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Da polpa ao vinho, açaí impulsiona surgimento de negócios

Empreendimentos apostam na tradição alimentar e na conquista de novos mercados com fruto típico da Amazônia

Fabrício Queiroz

A paisagem de Belém de algumas ruas é marcada por alguns ícones, como os tuneis de mangueiras, as calçadas de pedras portuguesas e as fachadas azulejadas. Há, porém, um elemento que é quase onipresente: os pontos de venda de açaí. Eles estão nas periferias e também nas áreas nobres, evidenciando a demanda constante por um produto que é parte da identidade da população.

Com um mercado tão ávido, a venda de açaí se tornou um grande filão para criação de novos negócios. “O açaí faz parte da cultura alimentar do paraense. Estima-se que no período da safra, que vai de agosto a novembro, tenha em torno de 10 mil pontos de processamento artesanal de açaí na cidade de Belém, porém ainda há espaço para quem quer empreender de forma séria e profissional neste segmento”, afirma Mauro Pereira, analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Pará (Sebrae).

O analista do Sebrae, Mauro Pereira, considera que a valorização do açaí no mercado gera oportunidade de novos negócios (Divulgação / Sebrae)

Uma das medidas que demonstram o compromisso com uma atuação mais profissional é a formalização. Atualmente, a instituição de um microempreendimento individual (MEI) é facilitada e garante uma série de vantagens aos empresários, como a segurança para desempenhar as atividades de acordo com a lei, a redução de custos tributários e o acesso a benefícios previdenciários.

Hoje em dia, muitos empreendimentos que atuam com a venda do açaí in natura trilham esse caminho. É o caso de Heron Amaral Rocha, que já trabalha com a manipulação do fruto há 28 anos. “Resolvi formalizar para crescer dentro do ramo e ter oportunidade de empreender. A formalização traz benefícios como conseguir linha de crédito com bancos, por exemplo”, diz o empresário, que mantém um comércio no Mercado Municipal do bairro da Pedreira, em Belém, onde a rotina de trabalho é intensa durante toda a semana.

“Eu mesmo faço a compra, acordo de madrugada todo dia pra ir em busca do fruto pra garantir um produto de qualidade. A maior dificuldade de trabalhar com açaí é porque se trata de um fruto sazonal, é um fruto que tem safra, e quando tá fora do período ele fica escasso e caro”, conta Heron. Apesar disso, o empresário credita ao açaí uma parte importante da sua vida, afinal esse negócio representa a principal fonte de renda para ele e toda a família, que esposa, dois filhos, três enteados, os pais e a sogra.

O empresário Heron Rocha já trabalha há 28 anos com o processamento do fruto e agora começa a investir no plantio (André Oliveira / O Liberal)

Por causa disso e de olho nos consumidores que não abrem mão de ter o açaí nas tigelas mesmo nas épocas de baixa oferta do produto, Heron começou a dar novos passos para o amadurecimento do negócio. “Tenho planos para expandir, inclusive, pela escassez, resolvi investir no plantio”, revela ele que planeja obter sua matéria-prima em cultivos no município de Igarapé-Açu. “A maior satisfação é ter um público diário e conseguir vender tudo o que é produzido”, ressalta o empresário satisfeito com o trabalho.

Mas além da sua forma tradicional, o açaí propicia a inovação e a exploração de novos segmentos e tendências. No bairro da Guanabara, em Ananindeua, um ponto de venda de polpa, sorvete e produtos derivados resolveu oferecer um novo produto: o vinho de açaí, apelidado de açaínho.

“Vislumbramos o mercado do vinho como uma grande possibilidade de ter um produto único. É um mercado sem concorrência e que concretiza um sonho de criação. Escolhemos a melhor região de colheita do fruto, que só serve açaí de várzea, pois o vinho tem suas peculiaridades pra poder fermentar e ter aroma e sabor da bebida”, relata Natan Sousa, que é sócio-proprietário da marca ao lado da esposa Célia Sousa.

O vinho de açaí de Célia e Natan Sousa já conquista paladares fora do estado e no exterior (André Oliveira / O Liberal)

A novidade logo chamou atenção do público local e até de fora do estado, que aprecia cada vez mais o fruto tipicamente amazônico. “Já temos mercado em São Paulo e Rio de Janeiro com representantes. Nossa meta é a exportação. Já enviamos para a França e Portugal para degustação e no mercado local já se encontra em mais de cinco pontos de vendas de vinhos e restaurantes”, afirma o empreendedor que destaca as boas perspectivas para o negócio ainda neste ano. Só na safra de 2022, a estimativa é de produção de 18 mil garrafas.

Os resultados mostram que o mercado consumidor de açaí só tende a se expandir tanto local quanto globalmente, mas para manter um negócio competitivo e relevante é preciso estratégia, boa administração e foco na qualidade. O analista do Sebrae elenca algumas dicas que fazem toda a diferença na gestão. “Utilizar as boas práticas de processamento, implantar uma gestão financeira do negócio com fluxo de caixa, controles financeiros, gestão de custos e formação do preço de venda, ter uma marca e identidade visual do empreendimento, fazer o registro de sua marca, ter presença digital nas redes sociais e ter um planejamento estratégico do seu negócio”, pontua Mauro Pereira.

Dia do Açaí
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