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CONSUMO

Calor aumenta procura por bebidas geladas e movimenta vendas em Belém

Vendedores relatam maior saída de sucos e guaraná nos períodos mais quentes. Ambulante chega a comercializar até 400 copos por dia.

Gabriel da Mota

8 de outubro de 2026 às 07:00

A estudante Emanuele Mercês, 18, considera o preço do guaraná elevado, mas acaba comprando a bebida ocasionalmente para se refrescar

A estudante Emanuele Mercês, 18, considera o preço do guaraná elevado, mas acaba comprando a bebida ocasionalmente para se refrescar ( Foto: Ivan Duarte / O Liberal )

Belém vive uma sequência de dias de calor intenso após registrar 37 °C no início de outubro, a maior temperatura para o mês em mais de 25 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nas ruas, a alta temperatura também muda o comportamento de quem circula pela cidade e movimenta a venda de bebidas geladas, como sucos, água e guaraná. Na Feira da Pedreira, vendedores relatam que a procura aumenta nos períodos mais quentes, embora o impacto varie conforme o produto, o horário e a clientela de cada comerciante.

Na banca de Edilene da Silva, 28, que trabalha há cerca de dois anos com a venda de suco de laranja, o movimento varia ao longo do dia, mas a percepção é de que o calor leva mais clientes em busca de bebidas geladas. “É mais no calor que o pessoal procura mais. No inverno, não procura muito”, afirma.

Edilene trabalha principalmente pela manhã, das 8h às 13h. Ela vende suco de laranja, água e refrigerante, mas o suco é o produto de maior saída. Os copos custam entre R$ 5 e R$ 7, enquanto a água é vendida por R$ 3 e o refrigerante, por R$ 6. A comerciante utiliza entre uma e duas sacas de laranja por dia para preparar os sucos. O preço de cada saca, segundo ela, fica entre R$ 40 e R$ 50.

Edilene da Silva, 28, vende suco de laranja em uma banca na Feira da Pedreira
Edilene da Silva, 28, vende suco de laranja em uma banca na Feira da Pedreira (Ivan Duarte / O Liberal)

Guaraná ganha força à tarde

A procura também muda de acordo com o horário. Para Lília Souza, 39, que vende guaraná há três meses na feira, o período de maior movimento começa no início da tarde e se estende até o fim do dia. “A partir de 14h, até umas 19h é o melhor horário para mim”, conta. Lília estima vender entre 50 e 60 copos por dia. Segundo ela, o volume representa uma diferença de aproximadamente 40% em relação aos períodos de menor movimento.

A comerciante vende o copo tradicional por R$ 15. Os sabores de chocolate, morango e açaí custam R$ 22. Ela afirma que a demanda aumenta durante o verão, embora parte dos clientes mantenha o hábito de consumir a bebida durante outras épocas do ano.

A relação entre calor e consumo também aparece entre os clientes. A estudante Emanuele Mercês, 18, conta que costuma comprar guaraná principalmente quando a temperatura está elevada. “Quando eu tô com muito calor, eu gosto de uma coisa bem gelada”, afirma. Apesar de considerar o preço elevado, ela diz que acaba comprando para se refrescar.

“Além do guaraná, quando estou na rua costumo comprar refrigerante zero calorias, que é refrescante também”, relata.

A estudante Emanuele Mercês, 18, considera o preço do guaraná elevado, mas acaba comprando a bebida ocasionalmente para se refrescar (Ivan Duarte / O Liberal)

Ambulante vende até 400 copos por dia

Além das bancas, há vendedores ambulantes, como Edinaldo Silva, 54, que apresenta o maior volume de comercialização. Há quatro anos trabalhando com a venda de sucos, ele concilia a atividade com o emprego de agente de portaria e percorre diferentes pontos da cidade com um isopor acoplado a um carrinho.

A rotina começa às 8h, quando ele sai de casa para atender uma clientela que, segundo ele, já está formada. O percurso inclui ruas transversais à avenida Pedro Miranda, no bairro da Pedreira. “Uma faixa de uns 300, 400 copos”, estima, ao calcular a quantidade de bebidas que consegue vender em um dia.

O volume é sustentado por uma variedade de sabores. Edinaldo oferece opções como cupuaçu, bacuri, graviola, laranja, laranja com limão, morango, abacatada, acerola, maracujá e combinações com gengibre e açafrão. Ele também vende água de coco.

Os preços variam conforme o sabor e o tamanho do copo. O bacuri, por exemplo, custa R$ 9 na versão de 250 ml e R$ 5 na de 200 ml. O morango e a abacatada ficam em torno de R$ 8 no copo maior.

Edinaldo Silva, 54, é vendedor ambulante de sucos e concilia a atividade com o emprego de agente de portaria
Edinaldo Silva, 54, é vendedor ambulante de sucos e concilia a atividade com o emprego de agente de portaria (Ivan Duarte / O Liberal)

Para o vendedor, a variedade é uma das razões para manter a clientela.

“Se você trabalhar só com um tipo, a pessoa escolhe só o que você trabalha. Com variedade, a pessoa escolhe o que quer”, explica.

Edinaldo também atribui a fidelização dos clientes à qualidade dos produtos. Ele afirma que prepara os próprios sucos, compra as frutas e acompanha toda a produção.

O resultado financeiro, segundo ele, tornou a venda de bebidas uma atividade importante na renda mensal. “Eu chego a ganhar R$ 5 mil por mês, mais do que no meu outro trabalho”, afirma, ao comparar o rendimento dos sucos com o emprego de agente de portaria. Apesar da associação entre calor e maior procura, Edinaldo afirma que não restringe o trabalho aos dias quentes. “Faça chuva ou sol,  eu vendo”, finaliza.