A alta do dólar, que voltou a oscilar próximo de R$ 5,40 após ter ficado abaixo de R$ 5 depois do primeiro turno das eleições, acende um alerta para os preços de eletrônicos e produtos importados no comércio de Belém durante a Black Friday, em 27 de novembro, e nas festas de fim de ano. Apesar da pressão cambial, a expectativa da Federação do Comércio, Serviços e Turismo do Pará (Fecomércio-PA) é de que os consumidores ainda encontrem ofertas competitivas, graças aos estoques adquiridos antes das oscilações mais recentes.
Segundo a entidade, muitos comerciantes se anteciparam nas compras e formaram estoques, estratégia que pode reduzir o impacto imediato da valorização da moeda americana. O posicionamento é assinado pelo presidente da Fecomércio-PA, Sebastião de Oliveira Campos, e pela assessora econômica Lúcia Cristina de Andrade Lisboa.
A Federação avalia que a Black Friday deve registrar boas vendas e oportunidades de compra. No entanto, alerta que os efeitos futuros dependerão da duração das oscilações cambiais. Na renovação dos estoques, os empresários terão de reavaliar os custos e as condições de comercialização.
Entre os produtos mais sensíveis ao dólar estão celulares, notebooks, televisores, videogames e equipamentos de informática, que dependem de componentes importados. Sobre a concorrência entre lojas físicas e comércio eletrônico, a Fecomércio considera que o frete para o Pará pode reduzir a vantagem das plataformas digitais. Já o comércio local oferece benefícios como entrega imediata, facilidade de troca e atendimento próximo.
Ceia de Natal
A valorização cambial também pode pressionar os preços de vinhos, azeites, bacalhau, frutas secas e frutas importadas, como maçã, pera e uva. De acordo com a Fecomércio, esses produtos têm maior dependência de importações, mas a antecipação das compras por importadores e varejistas e a concorrência entre supermercados podem conter repasses mais expressivos.
A entidade prevê disponibilidade normal desses itens nas prateleiras, embora alguns produtos mais suscetíveis ao câmbio possam sofrer reajustes.
O economista Nélio Bordalo Filho, conselheiro do Conselho Regional de Economia dos Estados do Pará e Amapá (Corecon PA/AP), também avalia que o repasse da alta do dólar não costuma ser imediato. Estoques comprados com a moeda em patamares anteriores, contratos de importação e custos de transporte e distribuição influenciam o momento em que a variação chega ao consumidor.
Em Belém, acrescenta, os custos logísticos de abastecimento também merecem atenção. Caso o dólar permaneça elevado, a tendência é de maior pressão sobre os preços nas próximas reposições, principalmente nos produtos com componentes estrangeiros.
Como se planejar
Para o consumidor, Nélio Bordalo recomenda pesquisar os preços antes da Black Friday, comparar estabelecimentos e observar o valor final dos produtos, em vez de considerar apenas os percentuais de desconto anunciados.
A antecipação de compras pode ser vantajosa quando houver promoções reais e os gastos estiverem previstos no orçamento familiar. O economista também alerta para o uso do crédito, especialmente o rotativo do cartão, e para o risco de comprometer a renda dos primeiros meses de 2027 com parcelas assumidas no fim do ano.
“Mais importante do que aproveitar uma promoção é não transformar o consumo de fim de ano em uma dívida que comprometa os primeiros meses do ano seguinte”, orienta.
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