O custo da educação em Belém aumentou 47,15% entre 2021 e 2025, quase 12 pontos percentuais acima da inflação acumulada no mesmo grupo de despesas no Brasil, de 35,78%. Os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a alta dos custos educacionais na capital paraense superou a média nacional em todos os anos do período.
O cenário preocupa as famílias com a aproximação do período de matrículas e rematrículas, quando as escolas começam a comunicar os valores que pretendem cobrar no ano letivo de 2027. Uma pesquisa nacional da consultoria Meira Fernandes indica que 80,66% das instituições consultadas pretendem reajustar as mensalidades entre 7% e 11% no próximo ano.
O levantamento, porém, não inclui escolas do Pará e não permite afirmar que esses percentuais serão aplicados em Belém. O Dieese/PA está realizando uma nova pesquisa para comparar os preços praticados em 2026 com os valores anunciados para 2027. Até a conclusão do levantamento, ainda não há um percentual médio consolidado de reajuste para a capital paraense.
Inflação da educação em Belém supera a do Brasil
A alta acumulada de 47,15% no grupo Educação em Belém ficou 11,37 pontos percentuais acima da variação nacional, de 35,78%, entre 2021 e 2025. Na comparação com o INPC geral brasileiro, que acumulou 31,74% no período, a diferença foi ainda maior: 15,41 pontos percentuais.
O grupo Educação do INPC inclui mensalidades e outras despesas educacionais. Portanto, o indicador não corresponde exclusivamente aos reajustes das escolas particulares.
A diferença entre os índices ajuda a dimensionar a pressão sobre o orçamento das famílias. Quando os gastos com educação aumentam mais do que os preços em geral e os salários não acompanham a mesma evolução, sobra menos dinheiro para despesas como alimentação, moradia, transporte e saúde.
O INPC é uma das referências utilizadas em negociações salariais no Brasil. A recomposição dos rendimentos, porém, depende da data-base de cada categoria, do período de inflação considerado e dos resultados das negociações.
Veja a inflação da educação entre 2021 e 2025
Segundo os dados do INPC/IBGE analisados pelo DIEESE/PA, a inflação do grupo Educação apresentou as seguintes variações anuais:
- 2021: alta de 6,71% em Belém e de 3,29% no Brasil. O INPC geral nacional foi de 10,16%.
- 2022: aumento de 8,76% em Belém e de 7,57% no país. A inflação geral brasileira ficou em 5,93%.
- 2023: a educação subiu 9,64% na capital paraense e 8,10% no Brasil, enquanto o INPC geral nacional foi de 3,71%.
- 2024: a alta chegou a 8,22% em Belém e a 6,66% na média nacional. O INPC geral brasileiro foi de 4,77%.
- 2025: os custos educacionais aumentaram 6,86% em Belém e 5,99% no país, ante inflação geral nacional de 3,90%.
No acumulado de cinco anos, os resultados foram:
- Educação em Belém: alta de 47,15%.
- Educação no Brasil: alta de 35,78%.
- INPC geral nacional: alta de 31,74%.
Escolas projetam reajustes de até 11% para 2027
Uma sondagem da consultoria Meira Fernandes, especializada em gestão educacional, identificou que 80,66% das instituições consultadas pretendem aumentar as mensalidades entre 7% e 11% em 2027.
A faixa mais citada foi a de 9% a 11%, mencionada por 44,20% das escolas. Outras 36,46% consideram reajustes entre 7% e 9%, enquanto 7,18% projetam aumentos superiores a 12%.
O levantamento foi realizado entre 11 de junho e 3 de agosto de 2026, com 1.500 escolas de oito estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e Roraima. Os resultados foram divulgados em reportagem da Folhapress publicada pelo Jornal de Brasília.
Como o Pará não integra a pesquisa, os percentuais servem como referência para acompanhar as expectativas do setor, mas não representam os reajustes confirmados para Belém.
Entre as justificativas apresentadas pelas instituições para os aumentos estão despesas com pessoal, investimentos pedagógicos, contratação de profissionais especializados, adequações tecnológicas e atrasos no recebimento das mensalidades. A definição do preço de cada escola deve considerar os custos que fundamentam o reajuste.
Pesquisa encontrou mensalidades com aumentos superiores a 20% em Belém
Em novembro de 2025, o DIEESE/PA divulgou uma pesquisa sobre os preços das escolas particulares de Belém para o primeiro semestre de 2026. O levantamento identificou reajustes superiores a 20% em vários casos, na comparação com os valores praticados em 2025.
A pesquisa reuniu informações de cerca de 40 instituições de ensino distribuídas por 15 bairros da capital, entre eles Batista Campos, Cremação, Guamá, Icoaraci, Jurunas, Marambaia, Marco, Nazaré, Pedreira, Sacramenta e Umarizal.
Foram analisadas mensalidades da Educação Infantil, do Ensino Fundamental I e II e do Ensino Médio, considerando os valores informados para o turno da manhã.
Além dos reajustes, o levantamento apontou diferenças expressivas entre as instituições. Na Educação Infantil, a distância entre os menores e os maiores valores pesquisados chegava a aproximadamente R$ 1.895,08 por mês. No Ensino Fundamental II, a diferença alcançava cerca de R$ 2.167,63.
Esses valores representam diferenças de preços entre escolas, e não aumentos aplicados por uma mesma instituição. Os custos variam conforme o nível de ensino, a localização, a estrutura física, a proposta pedagógica e os serviços oferecidos.
O resumo divulgado pelo DIEESE/PA não apresenta uma média geral dos reajustes nem os percentuais individuais de cada escola. Por isso, os aumentos superiores a 20% identificados em vários casos não devem ser interpretados como uma elevação uniforme em toda a rede particular de Belém.
Reajuste de 11% pode acrescentar R$ 1.320 por ano por aluno
O impacto dos reajustes pode ser calculado a partir do valor atual da mensalidade. Em uma escola que cobra R$ 1.000 por mês, um aumento de 7% elevaria o pagamento para R$ 1.070. Com reajuste de 11%, a mensalidade chegaria a R$ 1.110.
Considerando 12 parcelas, o aumento de 7% representaria R$ 840 adicionais por estudante ao longo do ano. Com reajuste de 11%, o acréscimo seria de R$ 1.320.
Para uma família com dois filhos que pagam mensalidades de R$ 1.000 cada, um reajuste de 11% acrescentaria R$ 220 às despesas mensais. Em 12 parcelas, o gasto adicional chegaria a R$ 2.640.
O cálculo não inclui despesas com material escolar, uniformes, transporte, alimentação e atividades complementares, que também podem pesar no orçamento.
Desconto na rematrícula não significa pagar menos
Durante o período de matrícula e rematrícula, as escolas costumam divulgar descontos e condições especiais de pagamento. Para avaliar se a oferta realmente compensa, os responsáveis devem comparar o valor final da mensalidade com o que pagavam no ano anterior.
Uma mensalidade de R$ 1.000, por exemplo, chegaria a R$ 1.110 após um reajuste de 11%. Se a escola oferecesse um desconto de 5% sobre o novo valor, o pagamento seria de R$ 1.054,50.
Mesmo com o desconto, a família pagaria R$ 54,50 a mais por mês do que no ano anterior. A diferença seria de 5,45% em relação à mensalidade original.
Também é importante verificar se o desconto vale durante todo o ano letivo, quais condições precisam ser cumpridas para mantê-lo e quais despesas são cobradas separadamente.
O que diz a lei sobre o reajuste das mensalidades escolares?
A Lei nº 9.870/1999 estabelece regras para a definição dos valores das anuidades e semestralidades escolares. A legislação prevê que a variação de custos utilizada para justificar o novo preço seja demonstrada por meio de planilha.
A norma também determina que a proposta de contrato, o valor da anuidade ou semestralidade e o número de vagas por turma sejam divulgados com antecedência mínima de 45 dias da data final para matrícula.
A lei não estabelece um teto percentual único de reajuste vinculado à inflação. Isso não dispensa, porém, a instituição de apresentar a documentação exigida para justificar a variação dos custos.
Diante de um aumento expressivo, os responsáveis podem solicitar esclarecimentos sobre a composição do preço e conferir as condições previstas no contrato.

