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Disparada

Dólar bate novo recorde e afeta bolso dos consumidores paraenses

Moeda ultrapassou R$ 5,90 e encarece produtos importados, entre eles, o trigo

Roberta Paraense

17 de maio de 2020 às 07:30

( Foto: Gary Cameron / Reuters )

A disparada do dólar, que bateu mais um recorde e ultrapassou o valor de R$ 5,90, afeta o bolso dos consumidores paraenses. Com o Euro Comercial também alto, batendo os R$ 6,37, e a libra comercial sendo vendida na casa dos R$ 7,22, os produtos importados acabam ficando mais caros nas prateleiras. Um dos maiores impactos é no valor do trigo, que reflete em vários outros alimentos.

Presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), Jorge Portugal explica que, no varejo, o reajuste das moedas estrangeiras pode ser sentido, por exemplo, no azeite ou no bacalhau. No final do ano, durante as festas, a moeda também impacta nas frutas da época. 

Porém, como as importações haviam caído e em algumas situações até paralisadas, ele afirma que ainda não é possível sentir esse aumento nos supermercados de Belém.

“Mas a conta vai vir. Como ele (dólar) está aumentando gradativamente, conforme vai chegando (a mercadoria), vai aumentando. A importação estava parada devido o coronavírus, mas o que começa a chegar, vem com preço novo”, observa Jorge Portugal.

O aumento do dólar reflete ainda nos produtos cujos insumos são importados. O trigo, por exemplo, já teve alta repassada aos comerciantes, de cerca de 15%. “Trigo é um dos produtos mais afetados, porque nós importamos e ele afeta em tudo, no pãozinho, no macarrão, nas massas, no biscoito”, ressalta o presidente da Aspas.

Proprietário de panificadora, o empresário Bruno Morgado esclarece que nos meses de janeiro e fevereiro, o preço do trigo (saco de 50 kg) estava, em média, R$ 115 e agora chega a até R$ 140. Isso impacta diretamente nos produtos vendidos pelo setor, em especial os pães.

“A gente repassou uma parte do aumento ainda em fevereiro e março e não teve um novo reajuste ainda porque com a queda do movimento, as padarias tinham estoque, pelo menos as nossas ainda tinham um estoque. Só que esse reajuste terá que ser repassado, porque as padarias, agora, com a covid-19, estão mais fragilizadas para segurar o preçoe não passar para o consumidor. Então, é inevitável que no mês de maio ou junho esse reajuste chegue no consumidor final”, declarou.

Segundo ele, não é possível minimizar o impacto, neste momento. “Você não pode comprar grandes quantidades, porque o seu gasto (consumo) está menor. Então, o trigo vai estragar. É aproveitar enquanto as empresas aqui em Belém ainda têm estoque, porque quando vier já vai estar com reajuste bem maior. Só nesse momento, por exemplo, o dólar está subindo quase 2%, 1,5%. Não tem como o trigo não acompanhar”.

Os sucessivos reajustes no valor do trigo, provocados pelo aumento do dólar, já refletem no preço do pão comercializado em Belém. No mês de abril, por exemplo, o quilo do produto teve reajuste de 6,34%, segundo a última pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA). Em março, ele era comercializado, em média, a R$ 10,56, e subiu para R$ 11,23, no mês seguinte. Isso influenciou na alimentação básica dos belenenses, que no geral ficou 3,67% mais cara, no mês de abril, em comparação ao mês de março.

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