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Carros chineses ampliam presença e ganham espaço no mercado paraense

Marcas asiáticas atraem consumidores pelo menor custo de uso, tecnologia e variedade de opções

Gabriel Pires
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A expansão das montadoras chinesas no Brasil tem provocado o aumento da procura por veículos elétricos e híbridos em Belém, de acordo com o setor local. Esse movimento acompanha o avanço nacional das marcas asiáticas, que fizeram do Brasil o principal importador mundial de automóveis da China nos cinco primeiros meses deste ano, com US$ 5,2 bilhões em veículos adquiridos, sendo US$ 4,5 bilhões em modelos eletrificados, segundo dados do Ranking das Exportações Chinesas.

O coordenador de operações de uma revendedora de automóveis, Carlos Ney Santos, explica que o crescimento das marcas chinesas no mercado está relacionado à confiança dos consumidores e à adaptação aos modelos oferecidos. Entre os destaques estão os carros elétricos. Ney pontua que alguns dos diferenciais são a redução do custo com combustível, além de segurança, conforto e tecnologia.

“A credibilidade começou a vir quando os carros elétricos começaram a ter uma proporção muito maior. No Brasil, aceitávamos o que as marcas tradicionais apresentavam. A abertura do mercado, principalmente com a China vindo para o Brasil, começou a trazer uma coisa que era uma disrupção progressiva. Os carros chineses que entraram no Brasil vieram com uma tecnologia muito superior ao que já existia, sem cobrar a mais por isso”, relata.

Para Ney, o Pará teve uma receptividade muito grande com os carros elétricos. “A população começou a conhecer produtos muito superiores aos concorrentes, entregando muito mais com um preço diferenciado. De janeiro a julho, foram emplacados 7.734 carros na região que compreende o Pará. Desse total, 1.954 foram carros elétricos e híbridos. Essa aceitação é comprovada por meio dos emplacamentos”, observa.

“Eu acredito que esses fatores, como o valor, a redução de custos e a entrega de um produto com mais conforto e segurança, propiciaram realmente essa reciprocidade, principalmente aqui no Estado do Pará”, completa.

Perfil dos consumidores

Segundo Ney, os veículos elétricos de marcas chinesas passaram a atrair diferentes públicos, como motoristas de aplicativo, profissionais liberais e representantes de vendas, que passaram a considerar os custos de abastecimento na escolha do carro. “O consumidor final começou a ter acesso a um produto que antes ele não tinha. Ele começou a comprar um carro de R$ 199.990, um carro de R$ 159.990. Ele começou a ter um carro que antigamente não poderia ter porque, além do carro, tinha um custo alto de combustível”, reforça Ney. 

“Quando houve a redução desse custo do combustível, as pessoas começaram a entender que se se agregar esse custo que tinha com o combustível na parcela do carro. E isso acaba-se administrando de uma maneira que se possa ter acesso [a um carro]. É uma tendência que ocorre não somente com os carros elétricos, mas também com os carros híbridos”, completa Ney.

“Há uma gama de produtos maior que atende vários tipos de público. Do cliente que antigamente era considerado um cliente C e D, esse cliente começou a ter acesso a esse produto. Já o cliente A e B começou a conhecer uma tecnologia muito mais avançada, principalmente dos modelos que estão chegando hoje. Por isso, começou a vir uma migração. Esse é o ponto. Hoje vende muito para todo mundo”, afirma.

Para quem depende de veículos de marcas chinesas, sobretudo dos modelos elétricos, a economia é um fator essencial, como destaca o motorista de aplicativo Lucas Guerra. Ele destaca que, além da redução do gasto com gasolina, o custo de manutenção fica muito mais baixo, porque o motor elétrico não desgasta. 

“O motor elétrico não perde a força. Ele continua com a mesma força, com a mesma potência, o mesmo resultado. Sem falar também da tecnologia e da segurança que é oferecida pelos carros. O custo é praticamente zero, como eu falei. E o carro elétrico ainda tem o torque instantâneo. Quando você pisa no acelerador, ele entrega”, comenta. 

Importações

O Brasil importou, nos primeiros cinco meses deste ano, um total de US$ 5,2 bilhões em automóveis da China, alta de 146,9% em relação ao ano anterior. Desse total, US$ 4,5 bilhões correspondem a veículos eletrificados. No mesmo intervalo de 2025, as compras haviam somado US$ 2,1 bilhões, quando o Brasil ocupava a sexta posição entre os maiores importadores de carros chineses.

Dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), considerando todo o primeiro semestre, apontam que as importações brasileiras de veículos eletrificados chineses chegaram a US$ 5,35 bilhões. Segundo a entidade, os automóveis representaram cerca de 15% de todas as importações brasileiras provenientes da China no período.

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