Belém vive uma sequência de dias de calor intenso após registrar 37 °C no início de outubro, a maior temperatura para o mês em mais de 25 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nas ruas, a alta temperatura também muda o comportamento de quem circula pela cidade e movimenta a venda de bebidas geladas, como sucos, água e guaraná. Na Feira da Pedreira, vendedores relatam que a procura aumenta nos períodos mais quentes, embora o impacto varie conforme o produto, o horário e a clientela de cada comerciante.
Na banca de Edilene da Silva, 28, que trabalha há cerca de dois anos com a venda de suco de laranja, o movimento varia ao longo do dia, mas a percepção é de que o calor leva mais clientes em busca de bebidas geladas. “É mais no calor que o pessoal procura mais. No inverno, não procura muito”, afirma.
Edilene trabalha principalmente pela manhã, das 8h às 13h. Ela vende suco de laranja, água e refrigerante, mas o suco é o produto de maior saída. Os copos custam entre R$ 5 e R$ 7, enquanto a água é vendida por R$ 3 e o refrigerante, por R$ 6. A comerciante utiliza entre uma e duas sacas de laranja por dia para preparar os sucos. O preço de cada saca, segundo ela, fica entre R$ 40 e R$ 50.

Guaraná ganha força à tarde
A procura também muda de acordo com o horário. Para Lília Souza, 39, que vende guaraná há três meses na feira, o período de maior movimento começa no início da tarde e se estende até o fim do dia. “A partir de 14h, até umas 19h é o melhor horário para mim”, conta. Lília estima vender entre 50 e 60 copos por dia. Segundo ela, o volume representa uma diferença de aproximadamente 40% em relação aos períodos de menor movimento.
A comerciante vende o copo tradicional por R$ 15. Os sabores de chocolate, morango e açaí custam R$ 22. Ela afirma que a demanda aumenta durante o verão, embora parte dos clientes mantenha o hábito de consumir a bebida durante outras épocas do ano.
A relação entre calor e consumo também aparece entre os clientes. A estudante Emanuele Mercês, 18, conta que costuma comprar guaraná principalmente quando a temperatura está elevada. “Quando eu tô com muito calor, eu gosto de uma coisa bem gelada”, afirma. Apesar de considerar o preço elevado, ela diz que acaba comprando para se refrescar.
“Além do guaraná, quando estou na rua costumo comprar refrigerante zero calorias, que é refrescante também”, relata.
A estudante Emanuele Mercês, 18, considera o preço do guaraná elevado, mas acaba comprando a bebida ocasionalmente para se refrescar (Ivan Duarte / O Liberal)
Ambulante vende até 400 copos por dia
Além das bancas, há vendedores ambulantes, como Edinaldo Silva, 54, que apresenta o maior volume de comercialização. Há quatro anos trabalhando com a venda de sucos, ele concilia a atividade com o emprego de agente de portaria e percorre diferentes pontos da cidade com um isopor acoplado a um carrinho.
A rotina começa às 8h, quando ele sai de casa para atender uma clientela que, segundo ele, já está formada. O percurso inclui ruas transversais à avenida Pedro Miranda, no bairro da Pedreira. “Uma faixa de uns 300, 400 copos”, estima, ao calcular a quantidade de bebidas que consegue vender em um dia.
O volume é sustentado por uma variedade de sabores. Edinaldo oferece opções como cupuaçu, bacuri, graviola, laranja, laranja com limão, morango, abacatada, acerola, maracujá e combinações com gengibre e açafrão. Ele também vende água de coco.
Os preços variam conforme o sabor e o tamanho do copo. O bacuri, por exemplo, custa R$ 9 na versão de 250 ml e R$ 5 na de 200 ml. O morango e a abacatada ficam em torno de R$ 8 no copo maior.

Para o vendedor, a variedade é uma das razões para manter a clientela.
“Se você trabalhar só com um tipo, a pessoa escolhe só o que você trabalha. Com variedade, a pessoa escolhe o que quer”, explica.
Edinaldo também atribui a fidelização dos clientes à qualidade dos produtos. Ele afirma que prepara os próprios sucos, compra as frutas e acompanha toda a produção.
O resultado financeiro, segundo ele, tornou a venda de bebidas uma atividade importante na renda mensal. “Eu chego a ganhar R$ 5 mil por mês, mais do que no meu outro trabalho”, afirma, ao comparar o rendimento dos sucos com o emprego de agente de portaria. Apesar da associação entre calor e maior procura, Edinaldo afirma que não restringe o trabalho aos dias quentes. “Faça chuva ou sol, eu vendo”, finaliza.
