Pesquisa do Observatório Digital de Segurança do Trabalho registra que a mortalidade no trabalho em Belém, do ano de 2002 a 2017, teve queda de 66%, a contar da prevalência do número de acidentes de trabalho com morte. No primeiro ano analisado, foram registradas 18 mortes a cada 100 mil trabalhadores com carteira assinada. No entanto, em 2017, o levantamento informa que o dado caiu para 6 óbitos para cada 100 mil trabalhadores. Não estão incluídos servidores públicos de regime estatutário ou trabalhadores informais.
De 2000 até 2018, 202 famílias receberam pensão por morte por acidente de trabalho, o que coloca o município em 13º lugar do ranking nacional de concessão de benefícios por morte. O levantamento aponta que no período analisado houve queda de 100% no número de concessões. Em 2000, 25 pensões por morte foram concedidas na capital paraense, enquanto que em 2018, nenhuma concessão foi contabilizada, de acordo com o estudo. No Pará, foram 705 pensões desse tipo na mesma série histórica, e em todo o país, 26,7 mil casos.
Os setores econômicos que mais receberam notificação de acidente de trabalho, entre 2012 e 2018, em Belém, foram: o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, como hipermercados e supermercados, e as atividades de atendimento hospitalar. Os dois grupos foram responsáveis, cada um, por 11% (1.747) notificações do total (15.881) no município O setor de construção de edifícios ficou em segundo lugar, representando 8% (1.217) das notificações. Atividades de Correio aparecem em terceiro lugar, com o registro de 4% (575) das notificações.
A ocupação mais frequentemente citada em notificações de acidentes de trabalho foi a de servente de obras. Estes trabalhadores da construção civil foram atingidos em 1.449 casos de notificação, no mesmo período analisado, representando 9% do total. Os técnicos de enfermagem representaram 7% dos acidentes notificados, o que é o mesmo que 1.115 notificações. Logo depois, teve destaque a categoria dos vendedores de comércio varejista, com 4% (582) dos casos.
No que diz respeito a sexo e idade das pessoas acidentadas, homens de 30 a 34 anos formam o grupo com o maior número de notificações: 2.249 mil. Também na faixa etária de 30 a 34 anos, está a maior quantidade de registro para mulheres, que é de 899 casos.
As lesões mais frequentes, também de 2012 a 2018, foram cortes, lacerações, feridas contusas ou furos, que atingiram 18% (2.799 notificações). Fratura foi a segunda causa que mais motivou casos, com 16% (2.539) do total dos registros. Em seguida, os itens de contusão e esmagamento (superfície cutânea) e escoriação, abrasão (ferimento superficial) ficaram empatados em segundo lugar, com 13% (2.100) dos casos, cada um. O quarto lugar ficou com a causa de lesão imediata, com 9% (1.422) das notificações.
A parte do corpo dos trabalhadores mais frequentemente atingida, em Belém, nos acidentes, também de 2012 a 2018, foram os dedos, que acumularam 21% (3.396) dos casos. Entre os grupos de agentes causadores, agentes químicos causaram 2.632 casos, que significa o equivalente a 17% dos acidentes. Em seguida, os veículos de transporte, que provocaram 312 acidentes em 2018, aparecem com 14% (2.189) do total. Quedas de mesmo nível é o terceiro grupo de motivos com mais ocorrências, 2094 casos, que é o equivalente a 13%.
O Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho foi desenvolvido pela iniciativa SmartLab do Trabalho Decente, em colaboração com pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) no âmbito do projeto “Acidente de Trabalho: da Análise Sócio Técnica à Construção Social de Mudanças”.
O objetivo fundamental da ferramenta é o de melhor informar políticas públicas de prevenção de acidentes e doenças no trabalho, de modo que todas as ações, programas e iniciativas passem a ser orientadas por evidências não apenas em nível nacional, mas principalmente em cada um dos 5.570 municípios brasileiros. Para conhecer o levantamento completo, basta acessar este site.
