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DIETA SAUDÁVEL

Cresce a procura por alimentos funcionais em Belém; nutricionistas alertam para excessos do mercado

Sementes e farinhas especiais têm ganhado espaço em supermercados da capital paraense, mas preços em lojas de produtos naturais são menores

Gabriel da Mota

25 de julho de 2026 às 07:00

A nutricionista Ana Beatriz Martins, 22, consome esses itens há seis anos para enriquecer a dieta

A nutricionista Ana Beatriz Martins, 22, consome esses itens há seis anos para enriquecer a dieta ( Foto: Thiago Gomes / O Liberal )

A oferta de alimentos funcionais, como farinhas especiais, sementes e grãos, ganha espaço nas prateleiras dos supermercados de Belém. O movimento acompanha uma mudança de comportamento do consumidor local, motivado pela busca por uma rotina alimentar mais saudável. A tendência comercial se consolidou com maior clareza há cerca de dois anos, embora a demanda na capital ainda seja considerada inicial pelas redes varejistas.

A maior parte desses produtos comercializados na capital paraense vem das regiões Sudeste e Nordeste do país. "A procura está começando a crescer, mas ainda é tímida. É um movimento semelhante ao que ocorreu com os produtos diet e sem lactose", avalia Jorge Portugal, presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas).

De acordo com o representante do setor, a expansão das mercadorias atende diretamente ao interesse da população por saudabilidade. "Essa é uma tendência observada de cerca de dois anos para cá", completa Jorge Portugal.

O custo desses alimentos, contudo, varia significativamente conforme o estabelecimento escolhido pelo consumidor. O farelo de aveia, por exemplo, é comercializado por cerca de R$ 10 nos supermercados locais, enquanto o quilo do mesmo produto custa entre R$ 5 e R$ 6 em lojas de produtos naturais. "O supermercado acaba sendo mais caro mesmo. Nas lojas de produtos naturais a gente encontra sementes e outros suplementos, e o custo-benefício é bem melhor", relata a nutricionista Ana Beatriz Martins, de 22 anos, que consome esses itens há seis anos para enriquecer a dieta. A profissional costuma realizar as suas compras em um estabelecimento especializado no bairro de Nazaré.

Ana Beatriz costuma comprar seus produtos naturais em um estabelecimento especializado no bairro de Nazaré, onde os preços são mais em conta
Ana Beatriz costuma comprar seus produtos naturais em um estabelecimento especializado no bairro de Nazaré, onde os preços são mais em conta (Thiago Gomes / O Liberal)

Marketing e evidências científicas dividem as prateleiras

Diante da expansão das opções nas gôndolas, profissionais de saúde orientam os consumidores a diferenciar as propriedades reais dos alimentos dos apelos publicitários. Alimentos como a chia e a linhaça possuem eficácia comprovada cientificamente para o controle do colesterol, aumento da saciedade e bom funcionamento intestinal. Outros itens, como a farinha de amêndoas, demandam consumo moderado devido ao alto teor de gorduras e valor elevado.

"Muitas vezes o marketing acaba extrapolando aquilo que a ciência realmente comprova. Não existe de fato um alimento milagroso", alerta Samara Queiroz, nutricionista clínica e doutoranda em Endocrinologia.

Especialistas também defendem a necessidade de manter uma alimentação equilibrada sem depender exclusivamente de itens caros ou de produtos que ganham fama na mídia. O mercado atual apresenta uma forte tendência de inserção de proteínas em múltiplos produtos funcionais, o que pode encarecer a rotina sem necessidade real para o organismo. "A indústria acaba realmente superestimando. Se a gente conseguir fazer o básico bem feito, o feijão com arroz e um pão com ovo já serve", pontua Ana Beatriz Martins.

Farelo de aveia e sementes de chia, girassol e abóbora são alguns exemplos de alimentos funcionais
Farelo de aveia e sementes de chia, girassol e abóbora são alguns exemplos de alimentos funcionais (Thiago Gomes / O Liberal)

Biodiversidade da Amazônia oferece alternativas mais baratas

Como alternativa aos produtos trazidos de outras gôndolas nacionais, a biodiversidade da Amazônia oferece opções altamente nutritivas e financeiramente mais acessíveis para os moradores de Belém. A castanha do Pará atua como excelente fonte natural de selênio para o sistema imunológico, enquanto o açaí puro se destaca pelos antioxidantes e gorduras saudáveis. Frutas como pupunha, tucumã e cupuaçu também fornecem fibras, vitaminas e compostos bioativos essenciais. "Esses alimentos vão valorizar a nossa cultura alimentar, fortalecer a economia local e, em muitos casos, têm um custo até mais acessível", conclui Samara Queiroz.