Com o objetivo de debater reclamações de produtores agrícolas sobre o preço do açaí estabelecido pelas indústrias do fruto no mercado, foi criado na tarde de ontem, em reunião realizada no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), em Belém, um comitê reunindo produtores de açaí, gestores municipais, empresários e representantes de indústrias. O comitê vai atuar dentro da Câmara Setorial do Açaí, unidade organizativa que faz parte do Conselho Estadual do Agronegócio, onde atuam, além da Faepa, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e membros da sociedade civil organizada.
Clésio Santana Souza, membro da diretoria da Faepa e da Câmara Setorial do Açaí, afirma que a reunião foi convocada para debater diversos pontos da cadeia do açaí no Pará, no entanto, a queixa dos agricultores sobre o preço que são impelidos a colocar no produto, há anos, ganhou o centro do encontro, determinando a linha imediata de atuação do comitê recém-criado. “O valor do produto foi o foco, já que, segundo a reclamação dos produtores, o preço da matéria-prima não teve aumento nos últimos anos. O que nós fizemos foi abrir o diálogo, para começarmos a pensar juntos, todos os setores, como podemos resolver o problema”, explica.
Entre 25 pessoas que compareceram ao auditório, estiveram representantes das secretarias municipais de agricultura de algumas das principais cidades produtoras de açaí: Igarapé-Miri, Abaetetuba, Moju, Barcarena e Cametá. De acordo com Clésio Santana, até a próxima sexta-feira (3), o comitê deverá ter levantado os custos médios de produção do cultivo de açaí em cada um dos municípios, para que seja possível a elaboração de uma proposta de preço que seja acordada entre todas as partes envolvidas na cadeia de produção.
“É preciso ter uma planilha que diga o quanto é gasto na produção, de forma exata, pois sabemos que cada município possui uma realidade diferente. O custo em Igarapé-Miri não é o mesmo para os outros, por exemplo. Estamos preocupados em pensar o Pará inteiro. A reivindicação dos produtores é legítima, por isso devemos partir de um levantamento. Eles estão passando realmente uma situação complicada. No interior, a gasolina já está a R$ 7 e, fora isso, é preciso pagar sempre 30% do que é produzido para o peconheiro (pessoa contratada para retirar o açaí no galho, com um artefato colocado nas pernas chamado de peconha) ”, destaca o membro da Faepa. O comitê deverá se reunir na próxima semana com os representantes da cadeia produtiva do açaí no arquipélago do Marajó.
Em Igarapé-Miri, os produtores estão paralisados de forma parcial. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município afirma que pretende estabelecer um piso mínimo para a rasa do açaí (unidade de medida que contém 28 quilos), junto com os empresários da indústria, além de tentar debater mudanças na forma como as indústrias compram o produto. Entre as propostas, está a sugestão de substituir a saca de fibra, recipiente utilizado para armazenar o produto, por outros materiais, para que o açaí não seja danificado, alega a entidade.
