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GREVE

Greve dos bancários afeta clientes do interior, mas impacto é menor com avanço de serviços digitais

Paralisação deixa mais evidente a dependência do atendimento presencial para idosos, trabalhadores e clientes com dificuldades de acesso à tecnologia

Jéssica Nascimento

11 de setembro de 2026 às 12:09

Na manhã desta sexta-feira (11), clientes que procuraram uma agência em greve na Avenida Presidente Vargas enfrentaram dificuldades para realizar operações que não conseguiram resolver pelos canais digitais.

Na manhã desta sexta-feira (11), clientes que procuraram uma agência em greve na Avenida Presidente Vargas enfrentaram dificuldades para realizar operações que não conseguiram resolver pelos canais digitais. ( Foto: Foto: Thiago Gomes )

A greve dos bancários já não provoca o mesmo impacto na rotina dos clientes que provocava há dez ou vinte anos. Com o avanço do internet banking e dos aplicativos, boa parte das operações pode ser feita pelo celular ou computador, sem a necessidade de ir até uma agência. Ainda assim, a paralisação iniciada em instituições bancárias mostra que o atendimento presencial continua indispensável para uma parcela da população.

Na manhã desta sexta-feira (11), clientes que procuraram uma agência em greve na Avenida Presidente Vargas enfrentaram dificuldades para realizar operações que não conseguiram resolver pelos canais digitais. Entre eles estavam trabalhadores, agricultores e pescadores que dependiam do atendimento presencial para acessar o próprio dinheiro.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

O vendedor Rogério Mendes foi até a agência, mas não precisou do atendimento interno. Ele utilizou o caixa eletrônico e afirmou que, apesar de não ter sido diretamente prejudicado, reconhece os efeitos da paralisação para quem depende dos serviços bancários.

“Eu não vim atrás de serviço interno. Eu vim apenas fazer o uso do serviço do caixa eletrônico. Mas, com a visão que eu tenho, que é um serviço essencial, eu acredito que esteja atrasando muita gente, pessoas que precisam.”

Para Rogério, a dificuldade pode ser ainda maior para pessoas que recebem benefícios e não têm acesso ou familiaridade com cartões e outros recursos digitais.

Rogério Mendes.
Rogério Mendes. (Foto: Thiago Gomes)

“Hoje em dia, como a gente está vendo esse crescimento do Bolsa Família, do Auxílio Emergencial, muita gente não tem acesso ao cartão com chip, aí acaba precisando desse serviço.”

A enfermeira Edileuza Braga foi uma das clientes que não conseguiu resolver a demanda pela internet. Ela considera que, apesar da popularização dos serviços digitais, algumas situações ainda exigem a presença de um funcionário.

“A greve dos bancários impactou, porque nem tudo a gente consegue fazer online. Precisa de um atendimento presencial. Eu vim em busca de um atendimento presencial e não consegui.”

Segundo ela, quando encontra dificuldades para resolver alguma questão pessoalmente, tenta recorrer aos canais digitais, mas nem sempre consegue uma solução rápida.

Edileuza Braga.
Edileuza Braga. (Foto: Thiago Gomes)

“Hoje em dia as pessoas usam muito serviços online, mas nem tudo é online. A gente precisa realmente do atendimento presencial.”

Dependência do atendimento presencial

A paralisação também atingiu clientes que viajaram de outros municípios para tentar sacar dinheiro. O pescador Manuel Assunção, do município de Chaves, contou que foi à agência para sacar valores que estão retidos há dois meses.

Ele afirmou que havia sido avisado sobre a greve, mas decidiu ir mesmo assim porque costuma utilizar o atendimento presencial. Segundo Manuel, o dinheiro é depositado mensalmente e ele precisa fazer o saque.

Manuel Assunção.
Manuel Assunção. (Foto: Thiago Gomes)

“Hoje no banco eu vim sacar meu dinheiro. Está com dois meses retidos e não pode passar dos seis meses. Todo dia 25 esse dinheiro cai. Eu não estou conseguindo porque está tudo parado.”

O agricultor Edison Nunes, de Acará, também foi surpreendido pela paralisação. Ele viajou do município até Belém para retirar o dinheiro, mas não conseguiu realizar a operação.

“Eu fui pego de surpresa pela greve. Eu moro no Acará. Eu vim de lá pra tirar meu dinheiro aqui e não pode sacar por causa desse pessoal.”

Edison afirma que a dificuldade tem consequências diretas no orçamento familiar. “Eu moro em casa alugada e tudo atrasou.”

Edison Nunes.
Edison Nunes. (Foto: Thiago Nunes)

Sindicato diz que impacto continua sendo grande

Para Tatiana Oliveira, presidente do Sindicato dos Bancários do Pará, a digitalização não eliminou a importância do trabalho realizado nas agências. Segundo ela, os bancários continuam atendendo milhares de pessoas diariamente e participando de operações que geram resultados para as instituições financeiras.

“Ainda é um impacto enorme. Embora muita coisa seja feita de maneira virtual, a categoria atende milhares de pessoas todos os dias e realiza negócios que geram o lucro dos bancos.”

A dirigente sindical também destaca as condições de trabalho como uma das questões centrais da mobilização. De acordo com Tatiana, uma pesquisa recente realizada pelo Comando Nacional da Categoria/Contraf-CUT apontou que cerca de 40% dos trabalhadores entrevistados afirmaram trabalhar à base de medicações em razão de problemas relacionados à saúde mental.

(Foto: Thiago Gomes)
(Foto: Thiago Gomes)

Enquanto a paralisação continua, trabalhadores de diferentes instituições seguem rejeitando propostas apresentadas pelos bancos. Em publicação feita na quinta-feira (10), o funcionalismo do Banco do Brasil no Pará informou ter rejeitado a última proposta apresentada pela instituição. Segundo a entidade, a rejeição foi de 68,1%.

Nesta sexta-feira (11), outra publicação nas redes sociais informou que empregados da Caixa rejeitaram a última proposta apresentada pelo banco. De acordo com o sindicato, a rejeição chegou a 89%.