Montar uma fábrica industrial de gelo em Belém exige investimento milionário, mas o mercado atende desde restaurantes até comerciantes e consumidores que precisam conservar bebidas e alimentos. Em Icoaraci, o empresário Luiz Diego Lopes investiu cerca de R$ 2 milhões para construir a unidade, que opera com máquinas capazes de produzir até 120 toneladas de gelo por dia. Segundo ele, a margem de lucro varia de 20% a 40%, conforme os custos operacionais, principalmente os gastos com energia elétrica.
Com seis caminhões para distribuição na Região Metropolitana de Belém, a fábrica registra maior demanda no segundo semestre, impulsionada pelas férias, pelas praias e pelas festas de fim de ano, incluindo o Círio de Nazaré.

Investimento e produção de gelo
A fábrica de Luiz Diego funciona desde 2019 e atende estabelecimentos comerciais de diferentes portes. Para quem pretende entrar no setor, o investimento inicial é um dos principais obstáculos. Segundo o empresário, apenas uma máquina industrial de produção de gelo custa atualmente cerca de R$ 1,5 milhão, sem incluir a estrutura física necessária para a operação.
“Hoje, uma máquina, só a máquina, sem a estrutura física, ela está em torno de R$ 1,5 milhão. Depende também da quantidade de toneladas”, explica.
Na unidade de Icoaraci, a capacidade diária é de 110 toneladas de gelo em escamas e outras 10 toneladas de gelo em cubos. A fábrica conta com cinco equipamentos: três máquinas para gelo em escamas e duas para gelo em cubos.
Os produtos atendem a finalidades diferentes. O gelo em escamas é utilizado principalmente para conservar bebidas em caixas térmicas, enquanto o gelo em cubos é destinado ao consumo em restaurantes, bares, eventos e outros estabelecimentos.

Energia elétrica é o principal custo
Apesar do volume de produção, manter uma fábrica de gelo exige despesas elevadas com energia elétrica, funcionários, transporte e manutenção dos equipamentos. Na unidade de Icoaraci, a conta de luz chega a aproximadamente R$ 80 mil por mês.
“A energia é o nosso maior custo. A nossa folha de pagamento também”, afirma Luiz Diego.
A equipe inclui quatro operadores e quatro embaladores, além dos profissionais envolvidos na logística. A distribuição é feita por uma frota própria de seis caminhões, cada um com um motorista e dois carregadores.

Outro gasto importante é a manutenção preventiva das máquinas industriais. De acordo com o empresário, a revisão de um compressor pode custar cerca de R$ 30 mil, especialmente porque as peças utilizadas nos equipamentos são importadas. Esse tipo de manutenção costuma ocorrer a cada dez ou 12 meses, embora problemas pontuais possam gerar despesas adicionais.
Somados, os custos operacionais representam entre 60% e 70% do faturamento da empresa, segundo Luiz Diego. A variação interfere diretamente no resultado financeiro do negócio.

“A margem de lucro fica em torno de 30% a 40%. Aí oscila a energia. Então, às vezes, cai para 20%. Às vezes, chega até 40%. Essa é a nossa margem de lucro hoje”, detalha.
Preço e concorrência no mercado
Na fábrica, um pacote de 2,5 quilos de gelo custa, em média, R$ 5, enquanto uma saca de 50 quilos é vendida por R$ 20. Os restaurantes atendidos pela empresa compram dezenas de pacotes por pedido, podendo chegar a volumes de 100 unidades em uma única entrega.

Entre os clientes estão restaurantes conhecidos de Belém, como Casa de Saulo, La Traviata, Pobre Juan e Outback.
O empresário afirma que a concorrência com produtores que operam sem a mesma estrutura de regularização e controle de qualidade pressiona os preços do setor. Para ele, o valor mais baixo nem sempre representa economia para o comprador.
“Se você não é legalizado com tudo, você consegue diminuir, porque é só água, que é o gelo feito. Então, você consegue botar um preço menor”, diz.
Luiz Diego também aponta a compra de máquinas menores por restaurantes como um desafio para as fábricas industriais. Esses equipamentos custam entre R$ 70 mil e R$ 100 mil, mas, segundo ele, podem apresentar problemas em poucos meses quando não recebem operação e manutenção adequadas.
“Alguns restaurantes acham que, comprando essas máquinas, vão reduzir os seus custos, e, na verdade, não é. Porque o gelo não é de qualidade, derrete rápido”, afirma.

Demanda cresce no segundo semestre
A procura pelo produto varia ao longo do ano. Segundo o empresário, os primeiros meses, de janeiro a abril, costumam registrar o menor movimento. A partir de maio, a demanda começa a aumentar, com o aquecimento gradual do mercado.
O segundo semestre concentra o período mais favorável para o setor, impulsionado pelas férias escolares, pelo movimento nas praias, pelas festas e pelas comemorações de fim de ano.
“Começando ali em julho, a gente tem as praias, que a gente atende. Aqui próximo nós temos o distrito de Icoaraci. E também tem as festas: Círio de Nazaré, Natal e Ano Novo. Então, o segundo semestre é um pouco mais aquecido”, relata.
