No dia 4 de outubro, a Volé Cia de Dança apresenta o espetáculo “Margeando: Causos das Margens” no Teatro Margarida Schivasappa. Com 20 intérpretes no elenco, com idades entre 18 e 32 anos, a produção aborda a temática da amazonidade e a relação entre o ambiente urbano e as narrativas do imaginário regional. A encenação combina técnicas de dança moderna e expressões corporais locais em uma ambientação que simula elementos de travessia e representações das águas.
“O espetáculo nasceu a partir da minha pesquisa de doutorado, na qual elaboro uma epistemologia criativa que alia pertencimento e técnicas corporais. A poética da água permeia esse processo pelas margens dos nossos rios, e, através do diálogo do corpo atravessado pelas águas de nossas margens, surgiram os indutores da roteirização. O espetáculo se inicia em simbiose corpo-água: o corpo é água, faz parte do rio, se torna corrente, encantaria-água. Na segunda cena, o corpo reconhece sua individualidade e não é mais água, mas está imerso, levado pelo fluxo dos rios; flutua, nada contra a corrente, espirala, reconhece os cheiros e sabores que as águas levam. Na última cena, o corpo chega à margem, mas as marés ainda o movem por dentro, carregam o empoderamento das encantarias aquáticas consigo ao encontrar a Amazônia urbana, com seus ritmos, sabores e cheiros próprios”, explicou Gaby Albuquerque, que assina a direção geral, artística e o roteiro.
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A proposta deste espetáculo é promover o encontro entre a dança moderna americana e a corporalidade amazônica. O processo de pesquisa para fundir essas duas linguagens com os 20 intérpretes do elenco exigiu uma investigação detalhada sobre as dinâmicas de movimento, a fisicalidade do território e a técnica dos bailarinos.
“A dança moderna americana é o código corporal que serve de alfabeto para a construção das frases de movimento, enquanto a corporalidade amazônica traz a cosmologia elaborada nas histórias contadas; o gesto codificado se ressignifica a partir dos jeitos de ser, mover e estar no mundo, imbricados no pertencimento amazônico. Os intérpretes trabalham através de induções que fazem emergir a individualidade da relação de cada um com suas raízes a partir do coletivo. Isso se conquista através da pesquisa de movimento aliada a momentos de diálogo sobre os significados desse gesto, e de como ele reflete a relação particular de cada um com suas origens”, explica Gaby Albuquerque.
O espetáculo aborda a travessia e o pertencimento às margens. A proposta com a Volé Cia de Dança é provocar no público paraense uma reflexão profunda a partir das memórias e ancestralidades apresentadas em cena. A montagem conta com direção cênica de Marcelo Vilela, cenotecnia de Cláudio Bastos e iluminação assinada por Carol Sarquis.
“O espetáculo traz emanações do empoderamento que vem de se reconhecer pertencente a um território, se reconhecer em modos de vida que geram conexão e, por conseguinte, força. O espetáculo cria uma ponte entre o palpável e o impalpável, gerando, através de imagens em movimento vivo, emanações do poder que vem dos rios que banham nossa cidade e trazem consigo nosso pertencimento amazônico. Dessa forma, cada um que entrar no teatro vai mergulhar junto conosco também em sua própria história e sair de lá mais mergulhado em suas próprias águas”, finaliza a diretora.
Agende-se
Data: sexta-feira, 4
Hora: 20h
Local: Teatro Margarida Schivasappa (Centur) - Av. Gentil Bittencourt, 650 – Batista Campos, Belém – PA
Ingressos: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia) — Disponíveis na bilheteria do teatro e via chave Pix/Sympla da companhia
Classificação indicativa: Livre
