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sem promoção

Em Belém, parte de comerciantes não adere à Black Friday para poder faturar no Natal

Na contramão do comércio, alguns lojistas afirmam que não compensa fazer promoção neste momento próximo às vendas do Natal.

Natalia Mello / O Liberal

22 de novembro de 2021 às 14:47

Parte dos comerciantes de Belém optou por não aderir à programação da Black Friday em 2021. Os responsáveis por algumas lojas afirmam ainda estarem vivenciando um momento de recuperação econômica e, por isso, preferem guardar o estoque para faturar com as vendas no período do Natal.

“A gente não vai aderir à Black Friday porque o nosso valor de produto já é muito em conta, em torno de R$ 59,99 os modelos, então não compensa porque já é Natal. Não vamos conseguir suprir o Natal em dezembro, se fizermos Black na loja. O risco é de ficarmos sem mercadoria nas 16 lojas espalhadas pelo Brasil”, disse a gerente de uma loja de sandálias localizada em um shopping em Ananindeua, Elizangela Nunes.

A empreendedora Layane Maia também é uma das lojistas que não fará promoção nem nas redes sociais nem no site. Ela explica que a decisão se deve ao alto custo da matéria-prima de seus produtos, todos itens de moda praia. “Tudo aumentou bastante e se eu realizar uma ação promocional estaria pagando para vender. Apenas por isso. Até diminuí a produção na pronta entrega e estou priorizando os pedidos sob encomenda, porque assim eu não fico com uma sobra de estoque e nem sou obrigada a fazer promoção”, conta a jovem, que tem loja virtual e um espaço colaborativo no shopping localizado no bairro Mangueirão.

Para o proprietário de um estabelecimento que comercializa refeições e açaí, também não é o momento de fazer promoções. Nazareno Alves diz que esse será o segundo ano sem diminuir os preços dos produtos. “O motivo mesmo é economia, a gente foi muito afetado pela pandemia e como tudo aumentou, tudo está muito caro, aumentando constantemente, os insumos, energia, água, luz, combustível, tudo, aí a gente ficou com margem de lucro muito apertada. Estamos em recuperação, buscando colocar a empresa no eixo de novo e próximo ano quem sabe a gente faz”, explicou.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém (Sindilojas), Joy Colares, afirma que a situação, para alguns comerciantes, é realmente difícil. O empresário lembra que vale a pena entrar na programação em caso de possuir um bom estoque de mercadorias antigas.

“Isso começou um dia após a celebração do Thanksgiving, nos Estados Unidos, um dia após esse feriado que é o único lá, aí os comerciantes aproveitavam esse dia livre das pessoas, que viajavam para ver suas famílias, para fazer liquidação para poder liberar o estoque para o Natal. Mas só faz quem tem estoque e muito e quer se desfazer da mercadoria antiga. Tem comerciante que não dá para fazer abaixo do que está vendendo porque acaba ficando sem mercadoria para vender no Natal”, ressalta Joy, lembrando que nos primeiros anos da promoção no Brasil, muitos chamavam de “Black Fraude”, porque era “metade do dobro”. “Depois que as lojas perceberam que é um período bom e foram na onda”, concluiu.