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DESENROLA 2.0

Desenrola 2.0: Economista aponta quando aderir ao programa vale a pena e quais cuidados tomar

Prorrogado até 31 de agosto, programa oferece descontos de até 90% nas dívidas e juros reduzidos, mas exige planejamento financeiro para evitar novo endividamento

Gabi Gutierrez

6 de agosto de 2026 às 18:48

Para organizar suas finanças, tente limitar o uso do cartão de crédito e renegociar suas dívidas.

Para organizar suas finanças, tente limitar o uso do cartão de crédito e renegociar suas dívidas. ( Foto: Foto: Freepik )

Os brasileiros ganharam mais um mês para renegociar dívidas bancárias por meio do Desenrola Brasil 2.0. O Ministério da Fazenda prorrogou o prazo de adesão ao programa até 31 de agosto, mantendo as regras já vigentes para negociação de débitos com instituições financeiras participantes.

A iniciativa busca facilitar a regularização financeira de pessoas físicas, permitindo descontos expressivos, redução das taxas de juros e condições especiais de parcelamento. No entanto, especialistas alertam que a adesão deve ser feita com planejamento para que a renegociação não se transforme em uma nova fonte de endividamento.

Para o economista Cleber Albuquerque, a principal vantagem do programa está na possibilidade de reduzir significativamente o valor das dívidas.

"Em alguns casos, os descontos podem chegar a até 90% para quem consegue quitar o débito à vista. Isso permite que a pessoa regularize sua situação financeira e volte a ter acesso ao crédito", afirma.

Segundo ele, recuperar o acesso ao mercado de crédito pode representar uma oportunidade para financiar bens que contribuam para aumentar a renda familiar, como um veículo utilizado para trabalho.

Juros menores e possibilidade de parcelamento

Outra vantagem destacada pelo economista é a redução dos juros cobrados sobre as dívidas renegociadas. "O programa reduz uma taxa que normalmente é muito elevada, principalmente em dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito rotativo. No Desenrola, existe um limite de até 1,99% ao mês, o que representa uma economia importante para quem está pagando juros muito altos", explica.

Para quem não consegue quitar a dívida integralmente, o parcelamento também pode ser uma alternativa. Segundo Albuquerque, o ideal é que a parcela caiba no orçamento da família, evitando que a renegociação resulte em novos atrasos.

"Mesmo que o desconto seja menor do que no pagamento à vista, parcelar dentro da capacidade financeira pode dar um fôlego ao orçamento e impedir que a dívida volte a crescer."

Uso do FGTS pode ajudar, mas exige cautela

O economista também considera positiva a possibilidade de utilizar parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para amortizar o valor da dívida. Segundo ele, essa alternativa pode acelerar a regularização financeira e reduzir o peso dos juros acumulados ao longo do tempo.

Entretanto, faz um alerta para que o recurso seja utilizado apenas quando houver segurança de que a negociação será cumprida.

"O FGTS é uma reserva do trabalhador. Se a pessoa utilizar esse saldo de forma imprudente e continuar sem condições de pagar as parcelas negociadas, ela perde essa proteção financeira e ainda pode voltar a se endividar."

Unificar dívidas facilita o controle financeiro

Para quem possui diversos débitos, o Desenrola também pode representar uma oportunidade de reorganizar as finanças.

De acordo com Rezende, a renegociação permite concentrar diferentes dívidas em um único compromisso financeiro, reduzindo os juros e facilitando o controle do orçamento.

"A pessoa deixa de administrar vários boletos, cada um com uma taxa diferente, e passa a ter apenas uma dívida, geralmente com juros menores e condições mais favoráveis."

O economista destaca que o programa é especialmente indicado para famílias com renda de até cinco salários mínimos, público prioritário da iniciativa.

Quando aderir pode não ser uma boa escolha

Apesar das vantagens, o especialista afirma que nem todos os consumidores devem aderir automaticamente ao programa. Segundo ele, pessoas que não possuem controle sobre o orçamento ou têm renda instável precisam avaliar cuidadosamente a capacidade de pagamento antes de renegociar.

"Se a pessoa faz a renegociação, mas não consegue pagar as parcelas, ela apenas troca uma dívida por outra. Nesse caso, o programa deixa de cumprir seu objetivo e pode agravar a situação financeira."

Ele também alerta para trabalhadores sem estabilidade de renda que pretendem utilizar o FGTS sem planejamento.

"Nessas situações, a utilização do fundo pode acabar prejudicando o trabalhador, porque ele perde uma reserva importante sem conseguir resolver definitivamente o problema financeiro."

Cinco passos antes de aderir ao Desenrola

Antes de aceitar uma proposta de renegociação, Cleber Rezende recomenda que o consumidor siga algumas etapas para tomar uma decisão consciente:

  • Faça uma simulação no sistema do Desenrola para comparar descontos e condições de pagamento;
  • Solicite o saldo atualizado da dívida junto à instituição financeira, identificando o valor principal, multas e juros;
  • Organize o orçamento familiar, levantando todas as receitas e despesas para verificar quanto pode ser destinado às parcelas;
  • Leia atentamente o contrato antes de concluir a negociação, verificando todas as cláusulas e condições;
  • Procure orientação especializada, caso ainda tenha dúvidas sobre juros, custos da operação ou viabilidade da renegociação.

Programa foi prorrogado

O Ministério da Fazenda prorrogou o Desenrola Brasil 2.0 até 31 de agosto, permitindo que consumidores concluam negociações em andamento e regularizem a situação de crédito.

A prorrogação vale para instituições financeiras que já participavam do programa e não altera as regras da iniciativa. Segundo o governo federal, a medida também beneficia trabalhadores que pretendem contratar novos financiamentos, como motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e caminhoneiros interessados na troca de veículos por meio de programas de crédito disponíveis.

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