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ALIMENTAÇÃO

Carne mais barata? Consumidores de Belém ainda não sentem diferença nos supermercados

Segundo o Dieese-PA, o quilo da carne em Belém chegou a R$ 44,21 em janeiro, alta de 8,81% em relação aos preços de dezembro

Elisa Vaz

19 de fevereiro de 2025 às 07:15

( Foto: Igor Mota / O Liberal )

Os consumidores de Belém ainda não notaram preços mais baixos no quilo da carne como tem sido divulgado sobre as principais praças do país. Segundo analistas, o preço da arroba do boi tem caído - até 4,5% na semana - e, consequentemente, o dos supermercados e açougues também. Porém, o presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), Jorge Portugal, afirmou à reportagem que essa retração ainda não foi repassada pelos frigoríficos.

Pelo levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA), o quilo da carne comercializada em açougues, mercados municipais e supermercados de Belém chegou a uma média de R$ 44,21 em janeiro, o que representa uma alta de 8,81% em relação aos preços de dezembro. No intervalo de um ano, o reajuste alcançou 19,10%. Ainda não há um levantamento deste mês.

Diretor da Faepa, o zootecnista Guilherme Minssen afirmou ao Grupo Liberal que as pessoas estão comprando menos carne, e por isso a queda tem ocorrido em fevereiro. “O povo está sem poder aquisitivo para comprar qualquer tipo de carne. Baixou em todos os mercados. Eu estou aqui em Castanhal e os mercados estão às moscas, não estão vendendo nem os produtos de primeira necessidade. Acabou o poder aquisitivo da população brasileira”, mencionou.

Consumidores não notaram queda

O chef de cozinha Aldemir Saraiva, de 54 anos, trabalha com churrasco e constantemente precisa comprar carne de diversos tipos, sempre de alto padrão. Segundo ele, até agora o preço mais baixo não chegou para o consumidor. “É uma expectativa, mas até agora, para a gente, que está todo dia aqui, ainda não consegue ver isso. É o que a gente percebe no supermercado”, contou.

Aldemir disse que notou os preços de carne mais altos desde o ano passado. Ele trabalha com carnes nobres, como alcatra, maminha e picanha, então é impossível fazer substituições. A solução que ele encontra é fazer pesquisas de preços em diferentes locais, mas, mesmo assim, acha que não vale a pena. “A diferença de preço é muito pouca, às vezes 50 centavos, não compensa se deslocar. Quando a gente pega uma grande promoção, aí sim vale a pena”.

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A aposentada Deusa Brandão, de 73 anos, prefere diminuir o consumo de carne vermelha e aumentar o de frango e porco. Ela comentou que tem sentido um grande reajuste. “Todo dia que a gente pisa os pés no supermercado, as coisas estão com preços diferentes, sempre mais caras. Os alimentos estão levando todo o nosso salário. A gente já consome tudo cojm a alimentação”, ressaltou.

Em sua casa, moram cinco pessoas, então diariamente há um grande consumo de alimentos, o que acaba saindo mais caro. Mesmo fazendo pesquisas, Deusa opinou que não vale a pena. Ela tem achado os custos elevados também em açougues. Na visão da aposentada, “não há saída” para os consumidores.

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