SEX · 02 OUT 2026Assine

VERANEIO AMAZÔNICO

Construção civil do Pará lidera no Norte com quase 100 mil empregos formais durante veraneio

Estudo do Observatório do Trabalho aponta saldo positivo de empregos, fortalecimento da atividade e perspectiva de expansão das obras no segundo semestre de 2026

Jéssica Nascimento

22 de julho de 2026 às 10:24

A expectativa é de que a construção civil mantenha trajetória de crescimento durante o segundo semestre de 2026, especialmente nos municípios que concentram investimentos em infraestrutura, mineração, logística, saneamento, habitação e expansão urbana.

A expectativa é de que a construção civil mantenha trajetória de crescimento durante o segundo semestre de 2026, especialmente nos municípios que concentram investimentos em infraestrutura, mineração, logística, saneamento, habitação e expansão urbana. ( Foto: Foto: Oswaldo Forte / O Liberal )

A chegada do veraneio amazônico deve impulsionar a construção civil no Pará no segundo semestre de 2026. A redução do período chuvoso, aliada à continuidade dos investimentos públicos e privados, à expansão do mercado imobiliário e à execução de grandes obras de infraestrutura, cria um cenário favorável para a ampliação das atividades do setor, que já mantém 98.348 trabalhadores com carteira assinada, o equivalente a mais da metade dos empregos formais da construção em toda a Região Norte.

Os dados fazem parte de estudo elaborado pelo Observatório do Trabalho, Emprego e Renda do Estado do Pará, iniciativa desenvolvida em parceria entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster). O levantamento analisa o desempenho recente da construção civil paraense e apresenta perspectivas para o restante de 2026.

Construção acompanha recuperação nacional

Segundo as análises do Dieese/PA, o desempenho da construção civil paraense acompanha a retomada da atividade em todo o país. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que o setor cresceu 2,9% no primeiro trimestre de 2026, revertendo a retração registrada no fim de 2025.

"O crescimento foi sustentado principalmente pelos investimentos em infraestrutura, pelo aumento dos lançamentos imobiliários e pela expansão das vendas de imóveis, fatores que garantem elevado volume de obras em execução ao longo de 2026", destacam os técnicos do Dieese/PA.

Em 2025, os lançamentos imobiliários cresceram 13,9%, enquanto as vendas avançaram 7,2%, fortalecendo o ambiente para novos investimentos.

Pará cria empregos e mantém quase 100 mil vínculos formais

Entre janeiro e maio de 2026, a construção civil paraense registrou saldo positivo de 724 empregos formais, resultado de 33.122 admissões e 32.398 desligamentos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo Dieese/PA.

Com isso, o setor alcançou 98.348 vínculos formais, crescimento de 0,74% no período.

Principais indicadores da construção civil no Pará

  • Admissões: 33.122
  • Desligamentos: 32.398
  • Movimentação total: 65.520
  • Saldo de empregos: +724
  • Estoque de empregos formais: 98.348
  • Crescimento do estoque: 0,74%
  • Tempo médio de permanência dos desligados: 13,7 meses

Rotatividade faz parte da dinâmica das obras

As análises do Dieese mostram que a movimentação intensa de admissões e desligamentos é característica da construção civil, uma vez que as contratações variam conforme as etapas de cada empreendimento.

"À medida que uma fase da obra é concluída, determinadas funções deixam de ser necessárias enquanto outras passam a ser demandadas. No entanto, o elevado número de desligamentos também pode refletir rotatividade, contratos de curta duração, terceirização e menor estabilidade para parte dos trabalhadores", avalia o Dieese/PA.

O estudo aponta que o tempo médio de permanência dos trabalhadores desligados foi de 13,7 meses, indicando vínculos de pouco mais de um ano.

Construção responde por quase 10% do emprego formal do estado

Considerando todos os setores da economia paraense, entre janeiro e maio de 2026 foram criados 12.813 empregos formais, resultado de 216.878 admissões e 204.065 desligamentos.

O setor de Serviços liderou a geração de vagas, seguido pela Indústria, Comércio e Construção Civil.

Saldo de empregos formais por setor

  1. Serviços: +9.239
  2. Indústria: +2.053
  3. Comércio: +1.964
  4. Construção Civil: +724
  5. Agropecuária: -1.167

Segundo o Dieese/PA:

"A construção civil respondeu por 15,3% das admissões e 15,9% dos desligamentos registrados na economia paraense e concentrou aproximadamente 9,7% de todos os vínculos formais existentes no estado."

Municípios ligados à mineração lideram geração de empregos

As análises mostram forte concentração da geração de empregos em municípios associados à mineração, infraestrutura e grandes projetos de investimento.

Parauapebas liderou o ranking estadual com ampla vantagem sobre os demais municípios.

Municípios com maiores saldos de emprego na construção civil (1º semestre de 2026)

  1. Parauapebas — 1.527
  2. Marabá — 512
  3. Canaã dos Carajás — 464
  4. Santarém — 235
  5. Altamira — 231
  6. Curionópolis — 170
  7. Benevides — 126
  8. Redenção — 122
  9. Santana do Araguaia — 113
  10. Tucumã — 108

"Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás concentraram a maior parte do saldo positivo de empregos, refletindo a continuidade dos investimentos em mineração, infraestrutura e expansão urbana", destacam as análises do Dieese/PA.

Pará concentra mais da metade dos empregos da construção na Região Norte

Entre janeiro e maio de 2026, a construção civil da Região Norte registrou:

  • Admissões: 60.099
  • Desligamentos: 55.163
  • Saldo: +4.936 empregos
  • Estoque formal: 178.247 vínculos
  • Crescimento do estoque: 2,85%

O Pará manteve a liderança regional.

Participação do Pará na Região Norte

  • 55,1% das admissões
  • 58,7% dos desligamentos
  • 55,2% do estoque formal da construção

"Mais da metade dos trabalhadores formais da construção civil da Região Norte está empregada no Pará, consolidando a liderança do Estado no setor", ressaltam os técnicos do Dieese/PA.

Veraneio deve acelerar obras no segundo semestre

Para o Dieese/PA, o período de estiagem cria condições favoráveis para intensificar os canteiros de obras em todo o Estado.

"A redução das chuvas, associada aos investimentos públicos e privados, à expansão imobiliária e à execução de grandes empreendimentos de infraestrutura, tende a ampliar a demanda por trabalhadores e fortalecer o dinamismo econômico da construção civil ao longo do segundo semestre", afirmam as análises.

Desafio é transformar crescimento em empregos mais estáveis

Apesar das perspectivas positivas, o Dieese alerta que a expansão da atividade precisa ser acompanhada por políticas voltadas à valorização do trabalho.

"O crescimento da construção civil deve vir acompanhado de qualificação profissional, fortalecimento da negociação coletiva, valorização da mão de obra e melhoria das condições de saúde e segurança nos canteiros de obras", destaca o estudo.

O órgão também chama atenção para os impactos das altas temperaturas durante o veraneio amazônico.

"É fundamental garantir água potável, pausas adequadas, áreas de descanso, equipamentos de proteção e organização das jornadas compatíveis com as condições climáticas, reduzindo a exposição dos trabalhadores ao estresse térmico", conclui o Dieese/PA.

A expectativa é de que a construção civil mantenha trajetória de crescimento durante o segundo semestre de 2026, especialmente nos municípios que concentram investimentos em infraestrutura, mineração, logística, saneamento, habitação e expansão urbana. Para o Dieese, o desafio será transformar esse dinamismo em empregos formais mais estáveis, melhores salários, maior proteção social e condições adequadas de trabalho para os trabalhadores paraenses.