O concreto aparente tem ganhado espaço na arquitetura contemporânea e pode representar uma alternativa para quem busca aliar estética e funcionalidade na construção. Quando utilizado como estrutura e acabamento ao mesmo tempo, o material permite eliminar algumas etapas da obra, com potencial para reduzir gastos com mão de obra, materiais e manutenção. No entanto, a economia depende das características de cada projeto.
“Ele voltou com muita força na arquitetura contemporânea. Mas não enxergamos apenas como uma tendência. É um material atemporal, que hoje aparece de forma muito mais sofisticada, combinado com madeira, pedras naturais, iluminação e vegetação”, explica a arquiteta Nyara Coutinho.
Segundo a profissional, o concreto aparente não precisa estar associado exclusivamente a ambientes com estética industrial. A combinação com outros materiais e elementos decorativos permite explorar diferentes propostas arquitetônicas.
“Ele não precisa ter necessariamente aquela estética industrial ou fria”, acrescenta.
Concreto aparente é mais barato que a alvenaria tradicional?
O custo do concreto aparente por metro quadrado varia conforme o projeto, as fôrmas utilizadas, a mão de obra e o acabamento desejado. Por isso, não existe um valor único que permita afirmar que a solução é sempre mais barata do que a alvenaria tradicional.
“Não existe um valor único por metro quadrado, porque depende muito do projeto, das fôrmas, da mão de obra e do acabamento desejado”, afirma Nyara.
A possibilidade de economia está principalmente na redução das etapas construtivas. Quando o concreto desempenha tanto a função estrutural quanto a de acabamento, a obra pode dispensar procedimentos como reboco, aplicação de massa, pintura e determinados revestimentos.
“E ele não é necessariamente mais barato. A economia acontece principalmente quando conseguimos fazer o concreto funcionar como estrutura e acabamento ao mesmo tempo, eliminando etapas que teríamos na alvenaria tradicional, como reboco, massa, pintura ou outros revestimentos”, detalha a arquiteta.
Isso significa que a comparação entre os métodos construtivos precisa considerar o custo total da execução, e não apenas o preço dos materiais. A economia obtida com a retirada de algumas etapas pode ser influenciada por despesas com fôrmas, execução especializada e cuidados necessários para garantir a aparência final da superfície.
Quanto é possível economizar com a manutenção?
A redução de custos também pode ocorrer depois da conclusão da obra. Como o concreto aparente não depende necessariamente de pintura ou de outros revestimentos convencionais, a solução pode diminuir a frequência de determinados serviços de manutenção.
O resultado, porém, está relacionado à qualidade da execução e às condições de conservação da estrutura. O material não elimina a necessidade de inspeções, cuidados e eventuais reparos.
“Não gostamos de estabelecer uma porcentagem, porque varia muito de obra para obra. Mas existe uma economia possível tanto na execução quanto ao longo dos anos”, explica Nyara Coutinho.
A arquiteta destaca que a redução de etapas pode representar economia de recursos e de tempo durante a construção.
“Quando eliminamos etapas de acabamento, reduzimos materiais, mão de obra e tempo de obra. E, se o concreto for bem executado, também diminuímos a necessidade de manutenção e repinturas”, afirma.
Por isso, a análise financeira deve considerar não apenas o investimento inicial, mas também as despesas previstas ao longo da utilização do imóvel.
“Para nós, economia em arquitetura não é só olhar o material mais barato, mas entender quanto aquela escolha vai custar durante toda a vida útil da obra”, ressalta.
Onde o concreto aparente pode ser utilizado?
A versatilidade é uma das características do material, que pode ser incorporado a diferentes tipos de projetos, desde residências até estabelecimentos comerciais e empreendimentos corporativos.
“É muito versátil. Podemos usar em residências, clínicas, lojas, escritórios, fachadas e projetos corporativos, seja em paredes, pilares, vigas, lajes ou apenas como um elemento de destaque”, explica Nyara.
A aplicação não precisa ocorrer em todos os ambientes. O concreto pode ser utilizado em superfícies específicas para criar contraste com outros acabamentos ou destacar elementos arquitetônicos.
A combinação com materiais naturais também ajuda a diversificar o resultado visual. “Gostamos principalmente de equilibrar a força do concreto com materiais mais acolhedores, como madeira, pedras naturais, vegetação e uma boa iluminação”, afirma a arquiteta.
Dessa forma, o material pode integrar projetos com diferentes propostas estéticas, conforme as escolhas de composição, iluminação e acabamento.
Planejamento é essencial para evitar gastos extras
Apesar da versatilidade, o concreto aparente exige planejamento desde as primeiras etapas do projeto. Como a superfície permanecerá visível, a execução precisa considerar previamente os detalhes que, em outros métodos construtivos, poderiam ser corrigidos ou escondidos com revestimentos.
“E existe um ponto fundamental: o concreto aparente precisa nascer no projeto. Como ele ficará visível, tudo precisa ser pensado antes, desde as fôrmas e instalações até os encontros e detalhes”, alerta Nyara Coutinho.
A definição prévia desses elementos contribui para alcançar o resultado estético esperado e evitar correções que possam aumentar os custos da obra. A escolha das fôrmas, a organização das instalações e o cuidado com a execução precisam estar alinhados às características do projeto.
A decisão de utilizar o material, portanto, deve levar em conta tanto a aparência desejada quanto a viabilidade financeira e as necessidades de quem vai utilizar o espaço.
“Mais do que usar um material porque está em alta, nosso trabalho é entender onde ele realmente faz sentido para o projeto, para o orçamento e para o cliente”, conclui a arquiteta.
