O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Alex Dias Carvalho, defendeu a inovação, a ciência e a tecnologia como instrumentos para ampliar a produtividade industrial, reduzir a dependência da exportação de matérias-primas e promover inclusão social na Amazônia. A posição foi apresentada nesta quarta-feira (28), durante a 6ª Conferência Internacional InSuRe.hub, promovida pela Universidade Católica Portuguesa, no Porto, em Portugal.
Participando virtualmente do painel “Conectando a América Latina e a Europa”, Carvalho apresentou a visão do Sistema Fiepa sobre os desafios da indústria paraense e as possibilidades de cooperação internacional para conciliar crescimento econômico, sustentabilidade e desenvolvimento social.
“Inovar é preciso, principalmente quando estamos diante de condições adversas”, afirmou o dirigente ao abordar a necessidade de transformar o potencial produtivo do Pará em oportunidades econômicas e sociais para a população.
Na palestra intitulada “Inovar onde é mais difícil: o desafio da indústria do Pará e a resposta do Sistema Fiepa”, Carvalho destacou características da economia estadual que, segundo ele, reforçam a importância de ampliar o investimento em inovação. O Pará tem 8,7 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) industrial de R$ 65,4 bilhões. Cerca de 47% da produção industrial está concentrada na atividade extrativa, o que evidencia a dependência do setor em relação às commodities.
O presidente também mencionou a posição do estado nos indicadores nacionais de inovação. Embora o Pará ocupe o 15º lugar no ranking brasileiro e lidere a Região Norte, aparece na 18ª posição em resultados. Para Carvalho, o cenário demonstra a necessidade de transformar conhecimento científico e tecnológico em ganhos efetivos de produtividade e valor agregado.
“É com a inovação, com a ciência e com a tecnologia que nós vamos conseguir encontrar caminhos para romper essa lógica do mercado de se exportar matéria-prima e se ter que importar produtos acabados”, declarou.
Iniciativas para a indústria paraense
Durante a apresentação, Carvalho citou ações desenvolvidas pelo Sistema Fiepa para estimular a inovação e fortalecer a competitividade industrial. Entre elas estão o Observatório da Indústria e os institutos Senai de Inovação em Tecnologias Minerais e de Tecnologia em Alimentos e Bebidas.
O dirigente também destacou a atuação do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e do Fiepa Redes, iniciativas voltadas ao desenvolvimento de talentos, à difusão tecnológica e ao fortalecimento de fornecedores.
Outro instrumento mencionado foi o Mapa Estratégico da Indústria do Pará 2026–2032, elaborado em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O documento reúne 620 iniciativas destinadas a orientar ações para o desenvolvimento do setor industrial no estado.
Cooperação entre Pará e Europa
O painel integrou a programação da conferência internacional voltada à discussão de conexões entre centros tecnológicos e ao fortalecimento da cooperação entre a América Latina e a Europa. Além de Carvalho, participaram Bernardo Ivo Cruz, Daniel Martins, Manuela Pintado e outros especialistas, com moderação de João Pinto e João Amaral.
Ao abordar as possibilidades de aproximação entre o Pará e Portugal, o presidente da Fiepa ressaltou o potencial de novas parcerias em pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e negócios. A proposta é ampliar as conexões internacionais para estimular soluções que contribuam para a transformação da estrutura produtiva paraense.
Carvalho também enfatizou que os avanços econômicos precisam alcançar a sociedade e gerar benefícios para a população. “Mas nós queremos também que a nossa população esteja em pé de igualdade”, concluiu, ao defender um modelo de desenvolvimento regional que combine competitividade industrial, sustentabilidade e inclusão social.

