ficaram entre R$ 30 e R$ 50 nas feiras e entre R$ 31,99 e R$ 58 nos supermercados.

