Crise de grandes varejistas ameaça sobrevivência de pequenos negócios no Pará, alerta Fecomércio
Atrasos de repasses e congelamento de crédito por marcas nacionais asfixiam fornecedores locais
O aumento de 20% nos pedidos de recuperação judicial de redes nacionais no primeiro trimestre deste ano coloca em risco o funcionamento de micro e pequenas empresas paraenses, segundo alerta da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio-PA). A entidade aponta que o calote ou atraso nos pagamentos congela o caixa de fornecedores regionais, além de aumentar o custo de capital de giro, fazendo com que empreendedores lutem para manter as portas abertas.
Mais de mil corporações brasileiras acionaram a Justiça para renegociar dívidas e reestruturar operações sem deixar de funcionar, mas a manobra estrangula a base operacional, alerta a instituição. "A crise no topo da cadeia produtiva gera reflexos diretos na economia do Pará, exigindo atenção cautelosa e medidas de proteção ao empresariado local", destaca o documento.
O presidente do Sistema Fecomércio-PA, Sebastião de Oliveira Campos, avalia que o peso dessas reestruturações recai fortemente sobre quem tem menor capacidade de caixa para aguentar calotes.
"Quando uma grande empresa nacional entra em recuperação judicial, o efeito dominó afeta diretamente o pequeno fornecedor de serviços ou produtos no Pará, que muitas vezes não dispõe de caixa para suportar a inadimplência ou a espera do plano judicial", afirma Campos.
A entidade reforça a urgência de se criar amparo legal e financeiro para proteger os estabelecimentos que sustentam a maior fatia dos empregos formais na região. "Precisamos garantir mecanismos de socorro e liquidez para que a crise nacional não se desdobre em um fechamento significativo de pequenos estabelecimentos em nosso Estado", acrescenta o presidente.
Setores vulneráveis e medidas de socorro
Para mitigar os prejuízos aos empresários, a Fecomércio cobra a articulação junto aos bancos públicos regionais para injetar recursos nas operações locais. O objetivo é viabilizar "financiamentos desburocratizados e com carência estendida voltados a micro e pequenas empresas afetadas por débitos de grandes redes", aponta a nota técnica.
Outro apelo do comércio envolve o diálogo com as administrações tributárias estadual e municipal para aliviar o peso dos impostos sobre os negócios em dificuldade. A proposta pede "maior flexibilidade no parcelamento e na regularização de obrigações tributárias de empresas em comprovada fragilidade financeira", diz o texto. Como contrapartida, a federação promete ampliar o suporte técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial no Pará (Senac Pará) para orientar a classe patronal sobre diversificação de fornecedores.
O levantamento lista ainda os segmentos estaduais mais expostos à crise, encabeçados pelos serviços de logística e transporte regional e pela cadeia de moda. A área de vestuário e calçados, por exemplo, é composta por pequenos empreendedores e facções que "enfrentam atrasos de pagamentos ou cancelamento de pedidos", alerta a federação.
Completam o alerta as lojas instaladas em shoppings centers e o varejo de eletroeletrônicos e móveis, prejudicados pelo recuo no consumo e pela retração nos financiamentos. A análise técnica conclui que este último é um "setor altamente dependente de crédito ao consumidor e parcerias com grandes distribuidoras nacionais, sofrendo com margens reduzidas", descreve o documento.
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