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MERCADO

Ouro valorizado impulsiona negociações, mas exige atenção à origem e à avaliação das peças

Com a alta do metal precioso, especialistas orientam consumidores sobre cuidados para evitar golpes e vender joias com segurança

Fabyo Cruz

14 de julho de 2026 às 06:30

Para identificar a composição do material, as lojas utilizam testes específicos com reagentes químicos e equipamentos de medição

Para identificar a composição do material, as lojas utilizam testes específicos com reagentes químicos e equipamentos de medição ( Foto: Foto: Fabyo Cruz/Especial para O Liberal )

As tradicionais placas de “Compra-se Ouro”, que durante décadas marcaram presença em áreas comerciais da Região Metropolitana de Belém (RMB) e de outros municípios paraenses, continuam fazendo parte da paisagem urbana, embora atualmente dividem espaço com anúncios nas redes sociais e mecanismos de busca na internet. Em um estado historicamente ligado ao garimpo, o mercado de compra e venda de ouro segue aquecido, impulsionado pela valorização do metal, porém também cercado por regras para garantir a legalidade das negociações e por cuidados necessários para evitar prejuízos.

Profissionais do setor afirmam que o perfil dos clientes é bastante diversificado e vai desde pessoas que desejam vender joias herdadas ou que não utilizam mais, até quem busca recursos para investir em um negócio, viajar ou quitar dívidas. Em comum, todos precisam estar atentos à avaliação correta das peças e à reputação da empresa escolhida.

A valorização do ouro nos últimos anos também transformou a forma como o metal é visto pelos consumidores. Antes associado principalmente ao uso em joias, ele passou a ser encarado por muitas pessoas como uma alternativa de investimento de longo prazo.

Felipe Mescouto, avaliador de joias em Belém, explica que o comércio de ouro no varejo trabalha principalmente com peças de diferentes teores, sendo o ouro 18 quilates o padrão mais valorizado. Ele alerta que o consumidor deve ter atenção porque nem toda peça comercializada como ouro possui a composição anunciada.

“O ouro 18 quilates tem 75% de ouro puro e 25% de outras ligas. Muitas vezes a pessoa compra acreditando que é ouro 18, mas, quando faz a avaliação, descobre que se trata de uma liga inferior ou até mesmo de uma peça apenas banhada a ouro”, afirma.

Para identificar a composição do material, as lojas utilizam testes específicos com reagentes químicos e equipamentos de medição.

Perfis variados

Ao contrário do que muitos imaginam, não existe um perfil único de quem procura esse mercado. De acordo com Mescouto, chegam às lojas desde jovens até idosos. Muitos levam alianças, brincos ou correntes que ficaram guardados durante anos ou que perderam parte do conjunto original.

“A maioria vende porque quer investir em outra coisa, abrir um negócio, fazer uma viagem ou simplesmente porque a peça está parada há muito tempo. Também há quem venda joias herdadas da família”, relata.

Felipe Mescouto, avaliador de joias em Belém, explica que o comércio de ouro no varejo trabalha principalmente com peças de diferentes teores, sendo o ouro 18 quilates o padrão mais valorizado (Foto: Fabyo Cruz/Especial para O Liberal)

O empresário Johnnathan Pereira, que atua há 15 anos no segmento e dá continuidade a um negócio familiar iniciado há três décadas, confirma que a necessidade financeira ainda é a principal motivação.

“Temos herdeiros, pessoas divorciadas, quem precisa pagar dívidas financeiras e até pessoas que encontraram ouro sem intenção de ficar com ele. Os perfis são variados”, explica.

Origem do ouro

Em um estado cercado por áreas de garimpo, a procedência do ouro é um dos principais desafios do setor. Segundo Felipe Mescouto, as lojas adotam critérios rigorosos para negociar ouro bruto ou barras: “Quando se trata de ouro de garimpo, só trabalhamos mediante documentação. Se não houver documentação, não compramos”.

Johnnathan Pereira ressalta que o controle nem sempre é simples porque muitas peças são antigas e passaram por sucessivas gerações da mesma família. “Muita gente possui ouro herdado ou encontrou peças antigas e já não tem mais a documentação. Por isso, esse controle acaba sendo um desafio”, diz o empresário.

Como evitar golpes

Os dois entrevistados são unânimes ao recomendar que o consumidor pesquise antes de vender qualquer peça. Felipe Mescouto afirma que já atendeu clientes que receberam propostas muito abaixo do valor real do material: “Já conversei com uma cliente que perdeu cerca de R$ 20 mil porque aceitou uma avaliação muito inferior ao valor da peça. Sempre oriento que a pessoa procure uma avaliação de confiança antes de vender”.

Ele recomenda que o comprador teste o ouro logo após a aquisição, especialmente quando se trata de joias novas. Johnnathan Pereira também orienta que o consumidor priorize empresas conhecidas: “O primeiro cuidado é pesquisar antecipadamente, conversar com pessoas que já negociaram no local, procurar lojas físicas e verificar há quanto tempo a empresa existe”.

Metal cada vez mais valorizado

A forte valorização do ouro nos últimos anos é um dos fatores que explicam o aumento do interesse pelo mercado. Johnnathan Pereira diz que, quando iniciou na atividade, a grama do ouro era negociada em torno de R$ 70. Atualmente, chega a aproximadamente R$ 420, dependendo da cotação e do teor do material. “O ouro sempre foi um material valorizado. Para quem pensa em investimento, ele pode ser uma boa alternativa no longo prazo, embora o retorno não seja imediato”, disse..

Felipe Mescouto lembra que eventos internacionais, como crises econômicas, pandemias e conflitos geopolíticos, costumam influenciar diretamente o preço do metal. Ele acredita que, nos próximos anos, o ouro deverá ser cada vez mais visto como investimento do que como item de uso pessoal: “À medida que o ouro fica mais caro, as joias também ficam mais caras. Acho que muitas pessoas vão preferir comprar ouro para guardar e revender no futuro, em vez de adquirir peças apenas para usar”.