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Está puxado

Academias conseguem se reerguer com esforço redobrado

Restrições afetaram seriamente o seguimento, que buscou crédito para sobreviver

Eduardo Laviano / O Liberal

11 de julho de 2021 às 08:00

( Foto: Sidney Oliveira / O Liberal )

As academias estão no grupo de atividades mais afetadas pela crise sanitária no Brasil. E metade delas está com dívidas em atraso, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

Segundo a pesquisa, o faturamento do setor chegou, em maio de 2021, a um patamar 52% abaixo do que seria normal para o mês. Na edição anterior da pesquisa, realizada em fevereiro, o segmento estava 42% abaixo do normal.

Essa piora de cenário fez com que esses empresários se tornassem os mais preocupados entre todos os setores analisados: 72% alegam que estão com muita dificuldade de manter o negócio.

Golpe duro

Neube Cabral da Costa e o marido Rodrigo são proprietários de uma academia há 12 anos em Belém. O estabelecimento é a única fonte de renda do casal e, quando o novo coronavírus chegou, eles não estavam preparados para emergências.

"Foi bem difícil. Um susto muito grande, na verdade, especialmente no primeiro lockdown. Passamos pouco mais de três meses fechados ano passado. Tivemos que demitir funcionários. Não tínhamos uma reserva de emergência, e isso foi um erro bem grave, pois hoje sei que uma empresa que se preze precisa ter. Neste segundo lockdown em 2021, estávamos preparados, pois já havíamos visto nas notícias que isso estava no horizonte. Vivendo e aprendendo", conta Neube.

Crédito

O estudo também destaca que os donos de academias também são os que mais procuram as instituições financeiras para obter crédito em 2021. De acordo com a pesquisa, 55% solicitaram empréstimos desde janeiro, sendo que 36% procuraram essa ajuda entre os meses de abril e maio.

Segundo o Sebrae, no acumulado do ano, o número de pequenos negócios desse setor que tentaram crédito é 10 pontos percentuais superior à média dos outros setores, que é de 45%. Dos que procuraram crédito, 48% receberam uma resposta positiva ao pedido. 

Neube acredita que a pandemia terminou por refletir negativamente a maneira que os micro e pequenos empresários são tratados no Brasil.

"Vi muitas empresas fechando. Quando houve um auxilio, ninguém conseguia. Ninguém que eu conhecia conseguiu. Muitos não conseguirem empréstimos também. Me dá uma tristeza de ver tantos locais com placas de 'alugua-se'. Eu digo que o governo finge que ajuda", avalia. 

O estudo do Sebrae, que analisa o cronograma de vacinação, mostra que, nesse ritmo, apenas em outubro boa parte das micro e pequenas empresas retomarão o faturamento dos níveis pré-pandemia.

Recuperação

A academia de Neube já está com uma faixa entre 250 e 300 alunos, o mesmo número de clientes que ela tinha antes da pandemia. Mas ela percorreu um longo caminho até este resultado e precisou ser criativa.

"Logo quando retornamos era entre 100 e 150 alunos, pois atendíamos com um número limitado e hora marcada. Sem contar o medo dos alunos, que ainda esperaram bastante tempo antes de voltar. Nós tínhamos ginástica e artes marciais, que eram aulas coletivas que não voltaram. Já o [treinamento] funcional foi integrado a musculação para agregar valor sem cobrar nada a mais. Deu muito certo esse pacote. Além disso, pensamos muitas promoções, para duas pessoas, para casal, avaliação física gratuita", conta. 

O professor de educação física Murilo Nogueira acredita que a pandemia apresentou para as pessoas um leque de possibilidades que vão além da musculação - tanto para as pessoas quanto para as academias. 

Atualmente, ele possui 80 alunos de corrida de rua na academia onde trabalha. Ele acredita que a modalidade virou uma "terapia" para muitos alunos ao longo da pandemia.

"Quando estourou a crise, ficou todo mundo perdido sem saber o que fazer. Muitos profissionais de academia se prepararam para seguir trabalhando, já que a corrida de rua sempre foi liberada e muitos alunos não conseguiam treinar em casa por falta de estímulo. Os profissionais da área chegaram a perder metade da renda. Isso acendeu o alerta para os professores se preparem financeiramente, com reservas financeiras, e também se preparar para outras possibilidades de trabalho, como é o caso da assessoria esportiva, que tem movimentado o mercado", afirma. 

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