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Economia

Exportações de café disparam no Brasil e anima empresários do ramo de cafeteria

Embarques cresceram mais de 50% em setembro; comerciantes da capital dizem que queda do valor do grão ainda é gradual e não chegou aos fornecedores

Gabi Gutierrez

2 de outubro de 2026 às 06:30

Foto: Wagner Santana | O Liberal

Foto: Wagner Santana | O Liberal

O Brasil aumentou em mais de 50% o ritmo de exportações de café em setembro, enquanto o preço médio do produto vendido em Belém vinha registrando queda. Até a segunda semana do mês, foram embarcadas 107,9 mil toneladas, volume mais de 50% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Na capital paraense, o quilo do café em pó chegou a R$ 61,70, em média, em agosto, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Para empresários do ramo de cafeterias em Belém, a queda no valor do grão precisa percorrer toda a cadeia antes de chegar à ponta. É o caso de Victor Lobato, sócio de uma cafeteria no bairro do Reduto. Segundo ele, o estabelecimento já acompanha a redução no preço do café, mas ainda não percebeu o mesmo movimento nos valores cobrados pelos fornecedores.

“Essa queda do valor não vem imediatamente para os nossos fornecedores. Estamos acompanhando e vendo de que forma essa redução pode chegar ao preço do café, até porque nós temos outros custos indiretos nesse caminho, como a torra, a logística, a embalagem e a mão de obra”, afirma.

Na cafeteria, o abastecimento ocorre normalmente uma vez por semana ou a cada dez dias, conforme o fluxo de clientes. Em períodos de maior movimento, são necessários até dois pedidos semanais. Como o café está presente em boa parte do cardápio, desde a bebida tradicional até preparações como cappuccino, o custo do insumo tem peso relevante na operação.

Lobato estima que o café represente quase 10% do faturamento do estabelecimento, embora não tenha um percentual exato calculado. Por isso, uma eventual redução do custo do grão pode ter impacto direto na formação de preços e na estratégia comercial da empresa.

A expectativa do empresário é que o movimento comece a chegar aos fornecedores nos próximos meses, conforme novos lotes sejam recebidos, torrados e comercializados.

“Acredito que em outubro ou novembro já podemos começar a sentir essa redução, porque nossos fornecedores vão receber novos grãos de café. Eles vão fazer a torra, embalar e nos comercializar. Então acredito que essa diminuição no valor já vamos sentir no mês que vem ou, no mais tardar, em novembro”, diz.

Cafés especiais têm outra formação de preço

No segmento de cafés especiais, o comportamento dos preços também depende das características do produto e dos custos envolvidos na produção. Paulo Henrique Raiol, empresário e proprietário de uma cafeteria no bairro de Nazaré desde 2023, trabalha com cafés especiais e afirma que esse mercado não acompanha necessariamente as variações observadas no café convencional.

“Eu trabalho apenas com cafés especiais. Esse café, por ter um grau de especialidade maior, não acompanha diretamente a redução de preço que uma safra maior pode proporcionar”, afirma.

Segundo ele, uma eventual redução no valor do grão pode ter algum impacto sobre os custos da cafeteria, mas não necessariamente será percebida na mesma proporção pelo consumidor. Raiol destaca que a formação do preço envolve diferentes etapas, da produção à torra.

“Todo o ciclo que se refere a esse café acaba sendo um ciclo mais caro, que vai desde a plantação, a colheita até a torra”, explica.

Raiol afirma que, até o momento, não percebeu redução nos preços praticados por seus fornecedores. Segundo ele, os custos do café especial aumentaram nos últimos anos, enquanto o preço de bebidas como expresso e coado foi mantido por um período maior.

O empresário conta que fez apenas agora o primeiro reajuste de preços desde que abriu a cafeteria, mesmo diante dos aumentos acumulados no custo do café e da inflação.

“A inflação fez os valores subirem, mas o valor do expresso e do coado, que é tão habitual para o brasileiro, não pode acompanhar esses aumentos progressivos por ser uma coisa de consumo diário”, afirma.