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INFLAÇÃO

IPCA registra deflação de 0,32% em agosto; alimentação cai 0,65% em Belém

Na capital paraense, carnes subiram 2,86% no mês, enquanto batata, cebola, cenoura e açaí tiveram quedas superiores a 10%

Gabriel da Mota

11 de setembro de 2026 às 11:26

Carne bovina no supermercado

Carne bovina no supermercado ( Foto: Arquivo O Liberal )

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou deflação de 0,32% em agosto de 2026. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Belém, o grupo Alimentação e bebidas teve queda de 0,65% no mês, recuo mais intenso que o registrado na média nacional, de 0,34%.

Alimentos recuam em Belém, mas carnes sobem

Na capital paraense, a Alimentação no domicílio, que reúne os produtos comprados para consumo em casa, recuou 0,92% em agosto, enquanto no Brasil a queda foi de 0,61%. O resultado foi influenciado principalmente pela redução nos preços de hortifrutigranjeiros e do açaí.

Apesar da queda geral dos alimentos, as carnes foram na direção contrária e subiram 2,86% em Belém no mês, quase cinco vezes a alta de 0,61% registrada no país. Entre os maiores aumentos estiveram o melão, com alta de 6,65%, a capa de filé (5,47%), o acém (4,73%), o contrafilé (4,72%), a alcatra (4,59%) e a pá de carne bovina (4,01%).

A uva também ficou mais cara, com alta de 3,23% em Belém, enquanto teve queda de 2,21% na média brasileira. O arroz subiu 1,69% na capital paraense, ante 1,34% no país.

Na outra ponta, a batata-inglesa teve queda de 19,10% em Belém em agosto. Também recuaram a cebola (-13,52%), a cenoura (-13,28%), o tomate (-11,19%) e o açaí em emulsão (-10,95%).

Entre os demais produtos, o peixe filhote caiu 8,32%, o cheiro-verde recuou 5,19% e o feijão-carioca teve baixa de 4,15%.

Tubérculos e açaí puxam queda

O comportamento dos alimentos em agosto foi marcado principalmente pela queda dos produtos de origem vegetal. O grupo de tubérculos, raízes e legumes recuou 13,74% em Belém, contra 12,37% no Brasil.

Bebidas e infusões tiveram queda de 4,53% na capital paraense, enquanto o recuo nacional foi de 0,52%. O resultado é influenciado pelo peso do açaí na cesta de consumo local e pela queda de 10,95% no preço do produto em agosto.

Também houve redução de 3,37% em hortaliças e verduras, de 2,97% em pescados e de 2,14% em aves e ovos. No Brasil, esses segmentos registraram quedas menores: 1,61%, 0,23% e 1,55%, respectivamente.

Produtos que acumulam altas no ano

Apesar da queda observada em agosto, o acumulado de janeiro a agosto mostra aumentos expressivos em diversos alimentos consumidos pelos moradores de Belém.

A cenoura acumula alta de 65,75% no ano, seguida pelo feijão-carioca, que subiu 58,17%. A cebola teve aumento de 37,69%, enquanto o feijão-preto avançou 32,60% e a batata-inglesa, 26,13%.

Também registraram altas no ano o brócolis (17,82%), a capa de filé (16%), a carne-seca e de sol (14,74%), o melão (14,31%), o tomate (13,44%), o contrafilé (13,16%), a melancia (12,16%), a alcatra (12,10%), o acém (11,67%), o peito de carne bovina (11,42%) e o cheiro-verde (11,23%).

Nos subgrupos, tubérculos, raízes e legumes acumulam alta de 27,95% em Belém no ano, acima dos 23,23% registrados no Brasil. Cereais, leguminosas e oleaginosas subiram 17,58% na capital, mais que o dobro da alta nacional, de 8,01%.

Carnes sobem mais que a média nacional

As carnes também apresentam uma pressão maior sobre os preços em Belém. No acumulado do ano, o segmento subiu 10,53% na capital paraense, contra 6,22% na média brasileira.

A diferença aumenta quando considerado o período de 12 meses. As carnes acumulam alta de 15,62% em Belém, enquanto o aumento nacional foi de 9,01%.

Entre os cortes que mais encareceram nos últimos 12 meses estão a capa de filé, com alta de 27,86%, o contrafilé (19%), o filé-mignon (18,31%), a alcatra (17,06%), a costela (16,05%), a pá de carne bovina (15,73%) e o acém (15,12%).

Feijão, cenoura e cebola lideram altas em 12 meses

No acumulado dos últimos 12 meses até agosto, o feijão-carioca teve a maior alta entre os alimentos pesquisados em Belém, de 62,13%. A cenoura aparece em seguida, com aumento de 59,58%, enquanto a cebola subiu 47,82%.

A batata-inglesa acumulou alta de 37,03% no período. Também tiveram aumentos expressivos o melão (26,74%), chocolate em barra e bombom (19,02%), contrafilé (19%), filé-mignon (18,31%) e feijão-preto (17,75%).

Considerando toda a alimentação consumida no domicílio, Belém acumula alta de 3,83% em 2026, ante 3,44% no Brasil. Em 12 meses, o avanço é de 2,93% na capital paraense, contra 2,80% na média nacional.

Alimentação tem peso maior no orçamento de Belém

Além da variação dos preços, os dados do IPCA mostram que a alimentação ocupa uma parcela maior do orçamento das famílias de Belém. Em agosto, o grupo Alimentação e bebidas representava 27,39% da cesta de consumo da capital, contra 21,51% na média brasileira.

Entre os produtos consumidos em casa, o açaí é o item individual com maior peso na cesta de Belém, representando 1,55% do orçamento considerado pelo índice. No Brasil, o peso é de 0,07%.

Também têm participação relevante o frango inteiro (1,48%), o pão francês (1,14%), a farinha de mandioca (0,89%), a alcatra (0,86%), o contrafilé (0,75%) e a costela bovina (0,71%).

O leite em pó representa 0,62% da cesta de Belém, enquanto o leite longa vida tem peso de 0,19%. O café moído corresponde a 0,60%, o biscoito a 0,57%, a chã de dentro a 0,55% e a carne-seca e de sol a 0,51%. O arroz representa 0,48%.

Cesta paraense tem maior peso de carnes e pescados

As diferenças ficam ainda mais evidentes na composição dos subgrupos. As carnes representam 5,30% do orçamento das famílias de Belém, contra 2,83% na média nacional.

Bebidas e infusões correspondem a 3,77% da cesta local, mais que o dobro do peso de 1,87% no Brasil. Aves e ovos representam 2,27%, ante 1,21% no país.

Os pescados também têm participação maior em Belém: 0,86% da cesta, contra 0,18% na média nacional. Entre os produtos considerados estão a pescada (0,27%), o camarão (0,16%), o tambaqui (0,14%) e a dourada (0,13%).

Principais variações de alimentos em Belém em agosto

  • Melão: +6,65% em Belém | +1,06% no Brasil
  • Capa de filé: +5,47% em Belém | +3,66% no Brasil
  • Acém: +4,73% em Belém | +0,64% no Brasil
  • Contrafilé: +4,72% em Belém | +1,42% no Brasil
  • Alcatra: +4,59% em Belém | +1,55% no Brasil
  • Pá (carne bovina): +4,01% em Belém | +1,25% no Brasil
  • Uva: +3,23% em Belém | -2,21% no Brasil
  • Arroz: +1,69% em Belém | +1,34% no Brasil
  • Batata-inglesa: -19,10% em Belém | -19,89% no Brasil
  • Cebola: -13,52% em Belém | -11,07% no Brasil
  • Cenoura: -13,28% em Belém | -11,22% no Brasil
  • Tomate: -11,19% em Belém | -10,94% no Brasil
  • Açaí (emulsão): -10,95% em Belém | -10,49% no Brasil
  • Peixe filhote: -8,32% em Belém | -6,71% no Brasil
  • Cheiro-verde: -5,19% em Belém | -1,26% no Brasil
  • Feijão-carioca: -4,15% em Belém | -4,82% no Brasil

Grupos que mais se destacaram no mês:

  • Carnes: +2,86% em Belém | +0,61% no Brasil
  • Tubérculos, raízes e legumes: -13,74% em Belém | -12,37% no Brasil
  • Bebidas e infusões: -4,53% em Belém | -0,52% no Brasil
  • Hortaliças e verduras: -3,37% em Belém | -1,61% no Brasil
  • Pescados: -2,97% em Belém | -0,23% no Brasil
  • Aves e ovos: -2,14% em Belém | -1,55% no Brasil

Fonte: IPCA/IBGE