Os desafios do agronegócio em um cenário considerado de “incertezas” serão abordados no 59º Encontro Ruralista, promovido pelo Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Estado do Pará (Fundepec) e sindicatos, com o apoio da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O evento começou nesta terça-feira (6) e prossegue na quarta (7), na sede do Palácio da Agricultura, no bairro de Nazaré, em Belém.
Nos dois dias de conversa, lideranças sindicais, coordenadores dos Núcleos Regionais e produtores rurais dos 144 municípios paraenses vão discutir diversos assuntos de interesse do segmento agrícola, além de abordar a realização da COP-30 no Estado, o Crédito de Carbono e a Monetização das Florestas. A intenção é, de fato, discutir as prioridades para o agronegócio, já que a Frente Parlamentar da Agricultura do Estado do Pará estará no encontro para colher as "escutas".
Para o presidente da Faepa, Carlos Xavier, é muito importante a participação de todos os ruralistas para que se possa assegurar o desenvolvimento do setor agrícola e pecuário no Estado, levando-se em conta as diferentes regiões do Pará, que têm também diferentes demandas a serem atendidas. “Vamos discutir sobre o que interessa ao Pará. Teremos palestras sobre o que está sendo discutido no Congresso Nacional, como o marco temporal, além de assuntos nossos. A COP-30 vem tratando questões climáticas e vamos nos preparar porque o mundo inteiro vem para cá”, disse Carlos Xavier dando um panorama dos assuntos que serão discutidos.
Na ampla lista de palestras, também serão abordados nos dois dias de eventos a Reforma Tributária; orientações sobre embargos ambientes; planos estratégicos e o combate à Influenza Aviária, entre outros assuntos.

Principais demandas discutidas
Segundo o zootecnista e diretor técnico da Federação da Agricultura do Estado, Guilherme Minssen, debater os desafios é de suma importância porque permite que os próprios ruralistas possam entender e ver o que está evoluindo na pecuária da região, e o que ainda está faltando.
“O agronegócio na Amazônia se faz com qualidade. Hoje somos exportadores de carne, peixe, grão, frutas, e principalmente a cultura do cacau, dendê, o açaí nem se fale”, destacou Guilherme Minssen.
Dentre os principais desafios encarados pela classe rural, o zootecnista destaca a segurança jurídica, a maior delas. “Você ter o seu trabalho em uma área e essa área você ter possa dela, você poder trabalhar nela e saber que você está trabalhando e colher”, mencionou as vantagens de buscar a legalidade.
Segundo Guilherme, o produtor rural está enfrentando uma crise atualmente, pelo fato das “carnes estarem sem preço” e do próprio produto. “Nós temos pessoas que estão conseguindo resistir no setor. Isso nos deixa aflito porque se para esse produtor rural faltar hoje, que conseguir vender a carne, não vende o boi, amanhã não tem mercado”, disse, dando ênfase que precisam dar uma atenção maior a essa problemática.
‘Não estamos vendo os preços refletirem no consumidor’, diz produtora rural
A presidente da Comissão das Mulheres do Agro do Estado e produtora rural de Rondon do Pará, Cristina Malcher, relatou que a classe está passando por grandes desafio,s como por exemplo a do final do ano passado e início deste ano de 2023 tiveram incidências de cigarrinhas, que é considerada uma praga.
“A gente vai passar agora pelo processo do El Niño, a questão da arroba do boi, que está um preço muito baixo e isso a gente não tá vendo refletir no consumidor. Vamos levar a pauta ao legislativo como no judirício”, afirmou Cristina.
Outra preocupação citada pela produtora é a regularização fundiária, que segundo ela, ainda não chegou em sua totalidade, mas que possui boas expectativas. “Espero que a gente consiga ter o nosso Pará completamente identificado e documentado ao produtor rural e questão ambiental, porque temos discussões que são muitas vezes ideológicas, discussões mercadológicas, e não dentro do nosso Código Florestal”, complementou Cristina Malcher.
Para o produtor rural de Cachoeira do Arari, no Marajó (PA), Paulo Cesar Quartieto, uma das suas maiores preocupações é a forma como a agricultura tem sido trabalhada no país. Apesar de acreditar que o Brasil tem potencial, ele está observando que nos últimos meses estão tentando “boicotar” o setor misturando questões políticas.
“Estamos defendendo mais interesse externo. Parece que não querem que o Brasil se desenvolva e querem estabelecer um novo socialismo. Temos que entender que a Amazônia é patrimonialismo dos brasileiros, e a ferramenta para não deixar se desenvolver é a questão ambiental. Isso é extremamente danoso e precisa ser revertido”, declarou Paulo Cesar.
