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ENTENDA

Coordenadora econômica de Flávio explica plano de diminuição do Bolsa Família

Plano da campanha de Flávio Bolsonaro visa ajustar contas públicas e controlar a dívida, buscando inspiração no modelo econômico implementado na Argentina

Estadão Conteúdo

19 de outubro de 2026 às 13:32

Os beneficiários podem sacar os valores pelo aplicativo Caixa Tem e Internet Banking.

Os beneficiários podem sacar os valores pelo aplicativo Caixa Tem e Internet Banking. ( Foto: Foto: Luis Lima Jr./ Fotoarena/ Estadão Conteúdo )

A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, disse em entrevista à CBN Bahia que planeja implementar uma regra de transição de dois anos no Bolsa Família para que os beneficiários abram seus negócios ou aceitem empregos de carteira assinada. A meta é reduzir a importância do programa. A geração de mais empregos, no entanto, não foi comentada.

"As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família, aquilo é uma proteção mas é o início de uma jornada e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade. É justamente nisso que a gente quer focar, esse é o coração do plano do Flávio", afirmou Marques.

Segundo a coordenadora econômica da campanha do Partido Liberal (PL), o plano de Flávio tem como um de seus pilares o ajuste das contas públicas, permitindo um controle da dívida e uma eventual queda dos juros reais, seguindo o modelo de Javier Milei, na Argentina. O "tesouraço" prometido por Flávio Bolsonaro, segundo Daniella Marques, será em cima de impostos e burocracia.

O modelo da "motosserra" de Milei

A economia da Argentina sob o governo de Javier Milei partiu de um plano de cortes tendo como símbolo uma "motosserra". Atualmente, apresenta um cenário de forte contraste entre o rigor fiscal/controle da inflação e as dificuldades no mercado interno e na renda da população. A inflação mensal desacelerou para 1,7% em agosto de 2026, com o acumulado em 12 meses, chegando a cerca de 33%. No Brasil, a inflação acumulada é de 4,58%.

Já a taxa de pobreza atingiu 32,3% no primeiro semestre de 2026, e pesquisas de consumo apontam que dois em cada três argentinos relatam ficar sem dinheiro antes do fim do mês, com forte aumento no endividamento das famílias. A taxa de desemprego subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, acompanhada pela migração de trabalhadores para a informalidade e queda nos postos formais de trabalho.