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Ministro da Pesca recebe propostas da Fiepa para modernizar setor no Pará

Regularização da atividade está entre as prioridades apresentadas pelo setor, que também discutiu impactos das mudanças climáticas

Fabyo Cruz
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A regularização da atividade pesqueira está entre as principais demandas apresentadas ao ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, durante reunião nesta quarta-feira (23), na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). Representantes do setor também cobraram medidas para reconstrução e modernização da cadeia produtiva.

O encontro reuniu lideranças e representantes da indústria pesqueira paraense e resultou na entrega de um memorial técnico-institucional ao ministro. O documento reúne os principais gargalos identificados pelo setor e propostas consideradas prioritárias para ampliar a capacidade produtiva e melhorar as condições de desenvolvimento da pesca e da aquicultura no estado.

Para o presidente da Fiepa, Alex Carvalho, a reunião representa uma oportunidade de aproximar o setor produtivo e o poder público na busca por soluções para problemas históricos da atividade: “Temos uma vocação natural para a pesca e uma atividade que faz parte da história e da economia do nosso Estado. Ao mesmo tempo, sabemos que o setor enfrenta desafios históricos e perdas recorrentes que precisam ser enfrentados com planejamento, organização e políticas capazes de fortalecer toda a cadeia produtiva”.

Carvalho também destacou que a Fiepa e o Sindicato das Indústrias de Pesca do Pará (Sinpesca) pretendem contribuir com o Ministério da Pesca na construção de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável da atividade no Pará e na Região Norte.

Regularização

O presidente do Sinpesca, Apoliano Nascimento, apontou a regularização como uma das questões mais sensíveis para o setor. Ele disse que a expectativa é de que as demandas apresentadas sejam consideradas pelo governo na elaboração de novas medidas. “Como sindicato, a expectativa é muito boa, até pela sensibilidade do ministro em acolher as nossas demandas. Ele é engenheiro de pesca e realmente conhece aquilo que a gente entregou para ele. Eu acredito que a expectativa é boa e nós vamos ter resultado disso”, declarou.

Durante o encontro, Edipo Araujo defendeu uma maior aproximação entre o Governo Federal e os representantes da cadeia produtiva paraense. Para o ministro, as políticas públicas precisam considerar as características e necessidades específicas da região: “Foi um importante momento para que a gente pudesse falar de construção de pontes, de construção de políticas públicas efetivas, do setor pesqueiro e aquícola paraense, que merece o protagonismo”.

Mais de 435 mil pescadores

Segundo dados apresentados pelo ministro durante a reunião, o Pará possui mais de 435 mil pescadores registrados, além de aproximadamente 1.300 aquicultores e 2.300 embarcações. Para Araujo, o tamanho do setor demonstra a importância econômica e social da atividade e reforça a necessidade de uma atuação articulada para enfrentar os problemas existentes na cadeia produtiva. “Esse setor merece ter o protagonismo, o Pará merece ter”, declarou.

Na avaliação do ministro, a organização das demandas apresentadas pelo setor produtivo e a elaboração de um documento técnico ajudam o governo a identificar de maneira mais precisa os principais problemas e podem servir de base para a construção de um plano estratégico para a pesca e a aquicultura no estado.

Mudanças climáticas

Os possíveis impactos das mudanças climáticas sobre a pesca na Amazônia também foram discutidos durante a reunião. O ministro chamou atenção para a possibilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade moderada a forte em 2026 e para os efeitos que o fenômeno pode provocar sobre o regime de chuvas e os níveis dos rios.

A redução do nível dos rios pode afetar diretamente a mobilidade dos pescadores e a atividade econômica, especialmente em comunidades que utilizam os rios como principal meio de deslocamento. De acordo com a estimativa apresentada por Araujo, pelo menos 222 mil dos 435 mil pescadores registrados no Pará podem ser afetados pelas consequências das mudanças climáticas sobre a atividade.

O ministro afirmou que o cenário exige ações coordenadas entre diferentes áreas do Governo Federal. Segundo ele, está sendo discutido um plano de enfrentamento com investimentos de R$ 1,3 bilhão, envolvendo setores como infraestrutura, agricultura, agricultura familiar e transportes, além de medidas específicas para pesca e aquicultura.

Entre as possibilidades avaliadas está a criação de um auxílio extraordinário para pescadores, semelhante ao adotado durante as secas registradas na Amazônia em 2023 e 2024. Outra alternativa em discussão é a antecipação do seguro-defeso.

“Estamos trabalhando na perspectiva de construir um auxílio extraordinário, nos moldes do que foi feito nos anos de 2023 e 2024, quando tivemos secas extremas aqui na região amazônica. Ou, até mesmo, fala-se muito em pedir uma antecipação do seguro-defeso”, explicou.

Plano estratégico

A reunião na Fiepa também reforçou a intenção de transformar as demandas apresentadas pelo setor em uma agenda de ações envolvendo entidades representativas, indústria e poder público.

Para Araujo, o documento entregue durante o encontro permite reunir as diferentes demandas em torno de um planejamento para o segmento.

“Foi uma ótima oportunidade para que a gente pudesse unir forças e construir um plano estratégico pujante para a pesca e aquicultura paraense, mas com participação, diálogo e construção coletiva”, afirmou o ministro.

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