O Lib Talks da noite desta quinta-feira (1º) discutiu um tema importante para a vida dos amazônidas: como conciliar a indústria, o desenvolvimento e a preservação para gerar renda e melhorar a qualidade de vida da população local. O evento foi transmitido ao vivo, direto da sede do Grupo Liberal, no bairro do Marco, pelo canal oficial de O Liberal no YouTube, pelo portal OLiberal.com e pelas redes sociais do grupo. O painel teve a mediação de Ney Messias, diretor de projetos do grupo O Liberal. Foram abordados temas como o clima, resíduos, cultura e indústria com os três convidados: Ana Cláudia Moraes, gerente executiva de cultura do Sesi Pará; Reginaldo Bezerra, diretor regional da Guamá Tratamento de Resíduos; e Deryck Martins, coordenador de projetos estratégicos de sustentabilidade e mudança do clima da Fiepa (Federação das Indústrias do Pará). Ney Messias abriu a roda de conversa apontando uma condição histórica estadual: o fato de o Pará ser um estado rico - um dos grandes motores da balança comercial brasileira, no entanto ter renda per capita bem menor do que a média nacional. Ele apontou dados da Pnad/IBGE que indicam que o rendimento domiciliar per capita no Pará, em 2025, foi de R\$ 1.420, enquanto a média nacional do Brasil ficou em R\$ 2.316. A partir desse enfoque, a conversa girou sobre temas transversais. Deryck Martins destacou que já se superou a dicotomia de que não é possível produzir e preservar. “A gente tem uma diversidade muito grande e pessoas vivas nesse território, e a gente, hoje, sabe e consegue afirmar que é possível, sim, produzir mantendo a floresta em pé, respeitando os limites do ecossistema”. "A gente sabe que a industrialização, o beneficiamento, a transformação, são fundamentais para gerar riqueza no local”, afirmou o coordenador de projetos estratégicos de sustentabilidade e mudança do clima da Fiepa. Ele destacou o tema bastante atual da bioeconomia. “A bioeconomia sem industrialização, vai repetir o erro do passado, de sermos produtores de matéria-prima, de extrativismo, e aí vamos produzir e mandar para outro lugar para deixar riqueza lá. Então a industrialização é fundamental para que a gente consiga gerar emprego, ocupe o território de forma ordenada, sustentável, e consiga produzir respeitando o que é fundamental, os limites do ecossistema”. Cultura é um ativo no desenvolvimento territorial, diz representante do Sesi Pará Ana Cláudia Moraes, gerente executiva de cultura do Sesi Pará, enfatizou o papel da cultura no desenvolvimento dos territórios. Ela observou que a forma de se ver a cultura muda na atualidade. “Muito ainda se fala que ela é uma ferramenta para o desenvolvimento territorial. A cultura não é uma ferramenta mais. Ela é o próprio desenvolvimento de um território vivo”. "Então, quando a gente coloca a floresta, a cultura, as pessoas e traz um olhar de que esses três elementos não são uma dificuldade para o desenvolvimento, e sim são a base do desenvolvimento”, disse Ana Cláudia,que também destacou a importância de se pensar a cultura não somente enquanto se fala das artes, mas com o viés da economia criativa. A representante do Sesi aproveitou para retomar a fala de Deryck Martins, ressaltando que a cultura perpassa em todas as áreas, incluindo a bioeconomia e a economia criativa. “Na economia criativa é onde tem o segmento da moda, da tecnologia e isso é desenvolvimento para o nosso território”, afirmou, enfatizando que a indústria criativa também contribui com mais 3% para o PIB nacional. “Você tendo esse olhar, você começa a valorizar isso”, afirmou. Confira o programa na íntegra: [youtube=LecO9f6FjrI]