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ALIMENTAÇÃO

Hortaliças ficam mais baratas em Belém, mas cebola sobe 60% no ano

Pesquisa do Dieese/PA aponta queda nos preços de 16 produtos em setembro. Na feira do Guamá, vendedores e consumidores relatam diferentes percepções sobre os valores praticados em outubro.

Jéssica Nascimento e Gabriel da Mota

14 de outubro de 2026 às 12:41

Queda dos preços não compensa aumentos acumulados, aponta pesquisa do Dieese/PA divulgada nesta quarta (14)

Queda dos preços não compensa aumentos acumulados, aponta pesquisa do Dieese/PA divulgada nesta quarta (14) ( Foto: Igor Mota / O Liberal )

Os preços de 16 dos 24 produtos hortifrutigranjeiros pesquisados em feiras livres e supermercados de Belém caíram em setembro, na comparação com agosto. Apesar da redução, alimentos como cebola, cenoura e batata continuam pesando no orçamento das famílias, com aumentos acumulados de 60,76%, 45,09% e 39,42%, respectivamente, em 2026. Os dados fazem parte de um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), divulgado nesta quarta-feira (14).

O pimentão verde apresentou a maior queda mensal, de 7,8%, passando de R$ 12,05 para R$ 11,11 o quilo. Em seguida aparecem a batata, com redução de 6,25%, de R$ 9,28 para R$ 8,70, e a cenoura, que ficou 4,76% mais barata, passando de R$ 9,46 para R$ 9,01 o quilo.

Outros alimentos presentes nas refeições dos paraenses também registraram recuos, como a batata-doce branca (-2,98%), beterraba (-2,97%), jambu (-2,78%), abóbora (-2,58%), repolho (-2,39%), cheiro-verde (-0,75%) e alface (-0,70%).

Por outro lado, oito produtos ficaram mais caros no mesmo período. O maxixe liderou as altas, com reajuste de 7,05%, seguido da cebola, que aumentou 5,83% e passou de R$ 7,55 para R$ 7,99 o quilo. Também houve elevação nos preços do chuchu (1,71%), salsa (0,88%), macaxeira (0,80%), alfavaca (0,77%), cariru (0,42%) e chicória (0,37%).

Embora a maioria dos produtos tenha apresentado queda em setembro, o balanço de 2026 ainda é de encarecimento. Nos últimos 12 meses, a cebola acumula alta de 64,07%, seguida da cenoura (50,17%), batata (49,23%) e repolho (42,26%). As variações superam a inflação geral acumulada no período, estimada pelo Dieese/PA em 4,22%.

Preços dividem opiniões na feira do Guamá

Na feira do Complexo do Guamá, em Belém, a percepção sobre o comportamento dos preços varia entre comerciantes e consumidores. A vendedora Dalva Sousa, que trabalha principalmente com folhagens, afirma que os valores estão mais acessíveis em outubro, especialmente para quem procura produtos como alface, jambu e cheiro-verde.

"Em termos de folhagem, está bem em conta, dá para consumir", afirma a comerciante.

Dalva Sousa, vendedora de hortaliças na Feira do Guamá
Dalva Sousa, vendedora de hortaliças na Feira do Guamá (Igor Mota / O Liberal)

Segundo Dalva, a redução está relacionada ao período menos chuvoso, que favorece a oferta das folhagens. Ela explica que, durante os meses de chuva intensa, a produção pode ser prejudicada, tanto pelo crescimento limitado das plantas quanto pela deterioração dos produtos durante o transporte e a comercialização.

Na banca da vendedora, o preço do jambu varia entre R$ 2 e R$ 4, dependendo da qualidade e da quantidade comercializada. A alface também apresenta valores diferentes, com opções de R$ 2, R$ 3 e R$ 4, incluindo a variedade hidropônica.

Já o vendedor Batista do Espírito Santo, que comercializa tomate, cebola, batata, cenoura, chuchu e outros legumes, relata uma situação diferente. Segundo ele, alguns produtos voltaram a encarecer em outubro, acompanhando os preços cobrados na Central de Abastecimento (Ceasa).

"Até agora não, até aumentou um pouquinho", afirma, ao ser questionado sobre uma possível redução dos preços.

Batista do Espírito Santo, vendedor de hortaliças na Feira do Guamá
Batista do Espírito Santo, vendedor de hortaliças na Feira do Guamá (Igor Mota / O Liberal)

Batista conta que atualmente comercializa produtos como tomate, cebola, batata, cenoura, repolho e chuchu por R$ 9, enquanto anteriormente vendia alguns desses alimentos por R$ 7. Ele explica que precisa ajustar os valores de acordo com o custo de aquisição das mercadorias, mas também considera a capacidade de compra dos fregueses.

O comerciante acredita que a proximidade das festas de fim de ano pode pressionar os preços, devido à procura por alimentos para confraternizações. Na avaliação dele, uma redução mais consistente poderá ocorrer depois do Natal, quando espera uma maior disponibilidade de mercadorias.

Entre os consumidores, a pedagoga Renata Caldas afirma não ter percebido mudanças significativas nos preços em outubro, na comparação com setembro. Frequentadora da feira, ela costuma comprar principalmente alface e cebola e relata que os valores permanecem praticamente os mesmos.

Renata Caldas, pedagoga, consumidora de hortaliças
Renata Caldas, pedagoga, consumidora de hortaliças (Igor Mota / O Liberal)

"Costumo pagar entre R$ 4 e R$ 5 na alface, e a cebola eu compro por R$ 5 ou R$ 6", relata.

Oferta e abastecimento influenciam os preços

De acordo com o Dieese/PA, a queda registrada em setembro pode estar relacionada à regularização da oferta e às condições de produção e abastecimento. Entretanto, o instituto destaca que a redução mensal ainda não foi suficiente para compensar as elevações acumuladas ao longo do ano.

Outro fator que influencia os preços em Belém é a dependência do abastecimento de outros estados, principalmente de alimentos como cenoura, cebola, batata e beterraba. Mudanças na produção agrícola, períodos de chuvas intensas e custos de transporte podem afetar a quantidade de mercadorias disponíveis e os valores cobrados dos consumidores.

O Dieese/PA também orienta que os consumidores comparem os preços antes de comprar, já que um mesmo produto pode apresentar diferenças significativas entre feiras livres, mercados municipais e supermercados. A pesquisa de preços, segundo a entidade, pode ajudar a reduzir as despesas com alimentação ao longo do mês.

Preços das hortaliças em Belém

Maiores quedas em setembro

  • Pimentão verde: -7,80% | R$ 11,11/kg
  • Batata: -6,25% | R$ 8,70/kg
  • Cenoura: -4,76% | R$ 9,01/kg
  • Batata-doce branca: -2,98% | R$ 9,76/kg
  • Beterraba: -2,97% | R$ 8,17/kg

Maiores altas em setembro

  • Maxixe: +7,05% | R$ 17,61/kg
  • Cebola: +5,83% | R$ 7,99/kg
  • Chuchu: +1,71% | R$ 7,12/kg

Produtos que mais encareceram em 2026

  • Cebola: +60,76%
  • Cenoura: +45,09%
  • Batata: +39,42%
  • Beterraba: +35,71%
  • Repolho: +35,43%

Maiores aumentos nos últimos 12 meses

  • Cebola: +64,07%
  • Cenoura: +50,17%
  • Batata: +49,23%
  • Repolho: +42,26%

Fonte: Dieese/PA