Os três principais bancos privados de varejo do País - Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil - registraram lucro combinado de R$ 22,61 bilhões no terceiro trimestre, de acordo com dados compilados pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O número representa crescimento de 2,4% na comparação com igual período do ano passado e de 0,6% ante os três meses imediatamente anteriores.
A expectativa do mercado era de que o grupo tivesse apurado ganho agregado de R$ 22,6 bilhões no trimestre encerrado em setembro, conforme a média das estimativas das casas consultadas pelo Prévias Broadcast.
A reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve complicar ainda mais as perspectivas. O petista tem dado poucos sinais de que pretende promover um ajuste fiscal significativo, considerado uma das condições para que o Banco Central consiga reduzir mais rapidamente a Selic, hoje em 13,75% ao ano.
"O contexto pós-eleitoral reforça um cenário de taxas de juros elevadas por um período prolongado, aumentando a atratividade de negócios bancários com lucros previsíveis, forte retorno de capital e geração de caixa no curto prazo", afirmam analistas do Citi.
No Santander, o lucro líquido registrou tombo de 28% no comparativo anual, a R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre. O resultado produziu um retorno sobre o patrimônio 5,6 pontos porcentuais mais baixo, em 11,9%, na contramão da meta de elevar o indicador a 20% até 2028, estabelecida pela matriz espanhola. Em Madri, a ação da matriz recuava 5%, influenciada em parte pelo Brasil.
"São números obviamente abaixo do patamar de rentabilidade que buscamos", admitiu o presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, em teleconferência com analistas. "Ao mesmo tempo, precisam ser considerados o cenário macroeconômico que estamos passando e o processo de rebalanceamento do banco", argumentou.
Já o Itaú teve um trimestre de relativa estabilidade, com lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e RoE de 23,6%, de longe o maior do setor. O banco continuou mostrando disciplina na gestão do crédito e de custos, mas apresentou um desempenho fraco na geração de receitas, principalmente em bancos de capitais.
"Os resultados vieram muito bem em termos absolutos e melhor ainda em termos relativos, quando comparados com os desempenhos de outros nomes no mercado", disse o diretor de Estratégia Corporativa, Relações com Investidores e M&A Proprietário do banco, Renato Lulia, em entrevista à Broadcast.
