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PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL

Alter do Chão sedia debate internacional sobre cultivo de peixes amazônicos

Encontro inédito da ONU reúne especialistas para traçar metas de proteção e manejo de espécies como tambaqui e pirarucu na bacia hidrográfica

Gabriel da Mota

10 de agosto de 2026 às 18:40

Fórum em Alter do Chão debate criação de espécies nativas da Amazônia

Fórum em Alter do Chão debate criação de espécies nativas da Amazônia ( Foto: Divulgação / MPA )

O futuro da criação comercial de espécies de pescado nativas da Amazônia concentrou discussões de especialistas e pesquisadores nesta segunda-feira (10) no distrito de Alter do Chão, em Santarém. Organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o evento ocorreu pela primeira vez no município do oeste paraense.

O objetivo principal do encontro é promover a troca de conhecimentos técnicos e explorar oportunidades de cooperação regional. Os participantes buscaram garantir o desenvolvimento seguro de espécimes de alto valor produtivo e comercial, a exemplo do pacu, da matrinxã, dos bagres e das variedades híbridas comuns na Amazônia.

Além da conservação dos estoques naturais nos rios, a atividade tem impacto direto na economia local e nacional. O volume da criação de peixes em cativeiro no Brasil já é superior ao pescado retirado diretamente da natureza de forma extrativa.

Expansão do mercado e regras

"Atualmente, a aquicultura brasileira alcança cerca de 882,3 mil toneladas anuais, superando a produção da pesca extrativa, que registra aproximadamente 485,7 mil toneladas por ano", destacou o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, representante do governo federal no workshop.

O avanço desse volume de produção reflete diretamente na mesa e no bolso da população ribeirinha e dos produtores locais.

"Esses números indicam a participação crescente da atividade aquícola na oferta de pescado, na conservação dos estoques naturais, na segurança alimentar e no desenvolvimento regional, especialmente para as mulheres", complementou o ministro.

A programação em Santarém contou com o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Infopesca. O roteiro de trabalho na região do Tapajós envolveu ainda o mapeamento de demandas e políticas públicas na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e visitas a laboratórios e polos do Instituto Federal do Pará (IFPA).