As empresas que tiveram que pagar o aluguel integral nos espaços onde funcionam, especialmente dentro dos shopping centers, que têm preços mais altos, enfrentam dificuldades financeiras. Na Região Metropolitana de Belém, por exemplo, houve decreto de bandeiramento preto, ou lockdown, durante duas semanas, o que prejudicou o faturamento dos lojistas que não podiam funcionar. Mas os administradores dos empreendimentos em Belém afirmam que não perderam lojas devido ao período de maior restrição.
Com o agravamento da pandemia e a aceleração da inflação, lojistas e administradoras de shoppings em todo o Brasil estão enfrentando um impasse nas negociações para reajuste de aluguel - de um lado, muitos shoppings querem cobrar o valor integral; de outro, os lojistas podem até enfrentar fechamento se tiverem que pagar o valor cheio. Não é o caso de Belém. As administrações que responderam à reportagem ofereceram benefícios aos empresários.
Recuperação
O coordenador de administração da AD Shopping Norte Nordeste, que acumula a superintendência do Pátio Belém, afirma que não houve nenhum fechamento de loja ocasionado por este segundo lockdown. E medidas para reduzir as despesas dos lojistas foram adotadas pelo shopping: redução das despesas condominiais, realizadas através de renegociação de contratos com fornecedores; descontos em aluguéis; e isenção da cobrança do fundo de promoção.
"Aos poucos estamos recuperando o nosso fluxo. Com as últimas medidas do governo, já estamos funcionando quase que no horário integral e com o segmento de alimentação podendo seguir até as 21h. Hoje nosso fluxo está apenas 30% abaixo da normalidade. Estamos confiantes em um retorno breve da normalidade de fluxo, com a liberação dos cinemas e redução das restrições de mesas nas praças de alimentação, lógico que tudo condicionado à queda dos índices de infecção em nossa cidade. Os shoppings têm procurado fazer a parte deles, com rígidos protocolos sanitários", afirma.
Em outro shopping, o Bosque Grão Pará, o superintendente Boby Munhoz garantiu que também não houve nenhum distrato de loja por conta do lockdown no espaço. Segundo ele, o shopping ajudou os lojistas com descontos no boleto, proporcional ao período em que as lojas estiveram fechadas, além da possibilidade do parcelamento deste valor, com o primeiro pagamento apenas no segundo semestre. "A retomada após o lockdown está tranquila, com crescimento gradual das vendas, dentro do previsto para o contexto atual", pontua. Procurados pela reportagem, o Boulevard e o Parque Shopping não se pronunciaram.
Movimento cresce
Mesmo com o fim do lockdown, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém (Sindilojas), Joy Colares, não acredita que as lojas conseguirão se recuperar rapidamente. Para ele, o movimento de clientes só irá voltar ao normal, nos parâmetros do que era observado antes da pandemia, no quarto trimestre deste ano.
"O fluxo ainda vai demorar a voltar ao normal, porque as pessoas estão sem renda para fazer compras. Talvez a volta do pagamento do auxílio emergencial ajude na recuperação da renda das pessoas. Mas em Belém, por exemplo, metade da população é autônoma, depende da situação econômica", declara o especialista. A maior dificuldade dos lojistas neste período, segundo Joy, é o pagamento do aluguel e da folha de funcionários e fornecedores, motivados pelo baixo faturamento durante a crise sanitária.
