A oferta de alimentos funcionais, como farinhas especiais, sementes e grãos, ganha espaço nas prateleiras dos supermercados de Belém. O movimento acompanha uma mudança de comportamento do consumidor local, motivado pela busca por uma rotina alimentar mais saudável. A tendência comercial se consolidou com maior clareza há cerca de dois anos, embora a demanda na capital ainda seja considerada inicial pelas redes varejistas.
A maior parte desses produtos comercializados na capital paraense vem das regiões Sudeste e Nordeste do país. "A procura está começando a crescer, mas ainda é tímida. É um movimento semelhante ao que ocorreu com os produtos diet e sem lactose", avalia Jorge Portugal, presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas).
De acordo com o representante do setor, a expansão das mercadorias atende diretamente ao interesse da população por saudabilidade. "Essa é uma tendência observada de cerca de dois anos para cá", completa Jorge Portugal.
O custo desses alimentos, contudo, varia significativamente conforme o estabelecimento escolhido pelo consumidor. O farelo de aveia, por exemplo, é comercializado por cerca de R$ 10 nos supermercados locais, enquanto o quilo do mesmo produto custa entre R$ 5 e R$ 6 em lojas de produtos naturais. "O supermercado acaba sendo mais caro mesmo. Nas lojas de produtos naturais a gente encontra sementes e outros suplementos, e o custo-benefício é bem melhor", relata a nutricionista Ana Beatriz Martins, de 22 anos, que consome esses itens há seis anos para enriquecer a dieta. A profissional costuma realizar as suas compras em um estabelecimento especializado no bairro de Nazaré.

Marketing e evidências científicas dividem as prateleiras
Diante da expansão das opções nas gôndolas, profissionais de saúde orientam os consumidores a diferenciar as propriedades reais dos alimentos dos apelos publicitários. Alimentos como a chia e a linhaça possuem eficácia comprovada cientificamente para o controle do colesterol, aumento da saciedade e bom funcionamento intestinal. Outros itens, como a farinha de amêndoas, demandam consumo moderado devido ao alto teor de gorduras e valor elevado.
"Muitas vezes o marketing acaba extrapolando aquilo que a ciência realmente comprova. Não existe de fato um alimento milagroso", alerta Samara Queiroz, nutricionista clínica e doutoranda em Endocrinologia.
Especialistas também defendem a necessidade de manter uma alimentação equilibrada sem depender exclusivamente de itens caros ou de produtos que ganham fama na mídia. O mercado atual apresenta uma forte tendência de inserção de proteínas em múltiplos produtos funcionais, o que pode encarecer a rotina sem necessidade real para o organismo. "A indústria acaba realmente superestimando. Se a gente conseguir fazer o básico bem feito, o feijão com arroz e um pão com ovo já serve", pontua Ana Beatriz Martins.

Biodiversidade da Amazônia oferece alternativas mais baratas
Como alternativa aos produtos trazidos de outras gôndolas nacionais, a biodiversidade da Amazônia oferece opções altamente nutritivas e financeiramente mais acessíveis para os moradores de Belém. A castanha do Pará atua como excelente fonte natural de selênio para o sistema imunológico, enquanto o açaí puro se destaca pelos antioxidantes e gorduras saudáveis. Frutas como pupunha, tucumã e cupuaçu também fornecem fibras, vitaminas e compostos bioativos essenciais. "Esses alimentos vão valorizar a nossa cultura alimentar, fortalecer a economia local e, em muitos casos, têm um custo até mais acessível", conclui Samara Queiroz.