Presença frequente na mesa dos paraenses, a farinha de tapioca vai muito além do acompanhamento do açaí. O produto também é utilizado no preparo de mingaus, bolos e sorvetes, além de ser consumido com café. Na Vila de Americano, em Santa Izabel do Pará, no nordeste do estado, a produção movimenta agroindústrias familiares e chega a 240 toneladas por mês durante a safra.
Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-Pará), 20 agroindústrias familiares da região recebem assistência do órgão. Entre junho e dezembro, período de safra, a produção mensal alcança cerca de 10 mil pacotes de 18 quilos cada, o equivalente a 180 toneladas? Não: conforme o volume informado pela Emater, são 240 toneladas por mês.
O produto mantém espaço no comércio paraense e faz parte da rotina de consumidores que não abrem mão da farinha de tapioca, mesmo diante da alta dos preços.
Preço pesa no bolso de quem consome
Para a enfermeira Rita Gatinho, de 56 anos, a farinha de tapioca é um item que não pode faltar em casa. Ela conta que consome o produto de diferentes maneiras, não apenas com açaí, mas também com café e em receitas tradicionais.
“Eu sempre compro. Consumo muito farinha e nem é só com açaí, eu como com café e adoro fazer bolo podre. Então eu sempre compro, não pode faltar”, relata.
Apesar de manter o hábito de consumo, Rita afirma que o preço aumentou ao longo do tempo. Atualmente, segundo ela, o litro da farinha de tapioca custa R$ 10.
“Antigamente era muito mais barato. Por isso, quando compro, acabo comprando em grande quantidade”, conta.
No Ver-o-Peso, em Belém, a farinha de tapioca também tem procura frequente. José Maria Ferreira, que comercializa farinhas no mercado, afirma que o produto está entre os mais vendidos, embora a farinha de mandioca ainda tenha maior saída.
O comerciante conta que há diferentes opções disponíveis para os consumidores, como as versões caramelizadas e as que levam sabores de açaí e cupuaçu. Mesmo com a diversificação, a farinha tradicional continua sendo a mais procurada entre as variedades de tapioca.
“A gente tem outros tipos de farinha pra ver se dá uma diferenciada aqui pro nosso consumidor. Tem farinha caramelizada, tem com açaí, tem com cupuaçu, que são diferentes e estão sendo conhecidas agora pelo público, mas o forte mesmo é a tradicional”, afirma.
Segundo José Maria, a procura pelo produto costuma ser diária, mas confirma que existe um período em que, de acordo com sua percepção, as vendas também são aquecidas.
“No segundo semestre costuma ser uma venda melhor desse item”, relata José, destacando o período da safra do açaí como motivador dessa demanda.
O comerciante destaca ainda que a farinha exige atenção no armazenamento e na comercialização. De acordo com ele, o produto pode perder a textura quando permanece por muito tempo sem ser vendido, o que torna importante manter uma saída diária.
Entre a produção das agroindústrias familiares de Santa Izabel do Pará e as bancas das feiras de Belém, a farinha de tapioca continua presente na alimentação regional. A tradição de consumo sustenta a procura pelo produto, enquanto os preços permanecem entre as preocupações de quem o compra regularmente.
