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DIA DE FINADOS

Floristas esperam alta nas vendas no Dia de Finados, mas procura ainda é fraca

Comerciantes reforçam os estoques e se preparam para o movimento nos cemitérios; alta no preço das flores e preferência por produtos mais baratos estão entre os desafios para a data

Jéssica Nascimento

30 de outubro de 2026 às 09:00

A proximidade do Dia de Finados, celebrado na próxima segunda-feira (2 de novembro), movimenta a preparação de vendedores de flores e outros produtos utilizados nas homenagens aos entes queridos em Belém. Apesar de a procura ainda não ter aumentado, floristas apostam na intensificação das vendas na véspera e, principalmente, no próprio feriado para atender às pessoas que visitam os cemitérios.

Enquanto vendedoras que trabalham nas proximidades do cemitério Santa Izabel lidam com o aumento no custo das flores, floriculturas do bairro do Guamá antecipam pedidos e planejam expor os produtos na rua para atrair os consumidores.

Procura deve se concentrar na véspera e no feriado

A expectativa de boas vendas marca a preparação dos comerciantes para o Dia de Finados. Para Maria das Graças Nobre, vendedora de flores em frente ao cemitério Santa Izabel, no bairro do Guamá, o movimento costuma ganhar força na véspera da data. Até o momento, porém, a procura ainda não apresentou aumento significativo.

Maria Nobre.
Maria Nobre. (Ivan Duarte | O Liberal)

“Eu espero que sejam boas vendas para todas nós que trabalhamos aqui, né? Eu e minhas colegas. É essa a minha expectativa: que seja ótimo para nós vender, e que seja um movimento bom, como todos os anos começa o movimento na véspera do dia”, afirma.

Já Monique Amaral, florista de uma loja localizada no bairro do Guamá, prevê que a maior movimentação ocorra na manhã do próprio feriado. Segundo ela, a data tem um público específico, formado principalmente por pessoas que passam em frente aos cemitérios para prestar homenagens aos familiares e amigos falecidos.

“A expectativa de venda de flores do campo para essa data sempre aumenta um pouquinho. O nosso público maior atualmente é mais voltado para o virtual, mas, nessa data, a gente trabalha muito com o público presencial, que é a galera que passa aqui do cemitério”, explica.

Para aproveitar o fluxo de visitantes, a estratégia da florista é levar os produtos para a frente da loja e abordar os consumidores que seguem em direção ao cemitério. A iniciativa acompanha o movimento de outros comerciantes, que também expõem flores, velas, fotografias, camisas, bonés e água.

(Ivan Duarte | O Liberal)
(Ivan Duarte | O Liberal)

Alta nos preços influencia valores de venda

Um dos principais desafios para quem comercializa flores neste período é o aumento dos custos de aquisição. Maria das Graças relata que os produtos chegam mais caros, o que exige ajustes nos preços para garantir a manutenção da atividade.

“Para a data, eu estou me preparando porque as flores estão vindo caras. Estão vindo muito caras. Então, eu pelo menos vou vender o galho a R$ 10. Por enquanto, ainda estou vendendo a R$ 7. As rosas artificiais também a R$ 10”, detalha.

A comerciante também prevê vender os arranjos por R$ 15. De acordo com ela, as flores comercializadas no local vêm de São Paulo, e o aumento no preço de compra acaba sendo repassado ao consumidor.

(Ivan Duarte | O Liberal)
(Ivan Duarte | O Liberal)

“Porque houve aumento de preço, né? Então, para a gente ter o nosso lucro, a gente tem que vender um pouco mais caro, porque o valor veio muito caro”, acrescenta.

Na floricultura de Monique Amaral, os preços também são adaptados ao perfil de quem compra para homenagear os mortos. A florista afirma que os consumidores costumam procurar opções mais acessíveis, como flores unitárias e pequenos ramos, em vez de arranjos de maior valor.

Monique Amaral.
Monique Amaral. (Ivan Duarte | O Liberal)

“Eu não posso oferecer um produto muito caro, já que é para uma ocasião específica. Os nossos clientes querem normalmente galhos de flores específicos, ramos menores, flores unitárias”, ressalta.

Segundo ela, os produtos destinados a esse público custam, em média, de R$ 10 a R$ 50, dependendo do tipo e da composição.

(Ivan Duarte | O Liberal)
(Ivan Duarte | O Liberal)

Margaridas, girassóis e rosas estão entre as mais procuradas

Entre as opções mais buscadas para o Dia de Finados estão margaridas, girassóis e rosas, especialmente nas cores branca e amarela. Maria das Graças também destaca a procura por variedades coloridas, como margaridas brancas, salmão e laranja, além de calábrias em diferentes tonalidades.

A vendedora explica que os comerciantes fizeram pedidos para reforçar a oferta de flores durante o período de maior movimento. A expectativa é atender à demanda concentrada nos dias que antecedem o feriado e, principalmente, na véspera.

Na loja de Monique Amaral, a preparação começou com antecedência. Os pedidos foram realizados cerca de 15 dias antes da data, e a previsão é de que os produtos cheguem antes do feriado.

“Já fizemos pedido com 15 dias de antecedência, e o material chega amanhã, já para essa segunda-feira”, conta.

Além das flores, a comerciante pretende aproveitar o movimento em frente ao cemitério para ampliar as oportunidades de venda. Embora a loja mantenha outras demandas, como presentes para aniversários, casamentos e decoração, o Dia de Finados exige uma organização específica para atender quem procura produtos destinados às homenagens.

(Ivan Duarte | O Liberal)
(Ivan Duarte | O Liberal)

Trabalho nas ruas exige adaptação

A necessidade de expor as flores em frente aos cemitérios também traz dificuldades para os comerciantes. Monique afirma que a equipe precisa permanecer na rua durante o período de maior circulação, muitas vezes sob sol forte ou chuva.

“No nosso caso, a gente vai expor os materiais, os produtos lá na frente. Então, a gente fica no sol. Se chover, a gente fica lá na frente, porque os nossos clientes precisam desse material exposto e, se a gente não expor, a gente não vende”, relata.

Segundo a florista, a estratégia é necessária porque o público costuma comprar os produtos durante o trajeto para o cemitério. Por isso, comerciantes de diferentes segmentos se organizam para ocupar as áreas próximas aos locais de visitação.

Flores e velas para o Dia de Finados têm alta de mais de 30% em Belém, segundo Dieese

As flores e velas ficaram mais caras em Belém para o Dia de Finados de 2026, segundo pesquisa do Dieese-PA (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) realizada entre 23 e 28 de outubro. Os reajustes em relação ao mesmo período do ano passado superam 30% em alguns casos, acima da inflação estimada em 4,58% nos últimos 12 meses.

Nos cemitérios, flores como crisântemos, margaridas e cravos custam entre R$ 8 e R$ 15. Nas floriculturas da Grande Belém, uma rosa varia de R$ 15 a R$ 17, enquanto buquês com seis unidades custam de R$ 160 a R$ 190. Os arranjos com 12 rosas podem chegar a R$ 324.

As velas também registram alta. Nos supermercados, pacotes com oito unidades custam de R$ 4,15 a R$ 18,99. Nas proximidades dos cemitérios, os preços variam de R$ 8 a R$ 15. Já as velas de sete dias são vendidas entre R$ 8,79 e R$ 24,57.