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TÁ MAIS BARATO POR AÍ?

Pescado fica até 10% mais barato em setembro em Belém, aponta Dieese

Serra teve a maior queda no mês; tucunaré registrou alta de 17,82%. Mesmo com recuos recentes, 19 das 23 espécies ainda estão mais caras que há um ano

Gabi Gutierrez

2 de outubro de 2026 às 10:24

( Foto: Igor Mota / O Liberal )

Os preços do pescado comercializado nos principais mercados municipais de Belém ficaram mais baixos para a maioria das espécies pesquisadas em setembro. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Belém (SEDCON), aponta que 14 das 23 espécies analisadas tiveram redução de preço em relação a agosto.

A queda ocorre pelo quarto mês consecutivo e atingiu cerca de 61% das espécies pesquisadas. Entre elas, a Serra apresentou o maior recuo, de 10%, seguida pelo Filhote (-8,02%), Sarda (-7,15%) e Dourada (-6,37%).

Apesar do movimento recente de baixa, o cenário muda quando a comparação é feita com setembro do ano passado. Em 12 meses, 19 das 23 espécies apresentaram aumento de preço. As maiores altas foram registradas pela Corvina, que ficou 27,90% mais cara, pela Traíra (24,93%), Piramutaba (23,28%), Gurijuba (22,16%) e Cação (19,90%).

Serra cai 10% e Filhote recua 8,02%

Entre agosto e setembro, a Serra foi a espécie que mais caiu, passando de R$ 22 para R$ 19,80 o quilo, uma redução de 10%. O Filhote passou de R$ 34,43 para R$ 31,67, queda de 8,02%.

A Sarda também apresentou redução expressiva, de 7,15%, com o preço médio passando de R$ 19,29 para R$ 17,91. Já a Dourada caiu 6,37%, de R$ 24,16 para R$ 22,62.

Também ficaram mais baratos no período:

  • Bagre: R$ 14,17 → R$ 13,50 (-4,73%);
  • Xaréu: R$ 13,95 → R$ 13,35 (-4,30%);
  • Gurijuba: R$ 30,42 → R$ 29,16 (-4,14%);
  • Pescada Gó: R$ 16,28 → R$ 15,68 (-3,69%);
  • Curimatã: R$ 22,50 → R$ 21,77 (-3,24%);
  • Arraia: R$ 12,36 → R$ 12 (-2,91%);
  • Tambaqui: R$ 19,02 → R$ 18,54 (-2,52%);
  • Aracu: R$ 19,68 → R$ 19,25 (-2,18%);
  • Traíra: R$ 17 → R$ 16,84 (-0,94%);
  • Piramutaba: R$ 16,29 → R$ 16,15 (-0,86%).

Tucunaré tem maior alta no mês

Na direção contrária, nove espécies tiveram aumento de preço em setembro. O maior avanço foi do Tucunaré, de 17,82%, cujo preço médio passou de R$ 26,88 para R$ 31,67.

O Cação teve alta de 12,77%, passando de R$ 18,33 para R$ 20,67. Em seguida aparecem Tamuatã, com aumento de 7,18% (de R$ 21,16 para R$ 22,68), e Tainha, que subiu 6,72% (de R$ 21,42 para R$ 22,86).

Também ficaram mais caros a Pratiqueira (5,58%), Mapará (3,67%), Pescada branca (2,21%), Pescada amarela (1,91%) e Corvina (1,47%).

Preços acumulados em 2026

De janeiro a setembro, 12 das 23 espécies pesquisadas acumulam queda em relação a dezembro de 2025. A maior redução é da Dourada, com -15,22%, seguida por Sarda (-14,88%), Tainha (-11,74%), Arraia (-9,64%) e Tambaqui (-8,40%).

A Dourada, por exemplo, passou de um preço médio de R$ 26,68 em dezembro para R$ 22,62 em setembro. A Sarda caiu de R$ 21,04 para R$ 17,91 no mesmo período.

Outras reduções acumuladas no ano foram registradas pelo Bagre (-6,90%), Piramutaba (-6,81%), Pratiqueira (-6,15%), Filhote (-6,02%), Pescada Gó (-4,51%), Pescada amarela (-1,62%) e Pescada branca (-0,86%).

Entre as espécies que acumulam alta em 2026, o maior avanço é do Xaréu, de 14,99%, seguido por Curimatã (11,01%), Traíra (9%), Aracu (8,94%) e Tucunaré (7,47%).

Mesmo com queda recente, pescado ainda está mais caro que há um ano

Na comparação de setembro de 2025 com setembro de 2026, apenas quatro das 23 espécies apresentaram redução. A maior queda foi da Arraia, de 9,23%, seguida pelo Bagre (-2,81%), Tambaqui (-1,01%) e Aracu (-0,31%).

Para as demais espécies, os preços estão mais altos que há um ano. A Corvina lidera a alta, de 27,90%, passando de R$ 17,85 para R$ 22,83.

A Traíra subiu 24,93%, de R$ 13,48 para R$ 16,84. A Piramutaba aumentou 23,28%, de R$ 13,10 para R$ 16,15, enquanto a Gurijuba ficou 22,16% mais cara, passando de R$ 23,87 para R$ 29,16.

Também tiveram altas relevantes no período o Cação (19,90%), Tainha (19,69%), Serra (17,58%), Tamuatã (15,77%), Pratiqueira (15,30%) e Curimatã (14,58%).

Confira os preços médios em setembro

Entre as 23 espécies pesquisadas, os maiores preços médios em setembro foram os do Filhote e Tucunaré, ambos a R$ 31,67 o quilo, seguidos pela Pescada amarela, a R$ 31,52, e pela Gurijuba, a R$ 29,16.

Na outra ponta, a Arraia apresentou o menor preço médio, de R$ 12, seguida pelo Xaréu (R$ 13,35), Bagre (R$ 13,50), Pescada Gó (R$ 15,68) e Piramutaba (R$ 16,15).

Preços médios do pescado em Belém em setembro

  • Filhote: R$ 31,67/kg
  • Tucunaré: R$ 31,67/kg
  • Pescada amarela: R$ 31,52/kg
  • Gurijuba: R$ 29,16/kg
  • Tainha: R$ 22,86/kg
  • Corvina: R$ 22,83/kg
  • Tamuatã: R$ 22,68/kg
  • Dourada: R$ 22,62/kg
  • Curimatã: R$ 21,77/kg
  • Cação: R$ 20,67/kg
  • Serra: R$ 19,80/kg
  • Mapará: R$ 19,49/kg
  • Aracu: R$ 19,25/kg
  • Pratiqueira: R$ 18,92/kg
  • Tambaqui: R$ 18,54/kg
  • Pescada branca: R$ 18,50/kg
  • Sarda: R$ 17,91/kg
  • Traíra: R$ 16,84/kg
  • Piramutaba: R$ 16,15/kg
  • Pescada Gó: R$ 15,68/kg
  • Bagre: R$ 13,50/kg
  • Xaréu: R$ 13,35/kg
  • Arraia: R$ 12,00/kg 

O Dieese/PA avalia que a sequência de quatro meses com predomínio de quedas representa um alívio para o orçamento das famílias de Belém. O levantamento, porém, ressalta que os dados de preços não permitem determinar isoladamente se as reduções são resultado de maior oferta ou de mudanças na demanda. O comportamento também pode variar conforme a espécie, a sazonalidade da captura e os custos de combustível, gelo, conservação e transporte.

Para os próximos meses, o órgão aponta que a manutenção de um abastecimento regular pode contribuir para preços menores em algumas espécies. Por outro lado, o movimento de consumidores durante o Círio, a circulação do 13º salário e as compras de fim de ano podem elevar a demanda. O início de períodos de defeso de determinadas espécies também pode restringir a oferta.