Uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) divulgada nesta terça-feira (4) revelou que o aumento do botijão de gás de cozinha chegou a 35,16% no acumulado de 2021, bem acima da inflação – fechada em torno de 11%. O reajuste vem trazendo dificuldades aos diversos envolvidos na cadeia do produto, desde distribuidores a consumidores finais. O dono de uma venda de quentinhas localizada no bairro da Pedreira conta que o faturamento caiu cerca de 40% desde o ano passado até janeiro deste ano.
Oberdan Martins conta ainda que precisou fazer quatro reajustes em toda a tabela de preços das quentinhas ao longo do ano, e que os clientes vêm reclamando constantemente. “O reajuste no nosso preço aqui acabou afastando alguns clientes, porque algumas pessoas vão por quantidade, não qualidade, e isso acaba impactando, porque temos um padrão de trabalho, onde é tudo feito na hora, não trabalhamos com nada de um dia pro outro. Hoje pagamos, por exemplo, 117 reais no botijão, 10 reais numa lata de óleo, pesado”, afirma.
O empreendedor lembra que, anteriormente, vendia em torno de 50 quentinhas ao dia e, atualmente, esse número caiu para 25, em média. Antes da pandemia, Oberdan também tinha o espaço físico do restaurante, mas precisou fechar. “Tinha 12 funcionários, hoje tenho só três e o delivery. Meus principais pratos feitos (PFs), por exemplo, bife acebolado, custava R$ 13, agora está R$ 16; a calabresa acebolada também era R$ 10 no início do ano passado, agora está R$ 13”, detalha.
Alta no preço e queda no consumo
O diretor de uma rede distribuidora de gás que tem pontos nos bairros do Jurunas, Cremação, Pedreira, Marco e Parque Verde, Felipe Sherring, também reclama de uma queda de mais de 40% do número de consumidores finais, mas, ao se referir aos restaurantes que adquiriam botijão de gás, esse percentual de redução das vendas é ainda maior, e chega a 70%. “Muito restaurante fechou, pequenos negócios familiares, de bairro, fecharam. Muitos não aguentaram passar por esse período de pandemia”, explica.
Em janeiro do ano passado, a distribuidora cobrava R$ 66,50 em um botijão de gás. Hoje, em 2022, esse valor chega a R$ 105, o que, segundo Felipe, é o menor preço da cidade. “A gente até faz promoção, na Augusto Montenegro, que é o bairro Parque Verde, deixamos o valor fixo de R$ 95, porque sabemos que tem muitas famílias de baixa renda vivendo nas redondezas. As pessoas reclamam ainda mais da alimentação, e deixam de comprar carne, frango, porque além de mais caro, levam mais tempo para cozinhar. Os embutidos não gastam tanto gás”, concluiu.
A recepcionista Carolina Furtado lembra que, em janeiro de 2021, chegou a pagar R$ 85 por um botijão de gás, quando ainda morava com a mãe. Moradora do município de Ananindeua, ela passou a pagar R$ 105 no último mês de dezembro. “Tem sido muito pesado custear isso, porque mesmo com o botijão, o gás está muito caro”, reclama.
Preço subiu em todo o Pará, aponta Dieese
O balanço do Dieese traz os valores cobrados pelo botijão de 13 kg do gás de cozinha em postos de combustíveis da capital paraense, com base em informações oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em dezembro de 2020, o produto custava R$ 80,11; em janeiro, passou para R$ 82,94. Já em novembro, o botijão foi comercializado em média a R$ 107,74 e encerrou o ano sendo vendido a R$ 108,28.
Ainda segundo o Dieese, o aumento no preço do gás de cozinha observado na capital também se estendeu por todo o Pará. Em algumas regiões do Estado, o item essencial alcançou cerca de R$ 130. O departamento reforça que, somente no ano passado, de janeiro a dezembro, oficialmente, a Petrobras promoveu sete alterações no preço do gás de cozinha, todas com aumentos de preços.
