SEG · 19 OUT 2026Assine
O Liberal 80 anos

ECONOMIA

Grupo Ri Happy entra com pedido de recuperação extrajudicial

Nesses casos, o devedor negocia o acordo diretamente com seus credores, fora do âmbito do judiciário

Estadão Conteúdo

19 de outubro de 2026 às 12:23

( Foto: Reprodução )

O Grupo Ri Happy, uma das maiores redes varejistas de brinquedos e produtos infantis do País, protocolou no domingo, 18, um pedido de recuperação extrajudicial. A medida visa renegociar dívidas e engrossa o grupo de varejistas que buscam esse mecanismo.

A empresa não informou o valor exato da dívida a ser rediscutida. Contudo, destacou, por meio de comunicado, que já conta com "expressiva adesão de credores" ao processo.

A recuperação extrajudicial se apresenta como uma ferramenta alternativa à recuperação judicial. Nesses casos, o devedor negocia o acordo diretamente com seus credores, fora do âmbito do judiciário. O acordo, porém, precisa ser posteriormente homologado pela Justiça.

Reestruturação e Nova Gestão

Paralelamente ao pedido de recuperação extrajudicial, a companhia informou sobre a realização de ajustes nas equipes corporativas. A Ri Happy também passará por uma mudança de sede como parte das transformações.

Segundo a empresa, essas mudanças fazem parte de um processo de transformação operacional e financeira. Elas ocorrem após o grupo ter sido comprado em agosto deste ano pela BluSun Capital Partners.

O comprador é uma sociedade anônima nacional de capital fechado. A BluSun foi fundada por Héctor Nuñez, que se tornou CEO da empresa pela segunda vez. Nuñez havia comandado a Ri Happy entre 2012 e 2020.

Nuñez possui mais de 25 anos de experiência no varejo e em grandes organizações. Ele foi CEO do Walmart Brasil e ocupou posições de liderança na The Coca-Cola Company.

Até abril deste ano, o executivo esteve à frente da presidência da Novonor, antigo grupo Odebrecht. Nuñez assumiu o cargo de diretor-presidente do grupo da família Odebrecht em março de 2022, após integrar o conselho de administração em 2021.

Nova Equipe e Objetivos

Fazem parte da nova equipe da Ri Happy Carlos Fernandes, como diretor operacional, e Diego Motta, diretor financeiro. Sandra Haddad é a diretora comercial, Alexandra Carrão a diretora de Gente e Gestão, e Robledo Castro o diretor de Tecnologia e Informação.

A empresa destaca que as mudanças buscam reequilibrar a estrutura de capital e otimizar a eficiência operacional. O objetivo também é aprimorar a excelência no atendimento e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Cenário de Varejo e Histórico

O movimento de ajuste vem após uma iniciativa frustrada. Segundo apuração do Estadão, a empresa tentou inovar no modelo de negócio. Em junho, o grupo inaugurou a bandeira Divertudo, com loja que misturava venda de brinquedos, entretenimento e experiência, mas sem bom desempenho.

Em comunicado, a companhia observou o momento desafiador enfrentado pelo varejo brasileiro. Fatores como juros elevados, mudanças no consumo, intensificação da concorrência e os efeitos acumulados da pandemia contribuem para este cenário.

Fundada em 1988, com atuação no varejo de brinquedos e produtos infantis, a Ri Happy comprou a concorrente PBKids em 2012. Em agosto, quando foi adquirida pela BluSun Capital Partners, a rede contava com 293 lojas, incluindo 244 Ri Happy (163 próprias e 81 franquias) e 49 PBKids (42 próprias e sete franquias).