TER · 13 OUT 2026Assine
O Liberal 80 anos

ALIMENTAÇÃO

Cesta básica sobe pouco mais de 3% em Belém e chega a R$ 731,62 em setembro

Trabalhador que recebe um salário mínimo compromete 48,79% da renda líquida com os 12 produtos, segundo o Dieese

O Liberal

13 de outubro de 2026 às 11:47

Puxado pelo tomate, custo da cesta básica pesa no bolso dos paraenses

Puxado pelo tomate, custo da cesta básica pesa no bolso dos paraenses ( Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil )

O preço da cesta básica dos alimentos subiu 3,17% em Belém no mês de setembro deste ano. O conjunto de produtos custou R$ 731,62, enquanto, em agosto, o valor foi de R$ 709,12. A diferença entre os dois períodos foi de R$ 22,50. Os dados são de pesquisas realizadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com os dados do Dieese, a principal alta foi a do tomate (22,43%), seguido pelo óleo de soja (2,13%), arroz agulhinha (1,82%), pão francês (0,82%), carne bovina (0,69%), farinha de mandioca (0,61%) e açúcar cristal (0,57%). Por outro lado, quatro produtos apresentaram redução de preços: feijão-carioquinha (-2,66%), café em pó (-2,63%), manteiga (-1,31%) e leite integral (-0,12%). A banana foi o único produto que manteve o preço estável no período.

A forte alta observada no preço do tomate teve papel importante no comportamento da cesta em setembro, na avaliação do supervisor técnico do Dieese-PA, Everson Costa. “Por se tratar de um produto sujeito a grandes oscilações de preços em função de fatores como oferta, sazonalidade, condições climáticas e custos de comercialização, o resultado de setembro deve ser analisado com cautela”, pontua. 

“A alta mensal representa um impacto significativo no orçamento das famílias paraenses e contribuiu para as fortes elevações acumuladas no custo da alimentação básica durante o ano”, acrescenta Everson.

O balanço deste mês também aponta que o trabalhador paraense remunerado pelo salário mínimo precisou comprometer aproximadamente 48,79% de sua remuneração líquida apenas para adquirir os doze produtos da cesta básica. 

“Em termos de jornada de trabalho, foram necessárias cerca de 99 horas e 17 minutos das 220 horas mensais previstas em lei para garantir a compra desses alimentos. Na prática, isso significa que quase metade da remuneração líquida de um trabalhador que recebe um salário mínimo continuou sendo destinada exclusivamente à aquisição da alimentação básica, evidenciando o elevado peso dessa despesa sobre o orçamento das famílias”, explica o supervisor do Dieese. 

Acumulado do ano

Já no acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o custo da cesta básica na capital aumentou 9,76%, passando de R$ 666,57, em janeiro, para R$ 731,62, em setembro. Segundo o Dieese-PA, a variação superou a inflação estimada em 3,1% para o mesmo período. Entre janeiro e setembro, oito dos 12 produtos que compõem a cesta básica registraram aumento de preços. 

A maior alta foi a do feijão-carioquinha (53,27%), seguido pelo tomate (36,09%), carne bovina de primeira (10,70%), arroz agulhinha (9,80%), banana (6,62%), leite integral (4,46%), pão francês (2,69%) e manteiga (1,50%). Na contramão desse cenários, quatro produtos apresentaram redução de preços no período: farinha de mandioca (-22,37%), café em pó (-13,25%), óleo de soja (-13,18%) e açúcar cristal (-9,79%).

Entre setembro de 2025 e setembro de 2026, o preço da cesta básica em Belém acumulou alta de 8,74%. O valor, que era de R$ 672,84 no início do período, chegou a R$ 731,62. Nesse intervalo, seis dos 12 produtos que compõem a cesta registraram aumento de preços.

O maior aumento foi o do feijão-carioquinha (59,06%), seguido pela carne bovina de primeira (16,26%), tomate (15,42%), banana (12,93%), leite integral (3,40%) e pão francês (3,25%). Os outros seis produtos tiveram redução: farinha de mandioca (-22,22%), açúcar cristal (-22,05%), café em pó (-14,31%), arroz agulhinha (-5,08%), manteiga (-2,35%) e óleo de soja (-1,03%).

Capitais brasileiras

O custo da cesta básica aumentou nas 27 capitais brasileiras em setembro de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Dieese em parceria com a Conab. As maiores altas em relação a agosto foram registradas em Florianópolis (7,61%), Rio de Janeiro (7,32%), Porto Alegre (5,93%), Belo Horizonte (5,72%), Curitiba (5,39%), Brasília (5,37%), Vitória (4,95%), Palmas (4,75%), São Luís (4,71%), Cuiabá (4,66%) e Goiânia (4,54%).

Na Região Norte, Palmas apresentou a maior alta mensal, de 4,75%, com a cesta custando R$ 752,68. Em seguida, aparecem Porto Velho (3,98%; R$ 691,25), Belém (3,17%; R$ 731,62), Rio Branco (2,83%; R$ 678,35), Macapá (2,47%; R$ 720,01), Manaus (1,53%; R$ 676,18) e Boa Vista (0,24%; R$ 699,75). Em valor, Belém teve a segunda cesta básica mais cara da região em setembro, atrás apenas de Palmas.

No acumulado de 2026, as 27 capitais pesquisadas também registraram aumento no custo da cesta básica. As variações foram de 3,95%, em Campo Grande, a 16,76%, em Porto Velho.